Isabela, afilhada de Katherine, pede a ajuda a sua madrinha ao sua vida desabar com a notícia de estar grávida. Ela que tinha um sonho de ser artista, viu sua vida tornar-se ainda mais complexa ao estar grávida enquanto se via envolvida em um dilema...
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(Isa a narrar)
Bati à porta com um toque suave.
— Jackie? Posso entrar?
Do outro lado, ouvi um "pode" abafado. Quando abri a porta, vi-a sentada no chão do quarto, em frente ao espelho, com a caixa de tinta pousada ao lado. O chapéu que lhe emprestei de manhã estava agora de lado, quase esquecido.
— vim te ajudar — disse, com um sorriso gentil, fechando a porta atrás de mim.
Ela não respondeu de imediato. Só olhou para mim com um ar cansado, os olhos ainda vermelhos. Aproximei-me e sentei-me ao lado dela, com cuidado por causa da barriga. Peguei na caixa e comecei a abrir os frascos com calma.
— Não devias estar a descansar? — perguntou ela, quase num murmúrio.
— Tu também devias estar a comer, mas cá estamos — respondi, com um encolher de ombros. — A vida é cheia de más decisões. Agora vira-te, que vou tratar disso.
Ela soltou uma pequena gargalhada e obedeceu. Enquanto misturava a tinta, o silêncio instalou-se por um momento. Era confortável. Depois de tudo, só o som da escova a mexer-se no cabelo dela enchia o espaço.
— Obrigada por isto — disse ela, baixinho.
— Não tens de agradecer. Eles passaram dos limites.
— O Cole... ele ajudou — disse, meio em dúvida, como se estivesse a tentar processar o que sentia.
— Eu sei. Mas também sei que ele está arrependido. E o Isaac... bem, ele tem a maturidade emocional de um tijolo às vezes.
Ela soltou um riso abafado. Senti-a relaxar.
— Tu gostas mesmo dele, não gostas? — perguntou de repente.
Parei por um segundo, surpreendida com a pergunta, mas depois continuei a aplicar a tinta.
— Gosto... é complicado. — Olhei para o reflexo dela no espelho. — E tu? Gostas do Cole?
Ela desviou o olhar.
— Também é complicado, não o conheço ainda muito bem.
Ficámos assim por mais alguns minutos, até que ela quebrou o silêncio novamente, desta vez com uma expressão mais curiosa.
— Como é estar grávida? — perguntou.
Sorri levemente, sentindo um pontapé suave que parecia responder por mim.
— Uma montanha-russa. Uns dias estou bem, outros só quero dormir para sempre. Mas depois há momentos como este... — Peguei a mão dela com cuidado e coloquei-a sobre a minha barriga. — ...em que sinto isto.
Os olhos dela arregalaram-se quando sentiu o movimento.
— Uau... foi um pontapé?
— Foi. Está a dizer olá — sorri.
Ela riu, surpresa, e por um segundo, vi nela uma leveza que ainda não tinha mostrado desde que chegou.
— Obrigada, Isa. A sério. Acho que isto foi o mais perto de casa que senti desde que estou aqui.
— Vais ver que aos poucos... isto começa a parecer casa. Mesmo com todos os defeitos. — Pausei. — E eu estou aqui para ti. Sempre.
Ela assentiu, e terminámos a pintura em silêncio, mas já não era um silêncio pesado. Era tranquilo. Cúmplice. Familiar.
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