Isabela, afilhada de Katherine, pede a ajuda a sua madrinha ao sua vida desabar com a notícia de estar grávida. Ela que tinha um sonho de ser artista, viu sua vida tornar-se ainda mais complexa ao estar grávida enquanto se via envolvida em um dilema...
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(Isa a narrar)
Não esperei que o Lee ou o Isaac me apanhassem. Mal saí do portão da escola, com as mãos ainda a tremer e o coração aos pulos, pedi um táxi no telemóvel. Queria desaparecer. Queria a minha cama. Queria silêncio.
Durante o caminho, tentei manter-me firme, mas as lágrimas começaram a escorrer sozinhas. A vergonha, o stress, a raiva, tudo explodiu ao mesmo tempo. Eu tinha tentado tanto manter isto escondido. Não porque me envergonhasse da bebé, mas porque sabia como o mundo podia ser cruel. Hoje foi a prova.
Quando cheguei a casa, subi direta para o meu quarto. Deitei-me na cama com roupa e tudo, virada para a parede, e deixei-me ir. Chorei em silêncio, com o corpo a estremecer. Nem me dei conta das horas a passar.
Ouvi a porta do quarto abrir com cuidado.
— Isa...? — era a voz do Isaac.
— Ela está aqui... — disse ele em voz baixa, e percebi que o Lee também estava.
Senti o colchão afundar-se de um lado, e depois do outro. Eles estavam ali, um de cada lado.
— Não quero voltar para a escola — murmurei, com a voz embargada.
Ficámos em silêncio por alguns segundos, só com a minha respiração trémula a preencher o espaço.
— A escola que se lixe — disse o Lee, com um tom firme, mas gentil. — O que importa agora és tu. Tu e a bebé.
— Não tens de enfrentar isto sozinha — disse o Isaac. — Nós estamos aqui. Sempre estivemos.
Virei-me devagar, com os olhos ainda húmidos, e olhei para os dois. O Isaac passou o polegar devagar pela minha bochecha, limpando uma lágrima. O Lee pegou na minha mão com cuidado, como se estivesse a segurar um pedaço de porcelana.
— Eu só queria um bocadinho de paz... — suspirei.
— Vamos arranjar-te isso — prometeu o Lee, com um pequeno sorriso.
Ficámos ali por um momento. Três miúdos perdidos, a tentar fazer sentido de tudo.
O Lee inclinou-se primeiro. Os olhos presos aos meus por uns segundos. Depois, num gesto suave, beijou-me.
Foi lento. Quente. Tranquilo.
Quando ele se afastou, o Isaac olhou para mim, como a pedir permissão, e eu assenti com um leve movimento de cabeça.
Ele aproximou-se, os dedos a tocarem levemente o meu rosto, e beijou-me também.
Foi diferente, mais intenso, mais urgente. Mas ainda assim, cheio de carinho.
Quando o beijo acabou, fiquei ali entre os dois, de mãos dadas com ambos.
— Não sei o que estou a fazer — confessei, com um riso nervoso. — Só sei que não quero perder nenhum de vocês.
— Então não percas — disse o Isaac.
— Nós encontramos uma forma, Isa — murmurou o Lee.
E por um instante... só por um instante, senti que talvez tudo pudesse ficar bem.
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