Onde ele foi parar?

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Depois de tudo o que aconteceu nos últimos dias, ficou claro que Pablo precisava de mais atenção do que nunca

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Depois de tudo o que aconteceu nos últimos dias, ficou claro que Pablo precisava de mais atenção do que nunca. A cena no treino, o medo, os olhos marejados, o desespero de perder o lugar que conquistou no meu coração... Eu sabia que precisava fazer algo para mudar o foco, para distrair o meu baixinho.

Então, naquela manhã, enquanto tomávamos café da manhã juntos, uma ideia me veio à mente: levar Gavi ao shopping. Era um plano simples — talvez até arriscado, considerando como ele podia ser imprevisível — mas eu estava confiante.

Quando chegamos ao shopping, o pequeno entrou com os olhos arregalados e brilhando, como se estivesse descobrindo um novo mundo. A cada vitrine, ele soltava um "uau" ou apontava algo com curiosidade, o que me arrancava um sorriso inevitável.

"Papai, olha isso!" ele exclamou pela quinta vez em cinco minutos, correndo para uma loja de brinquedos.

"Calma, baixinho! Vamos com calma, você tem o dia todo!"

Entramos na loja, e Pablo parecia um furacão. Ele corria entre os corredores, pegando tudo o que achava interessante e me mostrando com entusiasmo. Eu não conseguia dizer não para aquele sorriso. Peguei um carrinho, e em poucos minutos ele estava cheio de brinquedos e algumas roupas novas.

Enquanto eu pagava por tudo no caixa, Pablo começou a puxar a barra da minha camisa.

"Papai, papai, olha lá!" Ele apontava para um quiosque próximo.

Olhei na direção e vi um carrinho de sorvetes. Ele olhava com tanta vontade que foi impossível resistir.

"Tá bom, Gavi. Vai até lá escolher o seu sorvete. Eu já vou, tá?"

Ele sorriu e correu animado na direção do carrinho. Continuei no caixa, mas mantive um olho nele. Porém, bastou um momento de distração — enquanto pegava o troco — para perceber que ele não estava mais lá.

Meu coração parou.

"Gavi?" chamei, virando rapidamente para o lado onde ele estava. Nada.

Deixei as sacolas no balcão e comecei a andar pelo corredor, procurando desesperadamente. "Pablo! Gavi!"

Meu peito estava apertado, e cada segundo parecia uma eternidade. Ele era tão pequeno, e o shopping estava cheio de gente. Mil cenários começaram a passar pela minha cabeça.

"Calma, Pedri. Ele não pode ter ido longe..." murmurei para mim mesmo, tentando manter a calma, mas minha voz traía o pânico crescente.

Passei por algumas lojas, perguntando para os funcionários se tinham visto um garotinho de cabelos castanhos e olhos enormes. Ninguém sabia de nada. Meu coração estava a mil.

Então, virei uma esquina e o vi.

Ele estava parado na frente de uma loja de bichinhos de pelúcia, com um ursinho maior que ele nos braços.

"Pablo!" chamei, correndo até ele.

Ele me olhou com um sorriso culpado, como se soubesse que tinha feito algo errado, mas ao mesmo tempo parecia confuso com meu desespero.

"Papai, olha! Ele é fofinho!" disse, apertando o ursinho contra o rosto.

Eu me abaixei na frente dele, pegando-o nos braços e segurando firme, sentindo um alívio indescritível.

"Pablo, você não pode sair correndo assim, entendeu? Eu fiquei muito preocupado."

Ele me olhou com aqueles olhos grandes e inocentes, e respondeu baixinho: "Desculpa, papai..."

Suspirei, passando a mão pelo cabelo dele. "Tá tudo bem, baixinho. Mas você tem que ficar perto de mim, tá? Sempre."

"Tá bom..."

Ele apertou o ursinho novamente e me olhou como se perguntasse sem palavras se podia levar o brinquedo. Como eu poderia negar depois de quase perder ele de vista? Peguei o ursinho, paguei rapidamente, e saímos da loja.

Paramos no carrinho de sorvete, e ele escolheu um de morango com chocolate. Sentamos juntos no banco mais próximo enquanto ele lambia o sorvete e eu ainda tentava me acalmar.

"Você é muito rápido, sabia disso?" brinquei, tentando aliviar a tensão.

Ele deu um sorriso com a boca cheia de sorvete. "Você também corre rápido, papai."

Balancei a cabeça, rindo. Mesmo depois de um susto como aquele, ele tinha uma capacidade única de me desarmar completamente.

Quando voltamos para casa, ele não largou o ursinho novo nem por um segundo. E eu não larguei ele. Depois de tudo, prometi a mim mesmo que o manteria ainda mais perto, porque perder Gavi — mesmo por alguns minutos — era a pior sensação do mundo.

Fuck, i'm dad! Histórias para pegar e não largar. Descubra agora