Isabela, afilhada de Katherine, pede a ajuda a sua madrinha ao sua vida desabar com a notícia de estar grávida. Ela que tinha um sonho de ser artista, viu sua vida tornar-se ainda mais complexa ao estar grávida enquanto se via envolvida em um dilema...
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(Isa a narrar)
Na manhã seguinte, acordei com os olhos ainda pesados do choro da noite anterior, mas o calor dos braços do Isaac e do Lee ainda estava comigo, como um cobertor invisível. Eles tinham adormecido ali comigo, um de cada lado. E, pela primeira vez em muito tempo, senti-me... segura.
Levantei-me com cuidado, deixei-lhes um beijo na testa a cada um e saí do quarto em silêncio.
Quando desci as escadas, percebi logo que a casa já estava agitada. Vozes baixas misturavam-se com passos apressados e sussurros. Mal pus os pés na cozinha, todos os olhares se viraram para mim.
A Parker foi a primeira a correr até mim, os olhos cheios de preocupação.
— Isa! Estás bem? Ontem ficaste tão estranha...
Antes que eu respondesse, o Benny também correu até mim, abraçando-me com força pela cintura.
— Eu vou bater em quem te fez mal! — disse ele, com um ar determinado que me arrancou um sorriso sincero.
— Não precisas bater em ninguém, querido... só este abraço já cura tudo.
A Parker olhou para mim com um carinho doce, depois baixou-se até à minha barriga já saliente e deu-lhe um beijinho suave.
— Bom dia, bebé. Desculpa o susto de ontem.
Benny fez o mesmo, com um risinho.
— Vai ser uma menina rija como a mãe!
Senti os olhos a humedecer outra vez, mas desta vez de emoção. Aquele carinho genuíno deles derretia-me por dentro.
Foi então que a Katherine entrou na cozinha, os olhos fixos em mim. Não disse nada à frente de todos, apenas me fez sinal com a cabeça. Segui-a até ao escritório, onde fechou a porta com cuidado.
— Isa... — começou ela, com um suspiro profundo. — Vamos falar, por favor.
Obedeci. Ela aproximou-se e sentou-se à minha frente, cruzando os dedos sobre o colo.
— Queria pedir-te desculpa. Do fundo do coração. — A sua voz tremia. — Eu não devia ter te deixado ir a escola. Devia ter protegido-te melhor. Não devia ter deixado que as coisas na escola chegassem a este ponto. És só uma miúda, Isa... com um peso enorme nos ombros. E tens lidado com tudo com uma força que nem eu sei se conseguiria ter.
Senti um nó na garganta e, antes que pudesse conter, duas lágrimas caíram-me pelo rosto.
— Tu já fazes tanto por mim, Katherine... — sussurrei. — Não tens de te culpar. A culpa foi da miúda idiota que não tem noção nenhuma.
Ela sorriu com tristeza e esticou a mão para a minha, apertando-a com ternura.
— Quero que saibas que estamos todos aqui para ti. Para ti e para essa bebé. — Olhou-me nos olhos. — E se, em algum momento, precisares de parar, descansar, pedir ajuda... não hesites. Nem por um segundo.
Assenti, sentindo finalmente uma calma reconfortante a espalhar-se pelo peito.
— Obrigada. Mesmo.
— Agora... — disse ela, levantando-se. — Vamos preparar o pequeno-almoço decente para a nossa miúda cheia de força?
Sorri e limpei as lágrimas com as costas da mão.
— Vamos.
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