Isabela, afilhada de Katherine, pede a ajuda a sua madrinha ao sua vida desabar com a notícia de estar grávida. Ela que tinha um sonho de ser artista, viu sua vida tornar-se ainda mais complexa ao estar grávida enquanto se via envolvida em um dilema...
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(Isa a narrar)
Assim que cheguei a casa, depois de um dia longo de aulas, subi diretamente para o quarto. O calor e o barulho da escola tinham-me deixado exausta. Precisava de silêncio. Peguei no meu livro que estava por acabar e deitei-me na cama, deixando a barriga repousar num monte de almofadas. À medida que as páginas passavam, o tempo parecia escorrer devagar.
A tarde foi estranhamente silenciosa. Não ouvi vozes no corredor, nem música vinda do quarto do Nathan, nem o Danny a treinar as suas falas. Nada. Só o som do vento a bater suavemente na janela e o virar das páginas.
Só dei conta das horas quando o George chamou todos para jantar com aquele tom de voz que ecoava por toda a casa.
— Jantar! Vamos lá, pessoal!
Desci com calma e fui até à sala de jantar. Estavam todos a chegar aos poucos, sentando-se à volta da mesa... mas havia um silêncio desconfortável no ar. Olhares trocados, talheres mexidos sem muito entusiasmo. Ninguém falava da Jackie. Nem do Cole. E todos sabiam que tinham desaparecido juntos.
A Katherine entrou na sala com um olhar sério, preocupado. Sentou-se à cabeceira da mesa e observou todos antes de suspirar fundo.
— Ainda ninguém viu a Jackie e o Cole? — perguntou, mas ninguém respondeu.
Nesse momento, a porta da frente abriu-se. O Cole entrou, descontraído, com a Jackie logo atrás dele, ainda com o chapéu que eu lhe tinha emprestado de manhã. Ela parecia... cansada, mas tentava sorrir.
— Estou cheio de fome — disse, a tentar manter a leveza.
Mas a Katherine levantou a mão antes que qualquer um deles se servisse.
— Antes de comerem, vamos resolver isto. — Ela olhou para todos com firmeza. — De quem foi a ideia da partida com o descolorante?
Silêncio. Ninguém disse nada. Nem uma tosse.
O Alex, com um encolher de ombros e ar desinteressado, atirou:
— Porque não vês a câmara do Jordan.
— Alex! — sussurrou o Lee, a tentar calá-lo, mas era tarde demais.
— Eu?! — protestou o Jordan, engasgando-se com a água. — Porquê que eu é que sou sempre o culpado?
O burburinho cresceu, com todos a reclamar e a atirar culpas de um lado para o outro, mas a Katherine levantou-se, imponente.
— Basta! Eu estou farta de brincadeiras de mau gosto. Isto passou dos limites. Jackie, eu peço-te desculpa. — Depois virou-se para o Isaac e para o Cole. — Vocês os dois vão pagar a tinta. E vão pedir desculpa. A sério.
O Cole assentiu e olhou para a Jackie.
— Desculpa, a sério. Não era para levar tão a peito. Foi estúpido.
O Isaac, por outro lado, cruzou os braços e disse com um sorriso trocista:
— Desculpa. Da próxima ponho perfume no champô.
A Jackie lançou-lhe um olhar fulminante, levantou-se e pegou na caixa da tinta que a Katherine lhe tinha comprado antes do jantar.
— Já perdi o apetite.
Saiu da sala com passos pesados. Fiquei sentada a olhar para o prato sem saber se ela estava magoada pela brincadeira em si... ou por o Cole estar metido no meio.
Levantei-me devagar, sentindo a pressão da barriga de novo, mas determinada.
— Eu vou ajudá-la a pintar o cabelo — anunciei, e sem esperar resposta, segui atrás da Jackie pelo corredor silencioso.
Sabia que ela precisava de alguém agora. E eu... também precisava de um pouco de paz no meio daquele caos.
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