1TP COMPLETA / 2TP COMPLETA
Uma família inesperada
Sinopse:
Narrada por Pedri, meio-campista do Barcelona, esta história desdobra-se em um dia inesquecível que muda sua vida para sempre. Durante uma vibrante partida no Camp Nou, Pedri, um jovem tal...
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Os dias seguintes foram um alívio. Pablo tinha melhorado rápido, ainda bem. No dia seguinte àquele em que ficou mal, ele ainda estava um pouco manhoso, mas não sentia mais dor. No outro, já era o mesmo Gavi de sempre: correndo pela casa, pulando nos sofás, e me chamando a cada cinco minutos para brincar com ele. Ver seu sorriso de novo era como um peso saindo dos meus ombros.
Mas, claro, a tranquilidade nunca dura muito. Nem mesmo para mim.
Na manhã daquele dia, enquanto eu tomava café da manhã com Gavi sentado na sua cadeirinha ao meu lado, recebi uma mensagem no grupo do time. Era uma montagem de uma manchete com o meu rosto e uma mulher aleatória ao lado, acompanhada do título: "Pedri em um novo romance? Jogador do Barcelona é flagrado com companhia misteriosa!"
Os jogadores, claro, não perderam a oportunidade de me zoar. Ferran mandou uma mensagem dizendo: "Eita, finalmente o Pedrito cresceu e arrumou uma namorada!" Outros apenas enviaram risadas e emojis de aliança. Enquanto eu lia tudo aquilo, Gavi estava distraído com o iogurte que eu tinha dado para ele.
Era só o que me faltava. Eu sabia que essas coisas eram normais, que os rumores surgem do nada, mas aquilo era totalmente falso. Não havia mulher nenhuma. Desde aquela situação horrível com a última que apresentei ao Gavi, eu tinha colocado uma barreira ainda maior entre minha vida pessoal e o mundo exterior. Minha prioridade era ele, e só ele.
"Papai, o que foi?" Gavi perguntou, percebendo que eu estava muito tempo olhando para o celular.
"Nada, meu amor. Só uns tios do time sendo bobos." Sorri para ele, bagunçando seu cabelo enquanto ele ria.
O plano era simples: ignorar o rumor e seguir o dia. Afinal, eu tinha treino e Gavi estava animado porque iria comigo. Arrumei ele com o uniforme pequenininho do time, que ele amava, e fomos para o centro de treinamento.
Mas, claro, as zoações continuaram assim que cheguei lá. Assim que pisei no vestiário, Ferran começou:
"Olha ele aí! E então, Pedri? Quem é a sortuda? Vai nos apresentar?"
"Deixa o cara, Ferran. Ele já tá cansado do trabalho duplo de ser pai e agora namorado," brincou Ansu, arrancando gargalhadas de todos.
Eu só revirei os olhos, fingindo que não me importava, mas sentindo a irritação crescendo. Eu sabia que era tudo brincadeira, mas não queria que Gavi ouvisse aquilo.
E ele ouviu.
Estávamos no campo quando percebi que Gavi estava muito quieto. Normalmente, ele ficava correndo atrás da bola ou torcendo por mim e pelos outros jogadores, mas agora estava sentado no gramado, olhando para mim com olhos grandes e cheios de preocupação.
"Gavi, o que foi, baixinho?" Perguntei, abaixando para ficar na altura dele.
Ele demorou um segundo, mas então veio correndo para os meus braços e se agarrou ao meu pescoço com tanta força que me pegou de surpresa.
"Papai... Você não vai arrumar uma namorada, né?" Ele perguntou, a voz quebrada e insegura.
"Por que você tá perguntando isso, meu amor?"
"Porque as namoradas não são legais comigo..." Ele respondeu, e de repente começou a chorar, agarrado ao meu ombro. "Elas não gostam de mim, papai. Não arruma outra, por favor!"
Meu coração quebrou no mesmo instante. As memórias da última mulher que trouxe para perto dele vieram à tona. Aquela sensação de culpa voltou com tudo. Como eu pude expor meu filho àquilo?
"Shh, calma, meu baixinho," eu disse, apertando ele contra mim. "Ninguém vai te fazer mal. Eu prometo. Não tem nenhuma namorada, viu? Essas pessoas estão inventando coisas. Não precisa se preocupar com isso."
Ele continuou chorando, soluçando entre as palavras: "Eu só quero você, papai..."
Eu fiquei ali no gramado, segurando ele nos braços, ignorando os olhares curiosos dos outros jogadores e até mesmo os cochichos. Eu não me importava. O que importava era ele, o meu Gavi, que estava se sentindo inseguro e com medo de ser deixado de lado.
Aos poucos, ele se acalmou, mas não soltou meu pescoço nem por um segundo. Passei o restante do treino com ele por perto, até mesmo quando estava correndo ou fazendo exercícios. Ele ficava sentado no canto, me observando como se estivesse garantindo que eu não iria a lugar nenhum.
Naquele dia, enquanto voltávamos para casa, Gavi adormeceu no caminho, e eu olhei para ele pelo retrovisor. Mesmo dormindo sentado no banco do passageiro preso ao cinto de segurança. ele segurava a barra da minha camisa, como se quisesse garantir que eu continuaria ali.