Isabela, afilhada de Katherine, pede a ajuda a sua madrinha ao sua vida desabar com a notícia de estar grávida. Ela que tinha um sonho de ser artista, viu sua vida tornar-se ainda mais complexa ao estar grávida enquanto se via envolvida em um dilema...
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(Narrado por Isa)
As luzes estavam mais suaves agora. Já era madrugada. Sentia o corpo exausto, como se tivesse corrido uma maratona sem parar. Mas também havia um calor estranho dentro de mim... um instinto antigo que me dizia que eu estava prestes a conhecer a pessoa mais importante da minha vida.
— Nove centímetros — disse a médica, com um sorriso. — Está mesmo quase. Já consegues sentir vontade de fazer força?
Eu assenti, apertando com mais força a mão da Katherine, que se recusou a sair dali por nada deste mundo.
— Respira como te ensinei, vá — disse ela, com a voz trémula, mas cheia de coragem. — Tu consegues. Estamos todas contigo.
O Isaac estava mesmo atrás dela, parado, mas com os olhos cravados em mim como se quisesse absorver parte da dor.
Lee estava mais afastado, sentado num canto com as mãos juntas, como se estivesse a rezar. Olhou para mim e sorriu, tímido, mas com ternura.
— Está quase — murmurou Isaac.
A médica aproximou-se da cama. Era hora.
— Isa, quando sentires a próxima contração, vais fazer força comigo, está bem?
Eu assenti, já com as lágrimas a escorrer. Não era só dor. Era tudo. A vida, o medo, o amor, a perda, o futuro incerto.
— Vai, Isa! Força! — gritou Katherine, e eu gritei também. Gritei com tudo o que tinha.
Empurrei como se o mundo estivesse a depender disso. E de certa forma... estava.
— Mais uma vez! Já se vê a cabeça!
As lágrimas caíam-me pelo rosto sem que eu as controlasse. O meu corpo já não era meu, era dela. Daquela pequena vida que estava a chegar.
— Agora! É a última! — incentivou Isaac.
Com tudo o que restava em mim... empurrei.
Silêncio.
E depois... um choro.
Um som fino, agudo, frágil... mas o mais bonito que alguma vez ouvi.
— É uma linda menina! — disse a médica, com um sorriso largo, enquanto levantava aquele pequeno ser cheio de vida.
Ela chorava. Eu chorava. Toda a sala pareceu explodir em emoção.
— Ela é perfeita — disse Katherine, com os olhos completamente lavados.
Puseram-na no meu peito. E eu tremi.
— Olá, amor... — sussurrei, a voz embargada. — Eu sou a tua mãe.
A pele dela estava quente. O coraçãozinho batia tão rápido. E naquele instante, soube. Tudo o que tinha vivido, tudo o que tinha perdido... levou-me até ali.
Mais tarde, o quarto estava calmo. Ela dormia no berço, com os punhos fechados como se estivesse pronta para enfrentar o mundo.
— Já sabes o nome? — perguntou Katherine, sentando-se na beira da cama.
Assenti, com um sorriso pequeno.
— Cassie.
Da constelação, cassiopeia.
— É lindo. — sussurrou ela, acariciando-me o cabelo.
O Isaac estava sentado na poltrona ao meu lado, quase a dormir, mas com um sorriso nos lábios. O Lee saíra para buscar café.
— Obrigada... — disse eu, baixinho.
— Porquê? — perguntou Katherine.
— Por tudo. Por me deixares fazer parte da tua família.
Ela sorriu. E naquele sorriso, percebi que, apesar de tudo, nunca tinha estado verdadeiramente sozinha.
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