2TP: inseguro

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PABLO

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PABLO

Assim que entrei no meu quarto, bati a porta atrás de mim e fui direto para a cama, me jogando no meio dos travesseiros. Enfiei o rosto neles, sentindo meu coração bater rápido demais.

Que conversa terrível.

Eu sabia que uma hora ou outra isso ia acontecer. Todo adolescente passa por isso com os pais. Mas saber não significava que eu estava preparado.

Aliás, eu nunca estaria preparado para isso.

Meus pais, sentados no sofá, me encarando como se eu fosse um bebê indefeso, tentando me explicar sobre coisas que eu já sabia. Deus, foi constrangedor.

Eu queria sumir.

Mas o pior não era a conversa em si. O pior era o que vinha depois. Os pensamentos. As dúvidas. O medo.

Porque não era como se eu nunca tivesse pensado nessas coisas antes.

Eu já tinha assistido vídeos. Já tinha conversado com amigos. E, claro, já tinha beijado algumas pessoas.

E aí estava o problema.

Não eram só experiências aleatórias.

Eu gostava tanto de beijar meninos quanto de beijar meninas.

E isso me assustava.

Eu sei que, no mundo de hoje, as coisas são diferentes. Sei que muita gente não liga para isso. Mas, ao mesmo tempo, ainda existem aquelas pessoas que se importam.

E se o meu pai fosse uma dessas pessoas?

Meu pai sempre foi meu herói.

Eu cresci querendo ser como ele. Eu cresci querendo que ele tivesse orgulho de mim.

E se isso mudasse tudo?

Se ele me olhasse diferente depois? Se ele fingisse estar tudo bem, mas, por dentro, se sentisse decepcionado?

Apertei os olhos, tentando afastar esses pensamentos.

Era um medo irracional.

Eu sabia que meu pai me amava. Ele sempre foi o melhor pai do mundo. Sempre me apoiou, sempre esteve do meu lado. Nunca me deu motivo para pensar que ele poderia me rejeitar.

Mas e se, no fundo, isso fosse diferente?

E se ele não soubesse como reagir?

E se ele achasse que tinha algo de errado comigo?

Eu queria poder simplesmente ignorar esses pensamentos, mas era impossível.

A verdade é que eu nunca tive que falar sobre isso com ninguém. Nunca tive que explicar. Nunca precisei me assumir para ninguém.

E talvez fosse melhor assim.

Talvez fosse melhor guardar isso para mim e evitar qualquer chance de estragar as coisas.

Mas ao mesmo tempo...

Eu não queria esconder quem eu era.

Fechei os olhos e suspirei, frustrado.

Isso era muito mais difícil do que eu achava que seria.

Fuck, i'm dad! Histórias para pegar e não largar. Descubra agora