1TP COMPLETA / 2TP COMPLETA
Uma família inesperada
Sinopse:
Narrada por Pedri, meio-campista do Barcelona, esta história desdobra-se em um dia inesquecível que muda sua vida para sempre. Durante uma vibrante partida no Camp Nou, Pedri, um jovem tal...
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PABLO
O dia seguinte foi uma mistura de nervosismo e alívio. Eu ainda não conseguia acreditar que tinha falado tudo o que sentia pro meu pai. Ele me aceitou. E, por mais que fosse meio confuso, parecia que eu podia respirar com mais facilidade agora. O peso da minha mente tinha diminuído, mas as consequências não pararam de surgir.
Fui para a escola com a cabeça a mil, mas, ao mesmo tempo, mais leve do que nunca. O caminho até lá foi quase silencioso. Só eu e minha mente cheia de perguntas. O que ia acontecer agora? Será que as coisas entre eu e meu pai iam mudar de alguma forma? Ele ainda ia me tratar igual? Eu ainda ia ser o filho que ele sempre quis? Mas essas perguntas ficaram de lado quando cheguei na escola e vi Lucas.
Ele estava conversando com alguns amigos, mas assim que me viu, veio direto na minha direção. O sorriso dele me fez esquecer um pouco de tudo, de todas as inseguranças que estavam se acumulando na minha cabeça. Aquele sorriso era o que eu mais gostava de ver, o que mais me tranquilizava.
— E aí, Pablito? — ele perguntou, dando um leve empurrão no meu ombro.
Eu sorri, um pouco sem graça, mas aliviado ao mesmo tempo.
— Eu... eu falei com o meu pai.
Ele me olhou curioso, levantando uma sobrancelha.
— Sério? Como foi?
Fiquei quieto por um segundo, lembrando da conversa do dia anterior. Aquele momento em que eu soltei tudo, e a reação dele foi mais leve do que eu imaginei.
— Foi... bom. Melhor do que eu imaginava. Ele me aceitou. Ele me aceitou de verdade. Não foi como eu pensava que ia ser.
Lucas sorriu de um jeito tão genuíno, quase como se estivesse feliz por mim também.
— Que bom, cara. Fico feliz por você.
Eu olhei pra ele, o coração batendo mais forte. Era incrível como ele parecia estar tão ao meu lado, sempre. Ele sempre me apoiava, e eu nunca soube se era porque ele queria mesmo ou só por ser meu amigo. Mas, naquele momento, parecia que era mais do que amizade.
A aula passou rápido, mas meu pensamento estava longe, o que ia acontecer entre eu e ele agora?
No fim das aulas, quando o sinal bateu, Lucas me chamou para uma conversa. A maioria dos alunos já tinha saído, e nós ficamos ali, entre os corredores vazios. O sol da tarde entrava pelas janelas da escola, e a luz suave parecia quase simbólica, como se fosse um sinal de que algo importante estava para acontecer.
— Pablo... — Lucas começou, hesitante, o que era raro nele. Normalmente, ele tinha uma confiança que eu até invejava, mas agora parecia um pouco nervoso. — Eu queria te falar uma coisa.
Eu não sabia o que esperar. O medo de estar dando um passo errado me paralisou por um segundo.
— Pode falar. — tentei soar tranquilo, mas a ansiedade estava tomando conta de mim.
Ele olhou pra mim com aqueles olhos claros, como se estivesse pesando suas palavras. Ele respirou fundo e, então, sorriu de um jeito que me fez engolir em seco.
— Eu... eu gosto muito de você. Tipo, de uma forma que não é só amizade. Eu gosto de você de verdade, cara. Eu não sabia como ia ser depois da conversa com seu pai, mas, na real, eu tava esperando que você... também gostasse de mim.
Eu fiquei parado. Meus pensamentos estavam a mil por hora, mas eu não sabia o que fazer. Lucas gostava de mim. Ele gostava de mim! Eu sempre senti algo diferente por ele, mas nunca tinha parado pra pensar sobre isso, porque não queria complicar nossa amizade. Mas, agora, com ele dizendo isso... parecia que tudo tinha virado de cabeça pra baixo. Eu sentia um turbilhão de emoções dentro de mim, a confusão e o medo de que isso fosse uma escolha errada, mas, ao mesmo tempo, uma alegria imensa.
— Eu também gosto de você. Muito. — As palavras saíram de mim mais rápido do que eu pensei, mas eram sinceras.
Eu nunca tinha dito isso pra ninguém dessa forma. Mas ele olhou pra mim com um sorriso tão grande que parecia até impossível de acreditar. Ele se aproximou um pouco mais e, com um olhar tímido, disse:
— Então, Pablo... você quer ser meu namorado? Quero fazer as coisas direito agora, sabe? Sem esconder nada.
Eu não sabia o que fazer por um momento. O que eu sentia por Lucas era real, e agora ele estava ali, esperando por uma resposta. O que eu diria? Eu só olhei pra ele, meu coração acelerando, e não consegui resistir. Sorri e acenei com a cabeça.
— Sim. Sim, Lucas, eu quero. Quero ser seu namorado.
Eu nunca tinha sido tão feliz. O peso da decisão, a insegurança, a dúvida... tudo desapareceu naquele instante. O que importava era que eu estava com Lucas, e ele estava comigo. E eu sabia que, juntos, poderíamos enfrentar qualquer coisa.
A gente se abraçou, e foi como se o mundo inteiro tivesse desaparecido. Só existia ele e eu, naquele momento. Eu, finalmente, tinha encontrado alguém que me aceitava como eu era, e que sentia o mesmo por mim.
Mas logo a realidade voltou com força. Eu precisava ir embora. Eu tinha que encontrar meu pai, e, agora, a conversa com ele não parecia mais tão assustadora quanto antes. Ele já tinha me aceitado como eu sou. Então, talvez fosse hora de ser totalmente honesto com ele também.
— Eu preciso ir embora... — eu disse, ainda com o sorriso no rosto. — Meu pai deve estar me esperando.
Ele assentiu, ainda com um sorriso, e nós nos separamos, me dando um último olhar cheio de promessas silenciosas.
Eu fui para o carro, pensando no que dizer para o meu pai sobre Lucas, sobre o que tinha acontecido entre nós dois. E, ao mesmo tempo, uma sensação de alívio e felicidade tomava conta de mim. Eu sabia que tudo ia ficar bem. Eu estava finalmente sendo eu mesmo, e nada poderia ser mais libertador do que isso.