Trinta e cinco

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(Isa a narrar)

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(Isa a narrar)

Já se tinha passado alguns dias e agora estávamos de férias pelo feriado do dia de ação de graças.

O aroma do peru no forno misturava-se com o som da música suave que tocava na sala. A casa estava em modo de festa, decorada com folhas secas, luzes quentes e uma mesa posta com detalhes dourados. Era o Dia de Ação de Graças, o primeiro que eu passava com eles.

Estávamos todos na cozinha a ajudar. O Benny tentava roubar marshmallows da travessa da Parker, o George supervisionava tudo como um verdadeiro chef, o Jordan a gravar tudo, e a Katherine andava de um lado para o outro, coordenando tudo com um sorriso nervoso. O ambiente estava leve... pelo menos para a maioria.

A Jackie tinha acabado de chegar depois de ter ido entregar os cabaz, ela queria se manter afastada, com os braços cruzados e o olhar distante. Eu sabia que este dia era difícil para ela. Desde a perda dos pais, celebrar algo como "gratidão" era quase cruel.

Mas a Katherine, como sempre, tinha um plano.

— Jackie — disse ela, aproximando-se. — Queria que tentasses sentar-te à mesa connosco. Tenho uma surpresa, que talvez te anime.

A Jackie suspirou, mas ela foi até a minha madrinha, relutante. Seguimos todos para a mesa. Quando ela viu quem estava sentado à cabeceira, congelou.

— Richard?! — murmurou, surpreendida.

O Richard, tio da Jackie, levantou-se com um sorriso terno.

— Feliz Dia de Ação de Graças, miúda. Não achaste mesmo que eu ia deixar este dia passar em branco, pois não?

O rosto da Jackie suavizou. Durante um momento, parecia que tudo estava certo. Sentaram-se todos à mesa, entre conversas e risos nervosos.

Mas o clima mudou rapidamente quando o Richard limpou a garganta e olhou para a Katherine.

— Vim também porque... quero falar sobre algo. Sobre a guarda da Jackie. Acredito que ela devia vir viver comigo.

O silêncio caiu. O alex arregalou os olhos. O Lee e o Isaac trocaram olhares tensos. O Cole pousou o copo com força, e outros só ficaram espantados.

— O quê? — foi a primeira coisa que o Alex conseguiu dizer.

Katherine respirou fundo, claramente apanhada de surpresa.

— Richard, isso já tinha sido falado.

Jackie olhava fixamente para o prato. O rosto dela não mostrava raiva, nem alegria. Apenas confusão.

Os meninos exclamavam todos em voz alta que não queriam que a Jackie fosse embora.

-Porque não deixamos a Jackie decidir o que quer?!- O cole disse

— Eu... não sei o que quero — disse ela, com a voz baixa. — Só sei que queria que a minha família estivesse viva.

As palavras dela foram um murro no estômago de todos. A dor crua atravessava cada sílaba. Ficámos todos em silêncio, sem saber o que dizer.

Foi então que a campainha tocou.

— Eu vou abrir. — ofereci, com a voz ainda frágil.

Aproximei-me da porta, com passos lentos. Ao abrir, o meu coração parou. O frio atravessou-me da cabeça aos pés.

Era ele.

O meu passado.

— Olá, coelhinha — disse ele, com um sorriso torto. — Sentiste a minha falta?

 — Sentiste a minha falta?

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Too Young- Isaac & Lee GarciaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora