Vinte e quatro

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(Isa a narrar)

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(Isa a narrar)

O dia continuou a fluir, mas a tensão que se instalou não me largou. O Isaac tinha sido claro: o Lee gostava de mim, mas, ao mesmo tempo, os dois estavam a tentar lidar com isso da melhor forma possível. As palavras dele ainda ecoavam na minha cabeça enquanto eu tentava, de alguma forma, voltar a uma rotina mais normal.

Eu sabia que tinha de falar com o Lee. Ele não podia continuar a evitar as coisas, e eu não podia continuar a viver no escuro, sem saber o que ele realmente sentia. A gravidez tornava tudo mais complexo, mais difícil. Sentir-me dividida entre os dois irmãos não era fácil, e, às vezes, parecia que estava a perder-me a mim mesma nesse processo.

Ao fim da tarde, depois de um dia de piscina e de muitas conversas e risos, os meninos estavam todos em casa, já de volta ao conforto do lar. Eu andava de um lado para o outro, indecisa, quando encontrei o Lee no corredor, a vir da casa de banho.

– Lee. – chamei-o, e ele parou de imediato. O silêncio entre nós ficou pesado.

Ele olhou para mim, e eu pude ver que estava a evitar os meus olhos. Eu não queria mais rodeios. Estava farta de não saber, de estar numa situação onde as palavras e os sentimentos não eram claros.

– Precisamos de falar. – disse, tentando manter a voz firme, mas eu sentia a ansiedade a crescer dentro de mim.

Ele assentiu lentamente e então falou, com um suspiro profundo.

– Eu sei o que estás a pensar, Isa... E, sinceramente, não sei se consigo lidar com tudo isso. Não sei o que fazer com o que sinto por ti.

Fiquei em silêncio, observando-o. Aquelas palavras, a forma como ele falava, estavam a quebrar qualquer imagem de certeza que eu tivesse. Ele estava tão perdido quanto eu. Mas isso também não me dava respostas.

– Mas... tu gostas de mim? – perguntei, quase sussurrando, como se estivesse com medo da resposta. – E o que é que isso significa, Lee? O que é que estamos a fazer aqui?

Ele deu um passo em minha direção, mas parou, como se estivesse a pesar cada palavra.

– Eu não sei se posso ser aquilo que tu precisas, Isa. E o Isaac... ele está sempre ao teu lado, sempre a apoiar-te. Eu... eu não quero interferir. Eu só quero que fiques bem, e se isso significar ficar de fora, então eu fico.

Eu não sabia o que dizer. Eu não sabia o que pensar. O Lee queria afastar-se porque achava que era o certo, que o Isaac deveria estar ali para me apoiar, mas eu não queria isso. Eu não queria que ele se afastasse, mas também não sabia como lidar com os sentimentos dele. Ou com os meus.

– Eu... – comecei, mas as palavras não saíam. – Eu não quero que fiques de fora. Mas também não quero que fiques só por pena de mim, Lee.

Ele olhou para mim, com os olhos carregados de confusão, e finalmente se aproximou um pouco mais, tocando a minha mão com a ponta dos dedos, quase como se estivesse a tentar garantir que não estava a perder o controlo de tudo.

– Não é pena. Nunca foi pena, Isa. Eu... só não quero magoar-te. Não sei como lidar com tudo isto. A gravidez... os sentimentos... o Isaac... Eu não quero complicar ainda mais a tua vida.

Senti a tensão a dissolver-se um pouco naquele momento. Ele não estava a fugir de mim, ele estava apenas a tentar entender o que estava a acontecer. E, no fundo, eu também não sabia o que estava a acontecer.

– Eu não sei o que quero, Lee. – confessei, com a voz baixa. – Eu só sei que tudo está a mudar muito rápido. E eu não quero perder nenhum de vocês, mas ao mesmo tempo, sinto que estou a perder a minha sanidade no meio disso tudo.

Ele deu um sorriso triste e, por um momento, o Lee parecia mais vulnerável do que eu já o tinha visto.

– Eu não te vou deixar perder, Isa. – disse ele, baixinho. – Eu só... preciso de tempo para entender tudo.

Eu respirei fundo. Tempo. Eu também precisava de tempo. Talvez os três precisássemos de tempo para entender o que estava a acontecer.

No final das contas, eu estava a ser empurrada para uma realidade que eu não tinha planejado. Não apenas uma gravidez, mas uma relação complicada com dois irmãos que eu gostava de formas diferentes. A pressão estava a aumentar, e eu não sabia se estava pronta para lidar com isso. Mas, por agora, não havia outra escolha. Eu teria de encontrar uma forma de seguir em frente.

 Eu teria de encontrar uma forma de seguir em frente

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Too Young- Isaac & Lee GarciaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora