2TP: cade o manual?

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Ter um adolescente em casa é uma experiência que deveria vir com um manual de instruções

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Ter um adolescente em casa é uma experiência que deveria vir com um manual de instruções.

Não que Pablo fosse um garoto difícil—longe disso. Ele sempre foi respeitoso, responsável e nunca nos deu grandes preocupações. Mas ainda assim... ele era um adolescente.

E adolescentes querem sair, ir para festas, ficar na rua até tarde. Querem privacidade, querem fazer coisas que a gente não sabe.

Ou que preferimos não saber.

Ana e eu estávamos enlouquecendo.

— Você acha que ele já beijou alguém? — Ana perguntou de repente, enquanto jantávamos.

Quase engasguei com a comida.

— O quê?

— O Pablo. Você acha que ele já beijou alguém?

Olhei para ela, tentando entender de onde tinha vindo aquela pergunta.

— Ana, pelo amor de Deus. O que é isso agora?

— Eu só estou curiosa!

Suspirei e olhei para o outro lado da sala, onde Pablo estava sentado no sofá, mexendo no celular, completamente alheio à nossa paranoia.

— Eu não sei. E sinceramente? Prefiro nem saber.

Ana me lançou um olhar de desgosto.

— Você é um péssimo pai.

— Sou um ótimo pai. Só não quero saber dessas coisas.

Mas a verdade? Eu já tinha pensado nisso.

Já tinha pensado nisso, já tinha imaginado mil cenários diferentes e já tinha entrado em pânico algumas vezes.

Será que ele já beijou alguém? Será que está saindo escondido? Será que já fez alguma besteira?

Será que ele usa droga?

Meu Deus.

— Você acha que ele pode estar usando droga? — perguntei, me inclinando na mesa.

Ana arregalou os olhos.

— O QUÊ?!

— Sei lá! Ele está naquela fase! Os amigos devem sair, deve ter bebida, deve ter... outras coisas!

Ela respirou fundo.

— Ele nunca deu motivo para desconfiarmos disso.

— Mas e se ele for esperto o bastante para esconder?

Ficamos em silêncio por um momento, olhando para Pablo, que continuava rindo de alguma coisa no celular.

— Você acha que ele já... você sabe... — Ana fez um gesto vago com as mãos.

Minha cabeça imediatamente explodiu.

— NÃO! PARA! NÃO QUERO FALAR SOBRE ISSO!

Ana riu.

— Você precisa encarar que ele está crescendo, amor.

— Eu sei! Mas não quer dizer que eu queira pensar sobre isso.

Ela revirou os olhos.

— E se ele engravidar alguém?

Eu congelei.

— Ana, PELO AMOR DE DEUS.

— O que foi?! Essas coisas acontecem!

— Ele só tem 14 anos!

— Sim, mas...

— NÃO TEM "MAS"!

Pablo levantou do sofá e veio até a mesa.

— O que vocês estão cochichando aí?

Ana e eu trocamos um olhar.

— Nada.

— Aham. Sei.

Ele pegou um copo d'água e voltou para o sofá.

Ficamos em silêncio por um tempo, até que Ana murmurou:

— Eu vou conversar com ele sobre proteção.

— Ana, ele só tem 14 anos.

— E você quer esperar até quando?

Suspirei, derrotado.

Criar um bebê foi fácil. Criar uma criança foi tranquilo.

Mas criar um adolescente?

Isso sim era um verdadeiro desafio.

Fuck, i'm dad! Histórias para pegar e não largar. Descubra agora