Naquela noite, meu sono foi inquieto, mas meu sonho me levou a um lugar de paz. Eu me vi em um campo de girassóis, com o sol batendo no meu rosto, e o cheiro do verão no ar. Lá, sentado em um tronco de árvore, estava Ace. Ele sorria, e seu sorriso era o mesmo de sempre, acolhedor e cheio de vida.
— Adivinhei que você viria — ele disse, com a voz baixa e familiar. — Por que você está se escondendo, Kiara?
— Eu… eu machuquei o Luffy — eu murmurei, sentindo a culpa me consumir. — Eu tentei fazê-lo sofrer, e agora ele está com raiva de mim. Eu não posso consertar o que eu quebrei.
Ace riu, um som que era música para meus ouvidos. — Acha que Luffy ficaria com raiva de você? Kiara, ele te ama. Ele só tem medo de te perder. Ele me viu morrer, e ele não quer que isso aconteça com você.
Ele se levantou e veio até mim, sua mão pousando em meu ombro. O calor que irradiava era reconfortante. — Você não é a fraqueza dele. Você é a força dele. Ele precisa de você, Kiara. Ele precisa de alguém que o ame incondicionalmente, mesmo com as cicatrizes.
— E se ele não me perdoar? — eu perguntei, sentindo as lágrimas nos meus olhos.
— Então você vai atrás dele, e o faz perdoar — ele disse, com um sorriso divertido. — Não deixe que o medo de perder o que você tem o impeça de lutar por isso. Lute por ele. Lute por si mesma.
Ace olhou para mim, sua expressão séria, mas seus olhos cheios de amor. — Seja feliz, Kiara. É tudo o que eu sempre quis para você.
Eu senti as lágrimas rolarem, mas desta vez, não eram de tristeza, mas de uma nova e urgente esperança. A imagem de Ace começou a se dissipar, mas suas palavras ficaram comigo.
Eu acordei, sentindo o sol nascer no meu rosto. Eu sabia o que tinha que fazer. Ace estava certo. Dona Rosa estava certa. Eu não podia mais me esconder.
Eu tomei um banho, a água fria me trazendo de volta à realidade. As palavras de Ace e Dona Rosa ecoavam na minha mente. Era hora de agir, de lutar pelo que eu amava. Com um novo senso de propósito, eu vesti minhas antigas roupas, aquelas que me conectavam à minha verdadeira identidade.
Antes de sair, peguei um pedaço de papel e escrevi uma mensagem para Dona Rosa. "Querida Rosa, obrigada por tudo. Obrigada por me dar um lugar para ficar, e por me dar a coragem que eu precisava. Preciso ir. Não se preocupe comigo. Um dia, espero poder te retribuir. Com carinho, Kiara."
Corri para a praia, o coração batendo forte no peito. A areia, antes quente, agora parecia fria sob meus pés. A ilha se espreguiçava sob o sol, e a brisa do mar trazia o cheiro de aventura. Eu estava pronta para voltar, para pedir desculpas, para lutar pelo meu lugar na tripulação.
Quando cheguei à praia, meu coração parou. O Sunny não estava mais lá. A água estava calma e serena, mas o vazio no lugar onde o navio estava ancorado era um abismo de dor e desespero. Eles se foram. Eles tinham me deixado para trás.
Minhas pernas fraquejaram, e eu caí de joelhos na areia, o ar me faltando. Eu tinha demorado demais. Eles tinham ido embora, e a culpa que eu sentia agora era ainda mais esmagadora do que antes.
— Droga, droga! Eles me deixaram! — eu gritei, batendo na areia com os punhos. A dor da rejeição era esmagadora. A única coisa que me restava era voltar para o restaurante e viver nesta ilha, uma prisioneira do meu próprio destino.
Eu me arrastei de volta para a cidade, meus passos pesados. A vida que eu tinha tentado construir em um dia parecia um castelo de areia que a maré havia levado embora.
Foi então que ouvi vozes de crianças. "Olha, é a moça do Chapéu de Palha!" gritou um menino, apontando para mim. Várias crianças vieram correndo, seus rostos cheios de pura inocência.
— Moça, moça! Faz mágica pra gente! — uma menina pediu, os olhos brilhando. — A gente viu você fazendo mágica com o moço que usava um chapéu de pele.
Eu hesitei. A ideia de "mágica" Mas o brilho nos olhos das crianças era irresistível. Aquela era uma mágica pura, sem intenção de machucar.
Eu sorri, um sorriso fraco, mas sincero. Com um gesto rápido, fiz uma moeda aparecer em minha mão. As crianças soltaram um coro de admiração. Eu peguei a moeda e a fiz desaparecer, e reaparecer em um outro lugar
Com um gesto da minha Akuma no Mi, a Hikari no Mi, a fruta da ilusão, fiz o ar ao redor delas brilhar com pequenas partículas de luz. As crianças soltaram um coro de admiração. Eu fiz as partículas se transformarem em borboletas coloridas, que voavam ao redor delas, e em seguida, as borboletas viraram pequenos piratas de brinquedo, que navegavam em um navio ilusório, navegando sobre as ondas da minha imaginação.
O som das risadas delas, a alegria em seus olhos, era a mágica mais bonita que eu já tinha feito. A tristeza se dissipou, substituída por um calor em meu peito.
A manhã voou. As risadas das crianças eram a trilha sonora da minha vida nova. Eu usava a Hikari no Mi para criar borboletas de luz que pousavam nas flores, pequenos navios piratas feitos de luz que navegavam sobre a água da fonte, e pequenas bolas de energia que brilhavam e mudavam de cor. As crianças aplaudiam, e por um momento, a culpa e a tristeza se dissiparam.
Foi então que um homem alto, vestindo um uniforme da Marinha, passou por mim. Ele carregava um Den Den Mushi, um caracol de comunicação. Ele me olhou, e um brilho de reconhecimento cruzou seus olhos.
— Capitão, acho que Kiara dos Chapéus de Palha está na minha frente — o marinheiro disse, a voz cheia de excitação, e o caracol repetiu a voz em um tom grave.
O sorriso em meu rosto desapareceu. As risadas das crianças se tornaram um eco distante. A adrenalina me invadiu. A Marinha havia me encontrado.
— Droga — eu murmurei, e o medo me consumiu.
O pânico me invadiu, mas durou apenas um instante. O olhar dos marinheiros se fixou em mim, e o Den Den Mushi, com sua voz grave, repetia as palavras do marinheiro, confirmando a minha identidade. As crianças, confusas com a mudança em meu semblante, me olhavam, suas risadas se dissipando no ar.
Eu não podia lutar ali. A minha primeira prioridade era proteger as crianças. Com um rápido movimento, usei o meu poder da Hikari no Mi. Criei uma ilusão massiva de uma criatura marinha gigantesca, que se ergueu da fonte de água, soltando um rugido assustador. O marinheiro, assustado, largou o Den Den Mushi e se jogou no chão. A ilusão era tão convincente que as outras pessoas na praça começaram a gritar, correndo em pânico.
Eu aproveitei o caos. Agarrei a mão da menina mais próxima e, com um olhar, guiei as outras crianças para um beco seguro. O medo delas era visível, mas a confiança em mim era maior. Eu as levei para um lugar seguro e disse, com a voz baixa e urgente:
— Fiquem aqui e não saiam, por favor.
Elas assentiram, e eu me virei. A minha paz, a minha nova vida, tudo havia acabado. A Marinha sabia onde eu estava, e a única coisa que me restava era fugir.
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Monkey D. Luffy
Fanfic.... Kiara, uma jovem talentosa com o poder da Akuma no Mi "Hikari no Mi", vive uma vida simples Mas sua rotina pacata é interrompida quando um grupo de marinheiros a acusa de ser uma criminosa. Em meio à perseguição, ela se vê envolvida em uma...
