2TP: confusão

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PABLO

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PABLO

Eu estava encostado na parede dos fundos da escola, esperando meu pai chegar para me pegar. A escola tinha liberado os alunos mais cedo hoje, então tinha um bom tempo até ele chegar. Eu poderia ir direto para casa, mas, no fundo, eu queria aproveitar aquele tempo, não sabia bem o quê, só... queria fugir um pouco da rotina.

Eu estava ali, sozinho no início, quando meu amigo apareceu. Ele sorriu para mim de longe e veio caminhando devagar, com aquele olhar travesso. O tipo de olhar que, na escola, ninguém realmente entende direito, mas que todo mundo sabe o que significa.

– E aí, Pablo, como é que tá? – ele perguntou, se aproximando e se encostando na parede ao meu lado.

– Beleza, e você? – respondi sem muito entusiasmo, mas ao mesmo tempo com um sorriso meio sem jeito, como se estivéssemos tentando manter as aparências de amizade normal, embora o que estivesse acontecendo entre nós não fosse normal.

Ele me deu um daqueles sorrisos cúmplices, o tipo de sorriso que, se alguém visse, teria muitas perguntas a fazer, mas que a gente ficava ali, tentando manter em segredo.

A gente sempre estava nessa. Mas hoje, não sei por quê, senti que o ambiente estava um pouco diferente. Era só eu e ele ali, no canto mais isolado da escola, longe do olhar de todo mundo. Não era a primeira vez que a gente se encontrava assim, mas hoje havia algo a mais no ar. Algo que eu não conseguia explicar, algo que fazia meu coração bater um pouco mais rápido.

Ele se aproximou mais de mim, tão perto que eu podia sentir o cheiro dele. E foi como se tudo tivesse desacelerado naquele momento. Não sei por que, mas a sensação de estar tão perto de alguém, de uma forma que ninguém mais sabia, fez meu corpo ficar tenso.

Nosso olhar se encontrou por alguns segundos, e foi como se um silêncio tivesse se instaurado entre nós. Eu não sabia o que fazer. Eu não sabia se devia afastar ou simplesmente... deixar acontecer. Não era o tipo de coisa que eu tinha aprendido a fazer ou que me ensinaram a fazer. Era só... algo que acontecia. Algo que eu sentia que fazia parte de mim, mas ao mesmo tempo me deixava confuso.

– Só mais um, pode ser? – ele perguntou, o tom de voz agora mais suave, mais seguro.

E antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ele já estava me beijando.

Não foi como os outros beijos, os de sempre, os rápidos, os sem grandes emoções. Esse foi diferente. Esse foi mais intenso, mais carregado de algo. Não sei o que era, mas parecia... maior, como se tivesse mais significado do que qualquer outro.

Depois que nos afastamos, não houve muita conversa. Não precisava de mais palavras, nem explicações. Apenas olhei para ele, com os olhos meio perdidos, tentando entender o que tinha acabado de acontecer. O que aquilo significava.

– Então, o que vai ser? – ele perguntou, com um sorriso debochado no rosto.

Eu não sabia o que responder. Não sabia o que ele queria ouvir de mim. Eu não queria dizer nada que fosse mudar as coisas, mas também não queria mentir. Não sabia mais onde começava a linha entre o que eu queria e o que eu deveria fazer.

– Não sei, cara. – Foi o que saiu da minha boca, mas nem eu acreditava nas minhas próprias palavras. Eu não sabia nada, na verdade. Tudo estava uma bagunça na minha cabeça.

Eu sabia o que ele estava me pedindo, e talvez fosse só mais uma dessas coisas que fazíamos, algo passageiro, uma brincadeira. Mas o meu coração batia de um jeito estranho, como se o que eu estivesse fazendo não fosse mais apenas uma brincadeira. Como se tivesse algo a mais nisso. Algo que eu não entendia, algo que eu estava começando a temer.

A gente ficou ali, por mais alguns minutos, sem dizer nada. A escola já tinha praticamente se esvaziado, mas eu ainda sentia o peso do que acontecera, sem saber muito bem o que fazer com aquilo.

– Acho melhor você ir, né? – Ele falou finalmente, quebrando o silêncio que nos envolvia.

Eu só assenti, e com um movimento automático, virei as costas e fui em direção ao portão da escola. Queria sair dali, queria fugir daquela sensação de confusão. Queria sair daquilo tudo, de todas as perguntas e de todas as dúvidas que estavam surgindo.

Mas enquanto eu caminhava em direção ao portão, não consegui deixar de olhar para trás. Ele estava lá, ainda apoiado na parede, me observando com aquele olhar. E, mais uma vez, o medo de não saber o que estava acontecendo comigo se intensificou.

Era mais uma coisa que eu não sabia como lidar. Mais uma coisa que não sabia como explicar.

Naquele momento, senti como se estivesse vivendo em um mundo à parte, um mundo onde ninguém mais me entendia, onde as respostas estavam em constante mudança e eu não sabia como fazer parte disso. Não sabia o que estava acontecendo com o meu corpo, com meus sentimentos, com a minha cabeça. Tudo estava se misturando, e eu não sabia se estava preparado para lidar com isso.

Eu queria falar com alguém, mas quem? Minha mãe? Não, eu tinha medo dela não entender. Meu pai? Impossível. Eles sempre foram os pais perfeitos, e eu não queria decepcioná-los. Então, fiquei com isso para mim.

Só eu e minha bagunçada cabeça. E o medo de me perder ainda mais.

Fuck, i'm dad! Histórias para pegar e não largar. Descubra agora