1TP COMPLETA / 2TP COMPLETA
Uma família inesperada
Sinopse:
Narrada por Pedri, meio-campista do Barcelona, esta história desdobra-se em um dia inesquecível que muda sua vida para sempre. Durante uma vibrante partida no Camp Nou, Pedri, um jovem tal...
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A campainha tocou cedo, e eu já estava me preparando para uma manhã tranquila com Pablo. Era uma das poucas coisas que conseguia fazer enquanto ainda estava em recuperação: apenas estar presente. Fui até a porta, ainda meio devagar, sentindo as costelas latejarem um pouco. Quando abri, encontrei Ferran Torres parado ali, com um sorriso largo e um saco de doces na mão.
"Surpresa!", ele disse, entrando sem esperar convite.
"Ferran, o que você tá fazendo aqui tão cedo?" perguntei, fechando a porta.
"Vim passar o dia com o baixinho. Achei que você podia precisar de uma folga. Ou pelo menos de uma mãozinha." Ele olhou por cima do meu ombro, como se procurasse alguém. "Cadê o rei da casa?"
Antes que eu pudesse responder, Pablo apareceu na sala, segurando um dos carrinhos que ele sempre gostava de brincar. Quando viu Ferran, os olhos dele se iluminaram.
"Tio Ferran!" ele gritou, correndo para abraçá-lo.
Ferran abaixou-se, ajoelhando-se para receber o abraço do pequeno.
E assim começou o dia. Ferran parecia ter vindo com o único objetivo de entreter Pablo e, de quebra, garantir que eu descansasse um pouco. Ele se sentou no chão com o baixinho, ajudando a montar pistas de carrinho, improvisando histórias malucas para os personagens de brinquedo e até deixando Pablo "pentear" seu cabelo com uma escova de brinquedo.
"Você tá parecendo um príncipe, tio Ferran", Pablo disse, rindo enquanto bagunçava ainda mais o cabelo dele.
"Um príncipe meio desarrumado, né?" eu comentei, rindo baixo.
Enquanto os dois brincavam, Ferran olhou para mim e disse: "Vai descansar, cara. Eu seguro a barra aqui."
"Não tô tão quebrado assim", respondi, mas me sentei no sofá mesmo assim, aproveitando a chance de esticar as pernas.
A manhã passou rápido com Ferran transformando a sala de estar em uma zona de brincadeiras. Eles brincaram de pique-esconde – Pablo rindo alto toda vez que Ferran fazia um drama ao encontrá-lo – e depois de uma longa sessão de colorir, Ferran sugeriu que fossem para o quintal.
"Tá sol lá fora, bora correr um pouco!" ele disse.
"Eu não corro", Pablo respondeu sério, cruzando os bracinhos.
"Ah, é? Então o que você faz?" Ferran perguntou, fingindo estar intrigado.
"Eu corro só se for pra ganhar!"
E, com isso, os dois foram para o quintal. Pablo corria, tropeçava e ria enquanto Ferran o deixava ganhar todas as vezes.
Na hora do almoço, Ferran ajudou a colocar a mesa e até insistiu em fazer um macarrão. "Você já cozinha demais. Hoje é minha vez", ele disse, tirando as panelas do armário.
Pablo ficou ao lado dele o tempo todo, entregando ingredientes e perguntando tudo sobre o que ele fazia. "Tio Ferran, você sabe cozinhar igual o papai?"
"Claro que sei! Talvez até melhor", Ferran disse, piscando para mim.
"Duvido", Pablo respondeu com um sorriso travesso.
Depois do almoço, Ferran continuou no comando, levando Pablo para o quarto para arrumar os brinquedos. "Agora, soldado, precisamos colocar tudo em ordem. Não queremos que seu pai tropece, certo?"
"Certo!" Pablo respondeu, imitando um soldado marchando.
Mais tarde, quando o sol começou a se pôr, os dois voltaram para a sala. Pablo já estava com as bochechas coradas de tanto brincar, mas ainda não parecia cansado. Ferran se jogou no sofá, exausto, enquanto Pablo subia no colo dele com um livro na mão.
"Lê pra mim?" ele pediu, olhando para Ferran com aqueles olhos enormes.
Ferran olhou para mim, claramente querendo dizer algo como "esse menino nunca cansa", mas pegou o livro mesmo assim.
Enquanto Ferran lia, a voz cheia de animação, percebi o quanto Pablo estava feliz. Ele ria das vozes engraçadas que Ferran fazia, mexendo nas páginas como se quisesse ajudar a contar a história.
No final do dia, quando Ferran finalmente decidiu ir embora, Pablo o abraçou forte, segurando-o como se não quisesse deixá-lo ir.
"Você vai voltar amanhã?" ele perguntou, olhando para Ferran com um olhar esperançoso.
"Não amanhã, mas logo, prometo."
Pablo assentiu, mas ainda parecia relutante em soltá-lo. Quando Ferran saiu, ele virou para mim e disse: "Tio Ferran é legal, papai. Mas você é mais legal."
"Ah, é? E por quê?"
"Porque você faz o melhor macarrão do mundo!"
Ri, puxando-o para perto e bagunçando seu cabelo. Foi um dia agitado, mas ver Pablo tão feliz me fez perceber o quanto ele era cercado de amor. Ferran tinha sido um herói naquele dia.