1TP COMPLETA / 2TP COMPLETA
Uma família inesperada
Sinopse:
Narrada por Pedri, meio-campista do Barcelona, esta história desdobra-se em um dia inesquecível que muda sua vida para sempre. Durante uma vibrante partida no Camp Nou, Pedri, um jovem tal...
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Hoje era o dia.
O dia de apresentar Lucas oficialmente para os meus pais. Meu namorado. Meu. Namorado.
Era estranho dizer isso em voz alta, mas dentro da minha cabeça a palavra ficava ecoando o tempo todo.
Eu já tinha contado pro meu pai, e ele tinha aceitado do jeito dele, claro, me zoando como se eu fosse um moleque de quinta série. Mas agora era diferente. Agora era oficial. Ele ia conhecer Lucas de verdade, como meu namorado, e não só como um amigo da escola que às vezes ia lá em casa jogar videogame e comer besteira.
E se meu pai fizesse algum comentário ridículo? E se ele tentasse intimidar Lucas? E se ele fizesse alguma piada idiota e Lucas nunca mais quisesse olhar na cara dele?
Esses pensamentos estavam me deixando maluco.
Eu tinha combinado de levar Lucas pra jantar em casa. Minha mãe disse que ia cozinhar algo especial, e meu pai... bem, ele não falou nada. Só fez aquele sorrisinho que sempre fazia quando estava tramando alguma coisa.
E isso me assustava.
Quando Lucas chegou, eu já estava ansioso o bastante pra morrer. Ele estava lindo. Nem tinha feito nada demais, mas o jeito que ele colocou aquela camisa jeans meio dobrada nas mangas e arrumou o cabelo de um jeito um pouco mais arrumado que o normal fez meu coração bater forte.
— Você tá bonito. — soltei sem pensar.
Ele sorriu de lado, um pouco sem graça.
— Obrigado, Pablo. Você também tá.
— Para, eu tô normal.
— Você nunca tá normal. Tá sempre... você.
Que inferno. Eu amava esse menino.
Respirei fundo antes de entrar em casa com ele. Minha mãe estava na cozinha, terminando de preparar o jantar, e meu pai estava na sala, sentado no sofá como se fosse um juiz pronto pra começar um julgamento.
— Então, você que é o famoso Lucas... — meu pai começou, cruzando os braços.
Lucas sorriu, sempre educado.
— Sim, senhor. É um prazer conhecer o senhor.
Senhor? Ele chamou meu pai de senhor? Meu Deus, que formalidade foi essa?
Meu pai pareceu gostar. Levantou uma sobrancelha e olhou pra mim, como se dissesse bom garoto.
Mas foi aí que começou o interrogatório.
— Você gosta do quê? Futebol?
— Sim, gosto bastante.
— Barcelona?
— Sim, claro.
— Ótimo. Pelo menos você não tem mau gosto.
Revirei os olhos.
— Pai...
— Quantos anos você tem mesmo?
— dezesseis, senhor.
— Hum. E quais são as suas intenções com o meu filho?
MEU. DEUS.
— Pai! — quase gritei, a vergonha queimando meu rosto.
Lucas, pra minha surpresa, não pareceu intimidado. Ele apenas sorriu.
— Minhas intenções são as melhores possíveis. Eu gosto muito do Pablo.
Meu pai estreitou os olhos, como se estivesse analisando cada palavra dele.
— Hm... e você já namorou antes?
— Já, sim.
— Garotas?
Lucas hesitou por meio segundo.
— Garotos também.
Eu prendi a respiração.
Meu pai ficou quieto por um instante, e então soltou um assobio, balançando a cabeça.
— Bom, pelo menos meu filho não foi sua primeira cobaia.
— PAI!
Lucas riu. Minha mãe gritou um "PEDRI!" da cozinha.
Meu pai deu de ombros.
— O que foi? Só quero ter certeza de que ele sabe o que tá fazendo. Não quero que meu filho tenha o coração partido por um moleque qualquer.
Lucas olhou diretamente nos olhos do meu pai, sério dessa vez.
— Eu jamais machucaria o Pablo.
Aquilo me pegou de surpresa.
Meu pai ficou em silêncio por um momento, como se estivesse avaliando a sinceridade de Lucas. Então, para minha completa surpresa, ele sorriu e se levantou.
— Bom, acho que já é um bom começo.
Ele bateu de leve no ombro de Lucas antes de ir até a cozinha, provavelmente pra encher minha mãe de comentários desnecessários.
Lucas me olhou com um sorriso divertido.
— Isso foi... intenso.
— Desculpa. Eu avisei que ele era um idiota.
— Ele só se preocupa com você. — Lucas deu de ombros. — Eu entendo.
Eu suspirei, aliviado.
— Você ainda quer ficar pra jantar?
— Claro. Seu pai não me assusta tanto assim.
Eu sorri.
Lucas era incrível. E agora, finalmente, ele fazia parte da minha vida de verdade.