Vacina

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A manhã começou tranquila, mas eu sabia que o dia tinha uma missão difícil: levar Pablo para tomar vacina

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A manhã começou tranquila, mas eu sabia que o dia tinha uma missão difícil: levar Pablo para tomar vacina. Era um daqueles compromissos que qualquer pai sabe que não será fácil, mas é necessário.

Enquanto preparava o café da manhã, Gavi estava sentado à mesa, balançando as perninhas, completamente alheio ao que estava por vir.

"Vamos sair depois do café, meu amor. Temos que ir ao médico hoje."

Ele parou de mastigar seu pão e me olhou curioso, com a cabeça inclinada para o lado.

"Por quê, papai? Eu tô bem."

"Eu sei que você tá bem, baixinho. Mas é só pra tomar uma vacina, pra te deixar ainda mais forte."

Ele piscou algumas vezes, tentando processar a informação.

"Vacina? Igual o pingo? Pingo tem vacina também."

Eu ri, lembrando do dia em que levamos o cachorro ao veterinário.

"Isso mesmo. Igualzinho ao Pingo. Mas é rapidinho, e papai vai estar lá com você o tempo todo."

Ele assentiu, meio desconfiado, mas não disse mais nada.

Ao chegarmos ao posto de saúde, Gavi parecia tranquilo. Ele segurava minha mão e olhava ao redor, curioso com as pessoas na sala de espera e com as crianças que, como ele, estavam ali para tomar vacina.

"Papai, tem outra criança chorando ali..." ele sussurrou, apontando discretamente.

"Tá vendo? É porque ela não tem um papai como eu pra segurar a mão dela e ajudar. Você é muito corajoso, meu amor."

Ele sorriu, parecendo orgulhoso, mas ainda observava a criança chorando, pensativo.

Quando chamaram o nome dele, levantei com ele no colo e seguimos para a sala de vacinação.

No início, ele estava tranquilo, sentado no meu colo enquanto eu conversava com a enfermeira. Ela foi super gentil, explicou que seria rápido e que ele só sentiria uma picadinha.

"Picadinha?" ele perguntou, olhando para ela com seus olhos curiosos.

"Isso mesmo, só uma picadinha no braço. Você é forte, né?"

Ele assentiu com um sorriso tímido. Mas quando a enfermeira mostrou a agulha, tudo mudou.

"Papai... papai... eu não quero a picadinha..."

Ele começou a se mexer no meu colo, os olhinhos enchendo de lágrimas, mas sem gritar nem fazer birra.

"Ei, ei, calma, meu amor," sussurrei, segurando-o firme. "Olha pra mim, tá? Papai tá aqui. Vai ser rápido, e depois a gente vai comprar um sorvete. Você quer sorvete, não quer?"

Ele fungou, ainda encarando a agulha com receio, mas finalmente assentiu.

"Tá bom, papai..."

Ele virou o rostinho pra mim, apertou meu braço com as mãozinhas pequenas e ficou ali, segurando firme enquanto a enfermeira fazia seu trabalho.

Quando a agulha entrou, ele deu um gemidinho, mas não se mexeu. Assim que acabou, ele começou a chorar baixinho, mas logo levantou o bracinho para me mostrar.

"Olha, papai... já acabou..."

"Acabou, meu amor! Você foi tão corajoso! Eu tô muito orgulhoso de você."

Eu o abracei forte, enchendo suas bochechas de beijos, e ele começou a rir no meio das lágrimas.

Já no carro, enquanto ele mordiscava um biscoito que eu tinha levado, pensei em como a minha mãe ficaria orgulhosa ao saber como Gavi foi corajoso. Peguei o celular e olhei pra ele.

"Gavi, vamos gravar um vídeo pra vovó? Pra contar pra ela que você tomou vacina?"

Ele assentiu, animado, e ajeitou o cinto de segurança, tentando parecer sério. Liguei a câmera e comecei.

"Oi, vovó! Adivinha quem tomou vacina hoje?"

Apontei a câmera para ele, que sorriu, segurando o braço onde tinha tomado a injeção.

"Eu, vovó!"

"E a picadinha não doeu, né, Pablo?" eu provoquei, piscando para ele.

Ele olhou para mim e depois para a câmera, ainda sorrindo. Mas, de repente, franziu a testa, cruzou os bracinhos e disse:

"Doeu sim, papai. Você falou que não ia doer, mas doeu."

Eu comecei a rir alto, desligando o vídeo e balançando a cabeça.

"Ah, seu danadinho! Tá me entregando pra vovó agora?"

Ele sorriu travesso, mostrando a língua.

De volta em casa, ele estava de bom humor, mostrando para Pingo o adesivo que ganhou na vacinação e me pedindo sorvete de novo, como prometido.

"Papai, você vai tomar vacina também?" ele perguntou de repente, me encarando com seus grandes olhos curiosos.

"Eu já tomei, meu amor. Papai já é forte. Agora foi a sua vez de ficar mais forte."

Ele sorriu, me abraçando e sussurrando:

"Eu sou forte porque você tá comigo, papai."

Aquele momento foi mais doce do que qualquer sorvete que eu poderia comprar para ele.

Fuck, i'm dad! Histórias para pegar e não largar. Descubra agora