Isabela, afilhada de Katherine, pede a ajuda a sua madrinha ao sua vida desabar com a notícia de estar grávida. Ela que tinha um sonho de ser artista, viu sua vida tornar-se ainda mais complexa ao estar grávida enquanto se via envolvida em um dilema...
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(Isa a narrar)
O Lee recusou-se a dizer onde íamos. Só me disse para levar algo confortável e óculos de sol. O Isaac apareceu com uma mochila e disse que o conteúdo era "privado". Comecei a rir antes mesmo de sairmos de casa.
Entrámos no carro do George, emprestado com relutância e sob a condição de "nada de velocidade nem maluquices". O Lee foi a conduzir, o Isaac ao meu lado e eu atrás, a ver as árvores passarem pela janela enquanto o sol batia de leve no meu rosto.
Demorámos uns trinta minutos até chegarmos a um campo enorme, meio escondido por arbustos, com uma árvore gigantesca no centro. Ao fundo, uma colina dava para ver um pequeno lago.
– Surpresa. – disse o Isaac, abrindo a porta e estendendo a mão para mim. – É o nosso sítio secreto.
– Uau... – murmurei, saindo devagar. – Isto é... lindo.
– Costumávamos vir para aqui quando éramos putos. – disse o Lee, pousando a toalha de piquenique no chão. – Para fugir de tudo.
Sentámo-nos na sombra da árvore. O Isaac tirou da mochila uns Tupperwares com frutas, bolachas, sumo natural e... gelado, num pequeno termo. O Lee trouxe uma coluna e pôs música calma a tocar — sons que faziam o tempo parar por uns instantes.
Durante algum tempo, não dissemos nada. Só ouvíamos os pássaros, o vento nas folhas e o som suave da música a acompanhar a nossa respiração. O Isaac estava deitado na toalha, a olhar para o céu. O Lee encostado à árvore, olhos fechados. E eu com a mão sobre a barriga, sentindo a pequena vida a crescer dentro de mim.
– Sabes... – disse o Lee, sem abrir os olhos. – Tens sido muito mais forte do que alguma vez imaginei.
Olhei para ele, surpreendida.
– E... sinto muito por nem sempre saber o que dizer. Nem eu nem o Isaac. Mas estamos aqui.
O Isaac olhou para mim e estendeu a mão.
– Sempre.
Segurei na dele. Depois na do Lee. Ficámos assim, os três, ligados por um momento que parecia simples, mas que me aqueceu o peito de um jeito que poucas coisas conseguiam.
– Obrigada. Por me trazerem aqui. Por não me deixarem cair. – sussurrei.
– Nunca te vamos deixar. – disse o Isaac.
– Nem a ti... nem a ela. – completou o Lee, pousando a mão, com cuidado, sobre a minha barriga.
Nesse instante, baixei a cabeça, emocionada, e o Isaac aproximou-se, dando-me um beijo leve na têmpora. O Lee, do outro lado, deu-me um beijinho suave na bochecha.
Fechei os olhos. Não precisava de mais nada.
E ali, debaixo daquela árvore, naquele silêncio confortável, senti-me finalmente em casa.
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