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Uma família inesperada
Sinopse:
Narrada por Pedri, meio-campista do Barcelona, esta história desdobra-se em um dia inesquecível que muda sua vida para sempre. Durante uma vibrante partida no Camp Nou, Pedri, um jovem tal...
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PABLO DOIS ANOS DEPOIS
Três semanas.
Eu não conseguia pensar em outra coisa. O tempo estava se arrastando de uma forma insuportável. Cada dia parecia mais longo do que o anterior, e a ansiedade estava me corroendo por dentro. Eu já tinha 16 anos agora, e a única coisa que eu mais queria na vida era fazer história, não só no Barcelona, mas também em casa. Eu queria ver o orgulho nos olhos do meu pai, sentir aquele abraço apertado dele depois de um jogo importante, saber que, finalmente, eu tinha conseguido.
Mas... e se eu não fosse bom o suficiente?
E se eu falhasse?
E se meu pai ficasse decepcionado comigo?
A ideia me deixava tenso, sem saber como lidar com esse turbilhão de emoções. Eu estava no meu quarto, sozinho, olhando para o teto, tentando respirar fundo, mas a respiração parecia pesada e difícil. Como eu ia lidar com tudo isso? Eu ia jogar com o Barcelona, o time dos meus sonhos. Ia jogar com o meu pai. E o pior de tudo, ainda não tinha treinado com eles. A expectativa estava me deixando pirado.
Eu estava quase passando mal de tanto nervoso.
Foi então que meu celular vibrou na mesa ao lado da minha cama.
Lucas.
Eu quase ri. Como ele sempre sabia o que estava acontecendo na minha cabeça?
Abri a mensagem dele.
"Respira, idiota."
Eu respirei fundo, tentando me acalmar, mas a sensação de estar prestes a explodir só aumentava. Então, comecei a escrever de volta, sem nem pensar direito.
"Eu não sei se vou conseguir. O que se eu for uma decepção? E se meu pai não ficar orgulhoso de mim?"
Demorou um segundo até Lucas responder. Eu sabia que ele estava lendo e pensando antes de digitar. Ele sempre fazia isso, e eu gostava disso. Ele nunca respondia no impulso, sempre tentava entender o que eu estava sentindo.
"Não se preocupa."
Eu franzi a testa. Ele não podia estar falando sério. Eu estava praticamente surtando.
"Amor, Seu pai é o seu maior fã. Se você errar o passe mais ridículo da história, se você chutar a bola na sua própria cara, se você cair de bunda no chão sozinho... o seu pai vai estar batendo palmas e gritando que você é o garoto dele da forma mais exagerada e orgulhosa possível."
Eu ri baixinho, mas o nervoso ainda estava lá, me engolindo por dentro.
"Você acha?" mandei de volta.
"Tenho certeza."
Lucas sabia como me acalmar, mesmo quando eu estava prestes a explodir. Ele sabia do que eu precisava ouvir. E me senti mais leve, só de saber que ele estava ao meu lado.
"Eu não posso falhar, Lucas."
"Você não vai falhar. Você é incrível, Pablo. Já chegou até aqui. O resto é só um passo a mais."
A resposta dele fez meu peito inchar. Ele tinha razão. Eu cheguei até aqui, e eu sabia o que estava fazendo. Eu estava preparado. Mesmo que os nervos ainda tivessem um aperto, eu sabia que não podia deixar isso me consumir.
Eu deitei na cama, olhando para o teto, tentando relaxar um pouco mais. Eu estava prestes a jogar no mesmo campo que meu pai, no time da vida dele, e isso ia ser um marco na minha vida. Ele me dizia o tempo todo que tinha orgulho de mim, mas eu queria mostrar a ele que eu era digno desse orgulho.
Lucas tinha razão. Ele sempre sabia o que dizer para me fazer sentir que tudo ia ficar bem. Eu só precisava respirar.
E, no final das contas, mesmo com todas as dúvidas, o nervosismo, as perguntas que ainda me martelavam, eu sabia que, independentemente do que acontecesse, meu pai estaria lá. Ele sempre estaria lá, batendo palmas e gritando meu nome com orgulho. Mesmo que eu tropeçasse, mesmo que eu errasse, ele nunca ia deixar de me apoiar.