Febre

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Depois de toda a confusão com Sofia a algumas semanas, Pablo vinha ainda mais grudado comigo

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Depois de toda a confusão com Sofia a algumas semanas, Pablo vinha ainda mais grudado comigo. Eu não reclamava, e nem o culpava, eu havia errado e sabia que ele precisava de mim. Dês de então ele sempre acordava na madrugada e saia de sua cama em seu quartinho só pra vir deitar comigo.

Mas hoje....

O som do despertador tocou, mas, ao invés de levantar animado para mais um dia de treino, algo estava estranho. Eu me sentia pesado, cansado, como se o ar tivesse mudado de alguma forma. Quando olhei para o lado, percebi que Gavi não estava na cama comigo.

Levantei da cama rapidamente, meu coração já começando a apertar. Fui até o quartinho dele, e, ao abrir a porta, encontrei o baixinho deitado, ainda com a coberta quase até o rosto. Ele parecia calmo, mas algo no seu silêncio me deixou inquieto.

Quando me aproximei, a preocupação se transformou em pânico. Eu sentei na beira da cama e toquei sua testa, tentando não acordá-lo abruptamente, mas ele começou a se mexer.
Gavi estava queimando de febre. Sua pele estava quente ao toque, mais quente do que deveria.

"Papai..." Ele gemeu, ainda sonolento, e logo se encolheu, abraçando o estômago com a mãozinha, uma expressão de dor no rosto.

"Oi, meu amor, como você está?" Eu perguntei, acariciando seu cabelo.

"Dói..." Ele respondeu baixinho, fazendo um biquinho e fechando os olhos novamente.

Eu sabia que a febre não era boa, e as cólicas que ele sentia me deixaram ainda mais preocupado. Minha mente começou a girar. Eu tinha treino, o time contava comigo, mas eu não poderia deixá-lo assim, sozinho, sofrendo. Gavi estava dependente de mim. E agora, mais do que nunca, eu sabia que ele precisava de mim.

Decidi ligar para o treinador. Explicar a situação era a única opção. Enquanto o telefone tocava, olhei para Gavi mais uma vez, abraçado a si mesmo, tentando se manter aquecido. Ele parecia tão frágil.

"Oi, Pedri, tudo bem?" A voz do treinador veio do outro lado.

"Bom dia, treinador... Eu não posso ir hoje." Minha voz estava um pouco embargada. "Gavi está muito doente. Com febre alta e dores fortes na barriga... Ele não está bem, então preciso ficar em casa com ele hoje."

O treinador, sempre compreensivo, foi rápido em entender. "Sem problema, Pedri. Família vem em primeiro lugar. Cuide bem do pequeno, e a gente se vê quando ele melhorar."

Agradeci rapidamente e desliguei. Agora, o mais importante era Gavi. Eu estava sozinho com ele e tinha que fazer tudo certo. Mas, honestamente, eu não fazia ideia do que fazer. Não era a primeira vez que eu estava lidando com uma criança doente, afinal já tinha cuidado dele doente uma vez, mas a sensação de incerteza me apertava o peito.

Eu sabia o que fazer quando eu estava doente — ou pelo menos achava que sabia. Mas com ele, com Gavi, tudo parecia ser diferente. Eu não tinha experiência. Não sabia qual remédio ele poderia tomar, qual era a dosagem correta para uma criança daquela idade. Era uma das primeiras vezes que eu realmente me sentia perdido como pai.

Peguei Pablo no colo, e ele se agarrou em mim, passando os bracinhos pelo meu pescoço e se encolhendo ali, o segurei em um dos braços e então fiz aquilo que eu achava ser minha única opção no momento.

Ligar para minha mãe.

Não importava o que fosse, ela sempre teria a resposta. Eu discava o número com rapidez, quase como um reflexo, e, logo, ouvi a voz dela do outro lado da linha.

"Oi, mãe..." Eu disse, tentando esconder a tensão na minha voz. "Gavi está muito doente. Tem febre e cólicas fortes. Não sei o que fazer, mãe. Não sei que remédio dar, não sei como cuidar dele. Me ajuda, por favor."

"Calma, filho. Você está fazendo a coisa certa em ficar com ele. Vou te ajudar, não se preocupe. Agora, escuta..." Minha mãe começou a me guiar, explicando os remédios e as doses. Ela me pediu para não dar remédios de adulto, e me orientou sobre como dar o remédio específico para crianças.

Enquanto falávamos, Pablo continuava manhoso e grudado em mim, quase como se não conseguisse ficar longe. Cada vez que eu tentava me mover, ele se agarrava mais forte, como se temesse que eu o deixasse. Eu o levava para o sofá, tentava oferecer líquidos para ajudar a baixar a febre, mas ele queria mais era estar perto de mim o tempo todo.

A febre não baixava imediatamente, e ele estava desconfortável. Eu não conseguia fazer ele se sentir melhor. Cada vez que ele se mexia com dor, meu coração apertava, e eu sentia que a culpa era minha por não saber como aliviar o sofrimento dele.

Fiquei o dia inteiro ao lado dele. Quando ele dormia um pouco, eu ficava vigiando, sem conseguir tirar nem um segundo pra descansar de tanta preocupação. Quando ele acordava chorando, eu o abraçava, tentando dar consolo e cuidado.

Eu aprendi mais sobre paternidade naquele dia do que em todos os outros dias da minha vida. Não era sobre ter todas as respostas. Era sobre estar lá, fazendo o possível para proteger, para cuidar. Porque nada, absolutamente nada, era mais importante para mim naquele momento do que cuidar do meu filho.

Fuck, i'm dad! Histórias para pegar e não largar. Descubra agora