Isabela, afilhada de Katherine, pede a ajuda a sua madrinha ao sua vida desabar com a notícia de estar grávida. Ela que tinha um sonho de ser artista, viu sua vida tornar-se ainda mais complexa ao estar grávida enquanto se via envolvida em um dilema...
Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.
(Isaac a narrar)
A casa estava mais silenciosa do que o normal. Depois do jantar desastroso, ninguém dizia grande coisa. Até os mais barulhentos pareciam envergonhados. E com razão.
Peguei numa bandeja com um prato limpo, pão e um copo de sumo. Sabia que a Isa não tinha comido nada, e que provavelmente ia demorar para comer.
Subi as escadas com passos firmes, mas contidos. O corredor estava às escuras, só com uma luz fraca ao fundo, vinda do quarto dela
Bati devagar.
– Isa...?
A porta abriu-se ligeiramente. Ela estava de costas, a tirar a t-shirt suja de molho, com o cabelo preso num rabo-de-cavalo meio desfeito.
Ela virou-se, encolhendo os ombros.
– Desculpa. Ainda estou a limpar a confusão... – disse, com aquele ar de quem tenta parecer forte, mesmo quando está no limite.
– Eu trouxe-te jantar. – ergui a bandeja. – Sei que não comeste.
Ela hesitou, mas depois assentiu e sentou-se devagar na beira da cama.
– Obrigada.
Pousei a bandeja no colo dela e sentei-me ao lado, de lado para ela, com os cotovelos apoiados nos joelhos.
– Foi uma cena e tanto, hein? – tentei aliviar o peso com um meio sorriso.
Ela não respondeu logo. Limitou-se a mexer na massa com o garfo, distraída.
– A Jackie está a passar um mau bocado. – disse ela, por fim. – E eu... não sei como ajudá-la. Tudo o que fiz foi deixá-la ainda mais frustrada.
– Isso não é verdade. – disse, olhando para ela. – Tu foste a única a guardar-lhe um lugar. A única a ir atrás dela. Não podes resolver tudo, Isa. Mas ela vai lembrar-se disso.
Ela suspirou. Levou uma garfada à boca, devagar. Estava exausta.
– Às vezes sinto que estás a tentar carregar o mundo inteiro sozinha. – murmurei. – Não tens de fazer isso. Nem agora, nem depois.
Ela olhou para mim, e por um segundo, vi aquele brilho vulnerável nos olhos. A Isa que escondia tudo por trás de sorrisos e força fingida.
– E quem é que me ajuda a carregar, Isaac? – perguntou, num tom baixo, quase como se falasse para ela própria.
Fiquei em silêncio. Depois respondi, com a única verdade que fazia sentido:
– Eu. Sempre que me deixares.
Ela não disse nada. Limitou-se a continuar a comer, mas com um ligeiro aceno de cabeça. Como se, por um instante, se permitisse acreditar que não estava sozinha.
Levantei-me devagar, mas antes de sair, disse-lhe:
– Guarda o resto, se quiseres. E... se precisares de mim esta noite, sabes onde estou.
Fechei a porta com cuidado atrás de mim.
Aquela casa podia ser um caos. Mas ela era o meu ponto de equilíbrio, mesmo sem saber.
Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.