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(Isa a narrar)

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(Isa a narrar)

O Isaac tinha acabado de sair quando me levantei da cama. O prato quase vazio ainda repousava na bandeja, e a roupa suja de bolonhesa estava numa pilha no canto. Suspirei. Aquela noite parecia não ter fim.

Mas não conseguia parar de pensar na Jackie. Queria garantir que ela estava bem. Mesmo que me mandasse embora, mesmo que não dissesse uma palavra. Precisava de tentar.

Saí do quarto com passos lentos. O corredor continuava calado, a casa mergulhada numa calma estranha. Quando cheguei à porta do quarto da Jackie, ouvi vozes lá dentro, não só dela, mas do cole também.

Abri devagar a porta. O Cole estava sentado na cadeira da secretária, com o habitual ar descontraído e o boné virado para trás. Trazia uma bandeja com um prato quente nas mãos e sorria levemente enquanto falava com a Jackie, que estava enrolada na toalha, sentada na cama, com o cabelo molhado a escorrer pelas costas.

Ela parecia menos tensa. E, por mais estranho que fosse, estava a ouvir o Cole com atenção.

Fiquei um momento parada à porta. Ele olhou para mim com aquele ar inocente... que eu não comprava nem por um segundo.

– Olá. – disse, fingindo não ter reparado no meu olhar.

Eu franzi os olhos, desconfiada, e dei dois passos em direção a ele. Aproximei-me e murmurei só para ele ouvir:

– Depois vamos conversar.

Ele ergue as sobrancelhas como se não percebesse, mas eu sabia que percebia. Ele sabia. Aquela conversa dele podia enganar muita gente... mas não a mim.

– Está na hora de eu ir. – disse então, virando-se para a Jackie. – Fica bem, New York.

Jackie sorriu, ligeiramente, como se começasse a habituar-se às provocações dele. Eu cruzei os braços e dei-lhe um olhar de aviso antes de falar:

– Até logo, Chatinha.

Ele piscou-me o olho, atrevido, e saiu do quarto com a mesma calma com que tinha entrado.

Ficámos só nós duas. O silêncio caiu de novo, mas não era desconfortável, era apenas o peso de uma noite demasiado longa.

A Jackie olhou para o prato e depois para mim.

– Obrigada... por teres vindo atrás de mim. E por teres guardado o lugar. Eu vi. Só não soube como reagir na altura.

Sentei-me na beira da cama, com um pequeno sorriso.

– Estás aqui agora. Já é alguma coisa.

Ela assentiu, e eu percebi que aquela noite, apesar de tudo, tinha criado uma pequena ponte entre nós.

Talvez não fosse o fim do mundo. Talvez fosse só o início de uma amizade inesperada.

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Too Young- Isaac & Lee GarciaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora