Isabela, afilhada de Katherine, pede a ajuda a sua madrinha ao sua vida desabar com a notícia de estar grávida. Ela que tinha um sonho de ser artista, viu sua vida tornar-se ainda mais complexa ao estar grávida enquanto se via envolvida em um dilema...
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(Narrador narrando)
O quarto estava envolto numa penumbra suave, o ar pesado com o cheiro doce do recém-nascido. Cassie dormia tranquilamente no berço, os seus pequenos suspiros embalados pelo silêncio que só uma casa que repousa após uma tempestade conhece.
Isa, ainda exausta, sentia as emoções a revolver-se dentro de si, amor, medo, dúvida, e a urgência silenciosa de clareza.
Lee entrou primeiro, com um chá quente na mão, tentando sorrir, mas o seu olhar traía o conflito que lhe corria pelas veias. Isaac seguiu-o devagar, fechando a porta atrás de si com um leve estalido que fez Isa sobressaltar.
Ficaram ali, os três, numa dança silenciosa que pedia palavras difíceis.
Lee sentou-se na beira da cama, evitando o olhar da Isa. — Olha, Isa... — começou, a voz baixa, quase um sussurro — Eu sei que isto não está a ser fácil para ti. Para nós.
Isa engoliu o nó que lhe apertava a garganta, o peito a arder. — Não está. Nem sei o que sinto às vezes.
Isaac avançou, com os olhos a incendiar-se num misto de sinceridade e desejo contido. — Eu não sei como explicar o que sinto. É mais do que querer proteger-te, Isa. É querer estar contigo... mesmo que seja complicado, mesmo que tenhamos que atravessar isto juntos, sem garantias.
Lee respirou fundo, procurando forças nas palavras que há muito queria dizer. — Eu também sinto isso. Mas não sei se sou o suficiente. Talvez não consiga ser tudo o que precisas, especialmente agora com a Cassie.
Isa sentiu as lágrimas a escorrerem-lhe pelo rosto, não só por medo, mas por sentir o peso de duas almas que se desdobravam por ela. Por ela e pela filha.
Ela levantou a mão trémula, tocando o rosto de Lee primeiro, depois de Isaac. — Eu não sei o futuro. Mas sei que não quero vos perder, nem ninguém desta família.
Isaac engoliu em seco, a voz rouca de emoção. — Então diz-me, Isa. O que queres?
Isa fechou os olhos, sentindo a cabeça a girar com todas as possibilidades e medos, e sussurrou, quase para si mesma: — Quero que saibam que, apesar de tudo, o que eu sinto por vocês dois é real... e é confuso. Mas não quero perder nenhum de vocês.
Lee e Isaac trocaram um olhar profundo, um misto de compreensão, ciúmes e esperança.
Naquele quarto, naquela madrugada, um pacto silencioso nasceu, não seria fácil, não haveria certezas, mas haveria honestidade, desejo e uma luta por algo que, apesar de tudo, ainda era possível.
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