Quarenta e sete

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(Isa a narrar)

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(Isa a narrar)

O silêncio ali, naquele campo coberto de flores silvestres, tinha peso. Um peso bonito. Estávamos sentados sobre a toalha, entre restos de frutas, bolachas e a garrafa de limonada meio vazia. O céu, tingido de laranja e lilás, parecia segurar a respiração connosco.

Lee foi o primeiro a aproximar-se. Os seus olhos estavam suaves, mas havia algo contido neles. A sua mão tocou levemente no meu rosto e, sem dizer nada, os seus lábios encontraram os meus. Era um beijo sereno, calmo, como ele. Não havia pressa, só entrega. Como se o tempo tivesse desacelerado só para nos ver ali, juntos.

Quando nos afastámos, ele encostou a testa à minha.

— Estive tanto tempo a imaginar este momento — murmurou. — E agora, não quero que acabe.

Isaac não disse nada. Limitou-se a puxar-me suavemente para ele, como se estivesse a pedir permissão. Os seus olhos estavam mais escuros, intensos. E o beijo dele foi diferente. Mais quente. Um turbilhão de sentimentos que me atravessou o corpo inteiro. Com ele, era como se o mundo ardesse e depois voltasse a acalmar.

Fiquei ali, entre os dois, o coração a bater tão forte que quase o ouvia.

— Isto é mesmo real? — perguntei, meio sem fôlego.

Lee apertou a minha mão. Isaac pousou a cabeça no meu ombro. E, naquele instante, percebi que não precisava escolher. Porque eles já estavam a escolher... ficar.


Chegámos a casa já de noite. Eu no meio, Lee e Isaac de cada lado, de mãos dadas como se fosse a coisa mais natural do mundo. Ainda assim, por dentro, o meu estômago estava apertado. E se não aceitassem? E se me vissem como uma confusão, uma miúda perdida entre dois rapazes?

A porta rangeu, e a luz da casa invadiu-nos. Katherine foi a primeira a levantar o olhar da cozinha. Parou por um segundo, como se estivesse a processar.

Depois, sorriu.

— Já não era sem tempo — disse, com aquele tom que só as mães sabem usar. Orgulho, ternura... e um leve toque de "eu sabia".

Jackie estava no sofá com a Cassie nos braços. Levantou uma sobrancelha ao ver-nos assim. Olhou para mim, depois para as nossas mãos.

— Hm. Interessante. — e piscou o olho. — Estava a ver que nunca mais avançavam.

— Não conseguíamos ficar mais tempo sem ela. — respondeu Isaac, sem soltar a minha.

Lee soltou uma gargalhada baixa, e Jackie abanou a cabeça.

Cole apareceu da sala, com um pacote de batatas nas mãos. Parou ao ver-nos.

— Esperem... isto é oficial? — perguntou, entre confuso e divertido.

— É. — respondi. De forma firme. Pela primeira vez sem medo. — É oficial.

O silêncio durou meio segundo.

Depois, Jordan apareceu por trás do balcão com a Parker e o Benny e tirou nos uma foto enquanto dizia:

— Aposto que fui o único que não estava à espera disto.

— Não estavas? — perguntou Alex, atrás dele. — A Isa corava de cada vez que o Lee falava e ficava muda quando o Isaac entrava na sala.

Risos. Comentários. E a Cassie continuava a dormir, alheia ao caos doce que era a sua nova família.

Katherine aproximou-se com o George de mim e tocou-me no ombro.

— Vocês merecem ser felizes. Mesmo que seja de um modo que o mundo não entenda.- disse a Katherine

-Nós apoiamo-vos sempre. -Concluiu o George.

Olhei para os dois. O Lee apertou os meus dedos. O Isaac encostou-se mais a mim.

E pela primeira vez em muito tempo... senti-me certa.

Com eles. Com a Cassie. Comigo.

Mesmo que o mundo não entenda... eu entendo. E, às vezes, isso basta.

 E, às vezes, isso basta

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Too Young- Isaac & Lee GarciaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora