2TP: herói

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PABLO

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PABLO

Dois meses. Dois meses inteiros tentando me convencer de que isso ia passar. Que era só coisa da minha cabeça. Que, se eu beijasse meninas o suficiente, se ignorasse o jeito que meu coração acelerava perto dele, ia sumir. Mas não sumiu.

Piorou.

Cada vez que Lucas me olhava daquele jeito, cada vez que ele ria e jogava a cabeça para trás, cada vez que encostava a mão no meu ombro e se inclinava para me contar alguma besteira... Meu Deus. Eu não aguentava mais.

E foi nesse momento que percebi: eu precisava contar. Precisava contar para ele.

Fiquei ensaiando por horas no quarto. Me olhando no espelho, tentando dizer as palavras sem gaguejar.

"Pai, eu gosto de meninos."
"Pai, eu gosto de meninos também."
"Pai, eu tô apaixonado pelo meu melhor amigo."

Nenhuma frase parecia certa. Mas eu sabia que, se não falasse logo, ia enlouquecer.

Então tomei coragem.

Meu coração estava disparado enquanto eu entrava na sala e encontrava ele largado no sofá, mexendo no celular.

— Pai, posso falar com você?

Ele levantou os olhos pra mim e deu de ombros.

— Fala, filho.

Respirei fundo.

— Eu... gosto de meninos também.

O silêncio que veio depois me fez querer sair correndo. Ele só ficou lá. Parado. Olhando pra mim sem piscar. Cinco segundos. Mas pareceu uma eternidade.

E então, do nada, ele gritou:

— ANA!!!

— O quê?! — minha mãe respondeu da cozinha.

— NOSSO FILHO GOSTA DE PAU!!!

Minha alma deixou meu corpo.

— PAI?!

Mas ele já tinha começado.

— Ai, Lucas... — ele colocou a mão no peito e começou a falar num tom ridiculamente afetado. — Ai, Lucas, por que você é tão lindo, Lucas... Ai, Lucas, me abraça, Lucas...

Minha mãe apareceu na porta com uma cara de quem não tava entendendo nada.

— O que tá acontecendo aqui?

— Ele gosta de PAU, Ana!

— EU GOSTO DE MENINAS TAMBÉM, CARALHO!

Mas ele só riu ainda mais.

— Mas gosta de PAU também!

— MEU DEUS, PARA!

Minha mãe deu um tapa na cabeça dele.

— Para de zoar o menino, Pedro.

— Mas amor, nosso filho beija macho!

— E daí? Você não beija macho também?

— O QUÊ?!

— O QUÊ?!

Minha mãe cruzou os braços.

— Você e Ferran já não deram selinho uma vez?

— ISSO FOI OUTRO CONTEXTO!

Eu queria evaporar dali.

— Ai, meu Deus...

Meu pai respirou fundo e finalmente parou de rir. Puxou minha cabeça para perto e bagunçou meu cabelo.

— Tô zoando, filho... Tá tudo bem. Só quis descontrair porque vi que você tava nervoso.

Olhei pra ele desconfiado.

— Sério?

— Sério. Eu te amo do jeitinho que você é.

Meu peito ficou mais leve na hora.

— Obrigado, pai.

Ele sorriu, mas logo acrescentou:

— Mas se você começar a ouvir música de sofrência por causa de macho, eu te deserd—

— PEDRI! — minha mãe gritou, e eu comecei a rir.

No fim, tudo ficou bem. Meu pai ainda era meu herói. E nada ia mudar isso.

Fuck, i'm dad! Histórias para pegar e não largar. Descubra agora