vinte e oito

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(Isa a narrar)

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(Isa a narrar)

Bati à porta com um toque suave.

— Jackie? Posso entrar?

Do outro lado, ouvi um "pode" abafado. Quando abri a porta, vi-a sentada no chão do quarto, em frente ao espelho, com a caixa de tinta pousada ao lado. O chapéu que lhe emprestei de manhã estava agora de lado, quase esquecido.

— vim te ajudar — disse, com um sorriso gentil, fechando a porta atrás de mim.

Ela não respondeu de imediato. Só olhou para mim com um ar cansado, os olhos ainda vermelhos. Aproximei-me e sentei-me ao lado dela, com cuidado por causa da barriga. Peguei na caixa e comecei a abrir os frascos com calma.

— Não devias estar a descansar? — perguntou ela, quase num murmúrio.

— Tu também devias estar a comer, mas cá estamos — respondi, com um encolher de ombros. — A vida é cheia de más decisões. Agora vira-te, que vou tratar disso.

Ela soltou uma pequena gargalhada e obedeceu. Enquanto misturava a tinta, o silêncio instalou-se por um momento. Era confortável. Depois de tudo, só o som da escova a mexer-se no cabelo dela enchia o espaço.

— Obrigada por isto — disse ela, baixinho.

— Não tens de agradecer. Eles passaram dos limites.

— O Cole... ele ajudou — disse, meio em dúvida, como se estivesse a tentar processar o que sentia.

— Eu sei. Mas também sei que ele está arrependido. E o Isaac... bem, ele tem a maturidade emocional de um tijolo às vezes.

Ela soltou um riso abafado. Senti-a relaxar.

— Tu gostas mesmo dele, não gostas? — perguntou de repente.

Parei por um segundo, surpreendida com a pergunta, mas depois continuei a aplicar a tinta.

— Gosto... é complicado. — Olhei para o reflexo dela no espelho. — E tu? Gostas do Cole?

Ela desviou o olhar.

— Também é complicado, não o conheço ainda muito bem.

Ficámos assim por mais alguns minutos, até que ela quebrou o silêncio novamente, desta vez com uma expressão mais curiosa.

— Como é estar grávida? — perguntou.

Sorri levemente, sentindo um pontapé suave que parecia responder por mim.

— Uma montanha-russa. Uns dias estou bem, outros só quero dormir para sempre. Mas depois há momentos como este... — Peguei a mão dela com cuidado e coloquei-a sobre a minha barriga. — ...em que sinto isto.

Os olhos dela arregalaram-se quando sentiu o movimento.

— Uau... foi um pontapé?

— Foi. Está a dizer olá — sorri.

Ela riu, surpresa, e por um segundo, vi nela uma leveza que ainda não tinha mostrado desde que chegou.

— Obrigada, Isa. A sério. Acho que isto foi o mais perto de casa que senti desde que estou aqui.

— Vais ver que aos poucos... isto começa a parecer casa. Mesmo com todos os defeitos. — Pausei. — E eu estou aqui para ti. Sempre.

Ela assentiu, e terminámos a pintura em silêncio, mas já não era um silêncio pesado. Era tranquilo. Cúmplice. Familiar.

 Familiar

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Too Young- Isaac & Lee GarciaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora