Alguns dias se passaram desde a conversa na enfermaria, e eu mantinha a distância de Luffy, exatamente como Nami havia sugerido. Evitava seu olhar, suas perguntas, qualquer tipo de interação que me fizesse reviver a dor de suas palavras. O ar no Sunny estava tenso, mas eu me forçava a sorrir, a rir das piadas de Usopp, a treinar com Zoro. Era uma farsa bem construída, mas por dentro, eu me sentia fragmentada.
Estávamos nos aproximando de uma nova ilha, e o sol da manhã batia agradavelmente no convés. Eu estava na cabeça do Sunny, absorvendo os raios solares, enquanto Usopp e Zoro estavam por perto, conversando em voz baixa. Decidi que um pouco de movimento faria bem.
— Zoro, vamos treinar! — declarei, me levantando e esticando os braços, sentindo os músculos reclamarem um pouco.
Comecei a caminhar devagar, meus pensamentos longe, imersa em minha própria bolha de angústia. De repente, meu pé escorregou em algo úmido Senti meu corpo perder o equilíbrio, e antes que pudesse reagir, bati a cabeça com força na madeira do Sunny. A dor aguda mal teve tempo de registrar antes que eu caísse no mar, um respingo alto quebrou o silêncio.
Consegui ouvir Zoro gritar meu nome, sua voz alarmada, e o som de algo pesado caindo na água – ele havia pulado. Como usuária de Akuma no Mi, a água era minha inimiga. Minha pele formigou com a fraqueza, e as ondas começaram a me puxar para baixo, violentamente. Eu tentava me debater, mas meu corpo não respondia. Senti um impacto forte, meu corpo batendo em algo rochoso e pontudo, e então a escuridão me engoliu. A última coisa que vi foi a superfície da água se afastando, e a consciência me abandonou.
Meu corpo doía, uma ponta da constante que parecia vir de cada músculo, cada osso. A consciência vinha em flashes, como ondas suaves que me traziam de volta à superfície. Uma luz fraca e suave se espalhava pelo ambiente.
— Onde eu tô? — murmurei, tentando abrir os olhos lentamente. A luz era forte demais, e tive que piscar algumas vezes.
— Graças a Deus você acordou — uma voz conhecida disse, cheia de alívio.
— Onde eu tô? — perguntei novamente, minha voz fraca, tentando focar.
— Kiara, olha pra mim — outra pessoa disse, e seus olhos estavam cheios de lágrimas.
Forcei meus olhos a se ajustarem e vi um rosto familiar, peludo e azul. — Chopper? — Consegui dizer, uma risada fraca escapando de meus lábios.
— Sim, sou eu! — Chopper exclamou, sua voz embargada de emoção, enquanto se aproximava da cama.
De repente, uma figura alta surgiu na porta, com os braços cruzados. — Quem sou eu? — perguntou Zoro, um sorriso quase imperceptível em seu rosto.
— Zoro, né? — respondi, rindo novamente, sentindo um calor estranho no peito. Era bom vê-los.
Chopper, com a expressão séria, perguntou: — Você se lembra do que aconteceu?
Tentei forçar a memória, mas tudo era um borrão. A queda, a água, a dor... nada. — Não me lembro de nada — respondi, sentindo uma estranha calma diante da falta de lembranças.
— Você ficou dormindo duas semanas — Zoro disse, a voz séria, mas com um traço de alívio.
— Quase morri — eu disse, rindo, a ironia escapando sem querer.
— Senhorita, não brinque com isso! — Sanji exclamou, entrando na enfermaria com um prato fumegante de comida. Ele parecia ter acabado de cozinhar.
— Bom te ver bem, Kiara! — Usopp disse, um sorriso largo no rosto, mas seus olhos ainda demonstravam preocupação.
— Senhorita, vamos festejar sua melhora! — Brook exclamou, entrando logo atrás de Usopp, com sua usual animação esquelética.
— Super bem! — Franky completou, exibindo seus antebraços de metal e sua pose "SUPER".
— Deixem ela descansar — Nami disse, com um tom de repreensão gentil, mas um sorriso nos lábios.
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Monkey D. Luffy
Fanfic.... Kiara, uma jovem talentosa com o poder da Akuma no Mi "Hikari no Mi", vive uma vida simples Mas sua rotina pacata é interrompida quando um grupo de marinheiros a acusa de ser uma criminosa. Em meio à perseguição, ela se vê envolvida em uma...
