40

291 25 10
                                        


Alguns dias se passaram desde a conversa na enfermaria, e eu mantinha a distância de Luffy, exatamente como Nami havia sugerido. Evitava seu olhar, suas perguntas, qualquer tipo de interação que me fizesse reviver a dor de suas palavras. O ar no Sunny estava tenso, mas eu me forçava a sorrir, a rir das piadas de Usopp, a treinar com Zoro. Era uma farsa bem construída, mas por dentro, eu me sentia fragmentada.
Estávamos nos aproximando de uma nova ilha, e o sol da manhã batia agradavelmente no convés. Eu estava na cabeça do Sunny, absorvendo os raios solares, enquanto Usopp e Zoro estavam por perto, conversando em voz baixa. Decidi que um pouco de movimento faria bem.

— Zoro, vamos treinar! — declarei, me levantando e esticando os braços, sentindo os músculos reclamarem um pouco.

Comecei a caminhar devagar, meus pensamentos longe, imersa em minha própria bolha de angústia. De repente, meu pé escorregou em algo úmido  Senti meu corpo perder o equilíbrio, e antes que pudesse reagir, bati a cabeça com força na madeira do Sunny. A dor aguda mal teve tempo de registrar antes que eu caísse no mar, um respingo alto quebrou o silêncio.
Consegui ouvir Zoro gritar meu nome, sua voz alarmada, e o som de algo pesado caindo na água – ele havia pulado. Como usuária de Akuma no Mi, a água era minha inimiga. Minha pele formigou com a fraqueza, e as ondas começaram a me puxar para baixo, violentamente. Eu tentava me debater, mas meu corpo não respondia. Senti um impacto forte, meu corpo batendo em algo rochoso e pontudo, e então a escuridão me engoliu. A última coisa que vi foi a superfície da água se afastando, e a consciência me abandonou.

Meu corpo doía, uma ponta da constante que parecia vir de cada músculo, cada osso. A consciência vinha em flashes, como ondas suaves que me traziam de volta à superfície. Uma luz fraca e suave se espalhava pelo ambiente.

— Onde eu tô? — murmurei, tentando abrir os olhos lentamente. A luz era forte demais, e tive que piscar algumas vezes.

— Graças a Deus você acordou — uma voz conhecida disse, cheia de alívio.

— Onde eu tô? — perguntei novamente, minha voz fraca, tentando focar.

— Kiara, olha pra mim — outra pessoa disse, e seus olhos estavam cheios de lágrimas.

Forcei meus olhos a se ajustarem e vi um rosto familiar, peludo e azul. — Chopper? — Consegui dizer, uma risada fraca escapando de meus lábios.

— Sim, sou eu! — Chopper exclamou, sua voz embargada de emoção, enquanto se aproximava da cama.

De repente, uma figura alta surgiu na porta, com os braços cruzados. — Quem sou eu? — perguntou Zoro, um sorriso quase imperceptível em seu rosto.

— Zoro, né? — respondi, rindo novamente, sentindo um calor estranho no peito. Era bom vê-los.

Chopper, com a expressão séria, perguntou: — Você se lembra do que aconteceu?
Tentei forçar a memória, mas tudo era um borrão. A queda, a água, a dor... nada. — Não me lembro de nada — respondi, sentindo uma estranha calma diante da falta de lembranças.

— Você ficou dormindo duas semanas — Zoro disse, a voz séria, mas com um traço de alívio.
— Quase morri — eu disse, rindo, a ironia escapando sem querer.

— Senhorita, não brinque com isso! — Sanji exclamou, entrando na enfermaria com um prato fumegante de comida. Ele parecia ter acabado de cozinhar.

— Bom te ver bem, Kiara! — Usopp disse, um sorriso largo no rosto, mas seus olhos ainda demonstravam preocupação.

— Senhorita, vamos festejar sua melhora! — Brook exclamou, entrando logo atrás de Usopp, com sua usual animação esquelética.

— Super bem! — Franky completou, exibindo seus antebraços de metal e sua pose "SUPER".
— Deixem ela descansar — Nami disse, com um tom de repreensão gentil, mas um sorriso nos lábios.

Monkey D. Luffy Onde histórias criam vida. Descubra agora