Isabela, afilhada de Katherine, pede a ajuda a sua madrinha ao sua vida desabar com a notícia de estar grávida. Ela que tinha um sonho de ser artista, viu sua vida tornar-se ainda mais complexa ao estar grávida enquanto se via envolvida em um dilema...
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(Narrado por Isa)
As luzes do hospital surgiram no horizonte como um farol. Eu tentava respirar, como me diziam, mas o meu corpo parecia querer desmaiar a cada contração. A dor apertava-me por dentro como um punho invisível. As vozes à minha volta soavam distantes, abafadas, como se estivesse debaixo de água.
— Estamos a chegar, segura-te só mais um pouco, Isa — murmurou o Isaac, a apertar-me a mão com força. Nem percebi quando ele trocou de lugar com a Jackie e se sentou ao meu lado.
Só conseguia focar-me no ritmo da dor. Uma onda... depois outra. Os olhos do Lee estavam cravados nos meus, do outro lado do banco. Estavam vermelhos. Estava a chorar?
— Estás a fazer um ótimo trabalho — sussurrou ele. — Já falta pouco.
O carro travou junto à entrada de urgências. Em segundos, uma equipa de enfermeiros já nos rodeava.
— Isabela Walter?— perguntou uma delas, enquanto eu era colocada numa maca com cuidado.
— Sim... sou eu — murmurei, e outra contração roubou-me o fôlego.
— Contrações de quanto em quanto tempo?
— Menos de cinco minutos... — disse Katherine, a caminhar ao meu lado com passos rápidos.
E olhar para ela quase me fez desabar. Parecia tão preocupada. Como se eu fosse mesmo filha dela. E talvez fosse, de certa forma.
O quarto estava frio. Luz branca. Vozes técnicas. Eu já tinha visto este cenário em filmes, mas nunca pensei que seria assim. O coração acelerava-me dentro do peito.
— Não... não pode ser agora, o bebé é prematuro... — murmurei, as lágrimas a correrem-me pelas têmporas.
— Vamos monitorizar-te, Isa. Estás a dilatar rápido, pode ser que aconteça ainda hoje. Mas vamos fazer tudo para garantir que o bebé vem em segurança, ou o mais tarde possível, se o trabalho de parto parar. — disse uma médica, com um sorriso tranquilo.
Entrei em pânico. Queria fugir. Queria o meu quarto, o meu silêncio, o meu tempo. Queria a minha familia.
— Isaac...Lee — sussurrei.
Eles apareceram ao meu lado como uns anjos. Ou um raio de tempestade. Porque não era perfeito, mas era presença. Era verdade.
— Estamos aqui — respondeu Isaac, com a voz baixa, a mão quente a tocar na minha.
— Estou com medo... — admiti, com os olhos a tremer.
— Estamos aqui contigo. -Respondeu Lee
As palavras deles abriram algo em mim. Como se uma barreira tivesse caído. Chorei. Chorei mesmo. De alívio, de medo, de tudo.
Mais tarde, já com o monitor a marcar os batimentos do bebé, o quarto ficou silencioso por um instante. Do lado de fora, ouvi vozes. Depois um burburinho.
A porta abriu-se... e a enfermeira entrou.
— Isabela... há alguém lá fora que insiste em falar contigo.
— Quem?
— Um Homem. Disse que é... o teu pai.
O meu coração congelou.
O Isaac e o Lee levantou-se de imediato.
— Não. Ele não entra. — disse o Lee, o tom firme como pedra.
A enfermeira hesitou.
— Ele está a dizer que tem o direito de estar aqui. Que vai chamar um advogado se for preciso.
O olhar da Katherine cruzou-se com o meu. O Lee olhava para o chão. O Isaac tremia de raiva.
— Diz-lhe que... — comecei a dizer, mas a porta abriu-se de novo.
E ali estava ele. A pessoa que eu mais odiava.
— Tinha saudades tuas... — disse ele, com um sorriso pequeno. — Estás mesmo linda, coelhinha.
Isaac deu um passo à frente.
— Se dás mais um passo, juro por tudo que te ponho fora daqui.
O meu pai ergueu as mãos, como se não quisesse arranjar confusão.
— Só quero conhecer o que é meu por direito.
— A minha filha. — corrigi, com a voz trémula mas firme. — E se for por mim, tu nunca vais a conhecer.
Os olhos dele escureceram. Mas ele recuou. Talvez porque percebeu que ali, naquela sala, ele não tinha mais poder.
— Isto não vai ficar sim. — disse ele.
— Não. — respondi. — Porque chamo a policia e conto tudo se tu não saíres daqui e desapareceres.
E ele saiu. E pela primeira vez... senti que talvez conseguisse respirar.
Horas depois, já era de madrugada.
A médica entrou e disse-me, com um sorriso tranquilo:
— Isabela... estás com sete centímetros. Está quase.
Olhei para o lado. E vi todos os que ficaram.
A minha família.
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