1TP COMPLETA / 2TP COMPLETA
Uma família inesperada
Sinopse:
Narrada por Pedri, meio-campista do Barcelona, esta história desdobra-se em um dia inesquecível que muda sua vida para sempre. Durante uma vibrante partida no Camp Nou, Pedri, um jovem tal...
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PEDRI
O Camp Nou nunca pareceu tão grande.
Eu já tinha jogado aqui tantas vezes. Já tinha vivido tantas noites inesquecíveis. Já tinha comemorado títulos, sofrido derrotas, marcado gols, me machucado, chorado, rido... Minha história inteira estava ali, naquele gramado, naquele escudo, naquela camisa.
Mas hoje era diferente.
Hoje era a última vez.
E hoje, mais do que qualquer outra coisa, era o primeiro jogo do Pablo.
Meu filho.
Respirei fundo no túnel, sentindo a adrenalina no corpo. Eu não ficava assim antes dos jogos há muito tempo. A experiência já me deixava calmo, confiante. Mas hoje? Hoje parecia que eu tinha 18 anos de novo e ia estrear no time principal.
Pablo estava ao meu lado, o rosto fechado, os olhos fixos na entrada do túnel, como se estivesse se segurando para não surtar. Ele sempre falava demais, sempre tagarelava sem parar, mas agora... não disse uma palavra.
Toquei no ombro dele.
"Tá nervoso, filho?"
Ele me olhou de lado, apertando a boca.
"Muito."
Sorri, apertando o ombro dele.
"Isso é bom. Significa que você se importa."
Ele assentiu, respirando fundo, e então os portões do túnel se abriram.
O barulho da torcida bateu em mim como uma onda gigante.
O estádio estava lotado. Aplaudindo. Cantando. Gritando. Por mim. Pelo Pablo. Pelo Barcelona.
E então eu pisei no gramado.
A última vez.
Pablo ao meu lado, olhando ao redor, parecendo perdido no meio da grandiosidade do momento.
Mas eu só conseguia olhar pra ele.
Meu menino.
Eu lembrava de quando ele chutou uma bola pela primeira vez. Eu lembrava dele correndo atrás de mim no quintal, tentando roubar a bola e caindo de bunda no chão. Eu lembrava dele me pedindo para levá-lo aos treinos. Dele gritando meu nome no meio da torcida, segurando a camisa do Barça que era maior que ele.
E agora ele estava aqui.
No meu time.
Na minha casa.
Meu peito apertou.
O jogo começou.
E Pablo jogou bem.
Não, ele jogou melhor que bem. Ele jogou como se tivesse nascido para isso.
E eu sabia que ele tinha.
No primeiro toque na bola, deu um passe perfeito. No segundo, driblou um adversário como se fosse a coisa mais fácil do mundo. Ele ainda estava nervoso, dava pra ver na expressão dele, mas a cada minuto no campo, ficava mais confiante, mais solto.
E eu estava jogando ao lado dele.
Tocando a bola pra ele.
Correndo ao lado dele.
E então, no segundo tempo, a oportunidade veio.
Eu recebi um passe perto da área. Um espaço pequeno, mas o suficiente. Fiz o movimento automático, sem nem pensar, um toque rápido, e passei para Pablo.
Ele chutou.
A bola voou.
O estádio inteiro prendeu a respiração.
E então...
Gol.
Gol.
Gol do Pablo.
O primeiro gol dele. No time principal. No Camp Nou.
E o último passe da minha carreira.
Ele ficou parado por um segundo, como se não acreditasse. E então, correu.
Para mim.
Antes que eu percebesse, estava com ele nos braços, girando ele no ar como fazia quando ele era criança.
O estádio explodiu.
A torcida gritava o nome dele.
Mas tudo o que eu ouvia era a voz dele, rindo no meu ouvido:
"Pai! Pai, eu fiz um gol!"
Minha garganta apertou.
"Eu vi, filho. Eu vi."
E ali, no meio de milhares de pessoas...
Eu chorei.
Porque não podia ter final mais perfeito para essa história.