Vivo

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PEDRI

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PEDRI

Minha cabeça parecia um campo de batalha. Tudo estava confuso, a luz branca do teto me cegava, e um zumbido baixo preenchia meus ouvidos. Acordar depois de tanto tempo inconsciente era como ser jogado de volta à realidade de uma vez só. Meu corpo inteiro estava pesado, cada movimento parecia impossível. Eu tentei levantar a mão, mas um fio conectado ao meu braço me impediu.

Minhas costelas... doíam. Não era uma dor aguda, mas um peso constante, um lembrete do que tinha acontecido. Aos poucos, as memórias começaram a voltar. O jogo, o passe para Lewa, o impacto, a trave. Lembrei do som abafado do estádio, da dor insuportável que veio logo depois e... tudo apagou.

"Estou vivo", pensei, mais confuso do que aliviado.

Uma porta se abriu suavemente, tirando minha atenção dos pensamentos. Meu olhar foi até lá, ainda tentando focar. Foi quando ouvi passos pequeninos. Eles eram familiares, quase como um eco do que eu sempre ouvia pela casa. Meu coração acelerou, mas não podia me mover.

Então eu o vi.

Pablo entrou no quarto devagar, com as mãozinhas segurando firme a camiseta, como se estivesse tentando ser o mais quietinho possível. Seus olhos enormes estavam arregalados, e ele parecia menor do que nunca. Havia algo na expressão dele que me quebrou: alívio misturado com medo, como se ele não acreditasse que eu realmente estava ali, vivo.

O médico que o acompanhava parou na porta, deu um leve aceno de cabeça, e saiu, deixando a porta entreaberta.

"Papai..." ele chamou, baixinho, com a voz quebrada.

Foi naquele momento que percebi o quanto tinha sentido falta da voz dele, do jeito que ele me chamava. Meus olhos se encheram de lágrimas antes que eu pudesse evitar.

"Pablo..." consegui sussurrar, minha voz rouca e arranhada, mas a palavra saiu.

Ele ficou parado por um segundo, como se quisesse ter certeza de que era seguro. Então, seus passos aceleraram e ele veio correndo na minha direção, parando ao lado da cama.

"Você tá acordado..." Ele disse, a voz embargada. As lágrimas escorriam pelo rostinho dele, mas ele tentou sorrir.

Queria segurá-lo, abraçá-lo, mas meu corpo não me obedecia. "Tô, baixinho... tô aqui."

Ele subiu na cadeira ao lado da cama, segurando minha mão com as duas dele, tão pequenas, tão frágeis. Ele a levou até o rosto, apertando contra sua bochecha.

"Eu... eu pensei que você não ia mais voltar, papai..." Ele soluçou, e aquilo me atingiu como um soco no peito.

"Eu tô aqui agora, filho..." Foi tudo o que consegui dizer.

Ele ficou ali, segurando minha mão como se estivesse se agarrando ao mundo. Meu coração doía por ele, pelo medo que ele devia ter sentido. Eu queria poder ser forte, mostrar a ele que nada ia nos separar, mas naquele momento, a única coisa que eu podia fazer era estar presente.

Depois de um tempo, ele se acalmou, mas não soltou minha mão.

"O médico disse que você precisa descansar, papai... Eu não vou atrapalhar. Só quero ficar aqui, tá?"

Assenti, engolindo em seco para não chorar de novo. "Pode ficar, baixinho. Eu quero você aqui."

Ele se acomodou na cadeira, encostando a cabeça no colchão ao meu lado, ainda segurando minha mão. Olhei para ele e agradeci por estar vivo, por poder vê-lo de novo, por ter a chance de me recuperar e voltar a ser o pai que ele precisava.

Naquele momento, não importavam as dores, as limitações ou o longo caminho de recuperação que eu sabia que tinha pela frente. Tudo o que importava era que eu estava ali com ele, e isso era suficiente.

Fuck, i'm dad! Histórias para pegar e não largar. Descubra agora