1TP COMPLETA / 2TP COMPLETA
Uma família inesperada
Sinopse:
Narrada por Pedri, meio-campista do Barcelona, esta história desdobra-se em um dia inesquecível que muda sua vida para sempre. Durante uma vibrante partida no Camp Nou, Pedri, um jovem tal...
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O tempo passava rápido demais.
Outro dia mesmo eu estava segurando Pablo no colo, ensinando-o a chutar uma bola no quintal de casa. Agora, com 14 anos, ele já tinha quase minha altura e jogava na base do Barcelona como se tivesse nascido para aquilo.
E talvez tivesse.
Ele era talentoso, dedicado e tinha aquela paixão genuína pelo futebol que me lembrava a mim mesmo quando comecei. Era estranho vê-lo crescer tão rápido, mudando de um garotinho falante e curioso para um adolescente focado, com seus próprios sonhos e opiniões.
Eu, por outro lado, já sentia o peso da idade no corpo. Ainda jogava bem, ainda fazia diferença em campo, mas meu pique já não era o mesmo. Cada treino exigia mais recuperação, cada jogo parecia um pouco mais intenso. Eu sabia que a aposentadoria do futebol estava chegando, mas... não era uma ideia fácil de aceitar.
Naquela manhã, acordei cedo como sempre, mas não para ir treinar. O time me deu o dia de folga, e resolvi aproveitar para passar um tempo com Pablo. Ele tinha treino na base, e eu queria vê-lo jogar.
— Está pronto? — perguntei, encostado no batente da porta do quarto dele.
Pablo estava de frente para o espelho, ajeitando o cabelo. Ele revirou os olhos e sorriu.
— Você já perguntou isso três vezes, pai.
Ri, porque era verdade.
— Só quero ter certeza. Vai que o futuro craque do Barça se atrasa no próprio treino.
Ele pegou a mochila e passou por mim, batendo de leve no meu ombro.
— Isso nunca vai acontecer.
No caminho até o CT da base, conversamos sobre futebol, sobre a escola, sobre coisas do dia a dia. Ele me perguntou sobre o meu treino, e quando falei que tinha folga, olhou para mim com um sorriso malicioso.
— Velhinho.
Fiz uma careta.
— Ainda corro mais que você.
— Por enquanto.
Rimos juntos, e quando chegamos ao centro de treinamento, deixei Pablo com os treinadores e fui até a arquibancada assistir. Era surreal vê-lo ali, jogando com seriedade, com técnica, com vontade. Cada passe bem feito, cada drible, cada chute ao gol me enchia de orgulho.
Mas também me fazia pensar.
Pablo estava crescendo, seu sonho estava se tornando realidade. E o meu? O que eu faria quando não pudesse mais jogar? O futebol sempre foi tudo para mim. Como seria minha vida sem ele?
Eu não tinha uma resposta.
O treino acabou, e Pablo veio até mim, suado e sorridente.
— Jogou bem — comentei. — Mas podia ter finalizado melhor naquele último lance.
Ele riu.
— Claro que você ia reparar.
— Se você quer ser o melhor, tem que ouvir os detalhes.
Ele balançou a cabeça, ainda rindo.
— Tá bom, professor. Agora me leva pra casa, tô morrendo de fome.
No caminho de volta, ele olhou pela janela e depois para mim.
— Pai... você ainda quer continuar jogando?
Fiquei em silêncio por um momento.
— Quero. Mas sei que não vou poder por muito tempo.
Ele assentiu.
— Isso te assusta?
Suspirei, mantendo os olhos na estrada.
— Um pouco. O futebol sempre foi minha vida. Não sei como vai ser quando não puder mais jogar profissionalmente.
Pablo ficou pensativo e então disse, com a simplicidade de quem vê o mundo de um jeito mais leve:
— Mas você sempre vai ter o futebol, né? Mesmo sem jogar.
Aquelas palavras ficaram na minha cabeça pelo resto do dia.