1TP COMPLETA / 2TP COMPLETA
Uma família inesperada
Sinopse:
Narrada por Pedri, meio-campista do Barcelona, esta história desdobra-se em um dia inesquecível que muda sua vida para sempre. Durante uma vibrante partida no Camp Nou, Pedri, um jovem tal...
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Ter um adolescente em casa é uma experiência que deveria vir com um manual de instruções.
Não que Pablo fosse um garoto difícil—longe disso. Ele sempre foi respeitoso, responsável e nunca nos deu grandes preocupações. Mas ainda assim... ele era um adolescente.
E adolescentes querem sair, ir para festas, ficar na rua até tarde. Querem privacidade, querem fazer coisas que a gente não sabe.
Ou que preferimos não saber.
Ana e eu estávamos enlouquecendo.
— Você acha que ele já beijou alguém? — Ana perguntou de repente, enquanto jantávamos.
Quase engasguei com a comida.
— O quê?
— O Pablo. Você acha que ele já beijou alguém?
Olhei para ela, tentando entender de onde tinha vindo aquela pergunta.
— Ana, pelo amor de Deus. O que é isso agora?
— Eu só estou curiosa!
Suspirei e olhei para o outro lado da sala, onde Pablo estava sentado no sofá, mexendo no celular, completamente alheio à nossa paranoia.
— Eu não sei. E sinceramente? Prefiro nem saber.
Ana me lançou um olhar de desgosto.
— Você é um péssimo pai.
— Sou um ótimo pai. Só não quero saber dessas coisas.
Mas a verdade? Eu já tinha pensado nisso.
Já tinha pensado nisso, já tinha imaginado mil cenários diferentes e já tinha entrado em pânico algumas vezes.
Será que ele já beijou alguém? Será que está saindo escondido? Será que já fez alguma besteira?
Será que ele usa droga?
Meu Deus.
— Você acha que ele pode estar usando droga? — perguntei, me inclinando na mesa.
Ana arregalou os olhos.
— O QUÊ?!
— Sei lá! Ele está naquela fase! Os amigos devem sair, deve ter bebida, deve ter... outras coisas!
Ela respirou fundo.
— Ele nunca deu motivo para desconfiarmos disso.
— Mas e se ele for esperto o bastante para esconder?
Ficamos em silêncio por um momento, olhando para Pablo, que continuava rindo de alguma coisa no celular.
— Você acha que ele já... você sabe... — Ana fez um gesto vago com as mãos.
Minha cabeça imediatamente explodiu.
— NÃO! PARA! NÃO QUERO FALAR SOBRE ISSO!
Ana riu.
— Você precisa encarar que ele está crescendo, amor.
— Eu sei! Mas não quer dizer que eu queira pensar sobre isso.
Ela revirou os olhos.
— E se ele engravidar alguém?
Eu congelei.
— Ana, PELO AMOR DE DEUS.
— O que foi?! Essas coisas acontecem!
— Ele só tem 14 anos!
— Sim, mas...
— NÃO TEM "MAS"!
Pablo levantou do sofá e veio até a mesa.
— O que vocês estão cochichando aí?
Ana e eu trocamos um olhar.
— Nada.
— Aham. Sei.
Ele pegou um copo d'água e voltou para o sofá.
Ficamos em silêncio por um tempo, até que Ana murmurou:
— Eu vou conversar com ele sobre proteção.
— Ana, ele só tem 14 anos.
— E você quer esperar até quando?
Suspirei, derrotado.
Criar um bebê foi fácil. Criar uma criança foi tranquilo.