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Ficamos assim por horas. No silêncio do abraço de Luffy, eu consegui sentir a tempestade se acalmando dentro de mim. O sol no céu e o mar em movimento eram as únicas coisas que preenchiam o silêncio. Eu conseguia sentir os olhares da tripulação em nós, mas ninguém ousou nos interromper. Eles sabiam que aquele era um momento só nosso.
Quando ele finalmente se afastou do abraço, o ar pareceu voltar aos meus pulmões. Seus olhos, que antes estavam cheios de dor e tristeza, agora estavam calmos, mas sérios. Ele olhou para mim por um momento, e então, para o resto da tripulação.

— Me desculpem — ele disse, com a voz baixa e rouca. — Eu… eu agi como um idiota.

A tripulação inteira ficou em silêncio.
O silêncio no convés era tão pesado quanto a minha culpa. O pedido de desculpas de Luffy,, na verdade era um pedido de paz para mim. Eu sabia que a minha vez de falar tinha chegado.

— Me desculpa por ter feito isso. Fui egoísta — eu disse, com a voz embargada, sentindo as lágrimas voltarem aos meus olhos. — Eu não pensei em você, em seus medos, em sua dor. Eu só pensei na minha.

Luffy me olhou nos olhos, a tristeza que eu havia visto antes agora substituída por uma profunda compreensão. Ele segurou minha mão e a beijou, um gesto simples, mas que valia mais do que mil palavras.

— Eu entendo — ele sussurrou. — Eu entendo a sua dor. E eu sinto muito por ter causado isso. Eu sei que minhas palavras te machucaram, mas… mas eu só tinha medo de te perder. Ace se foi… e eu não posso te perder também.
As palavras dele me atingiram no coração. Ele não estava me rejeitando. Ele estava me protegendo. E a sua sinceridade era a resposta que eu precisava.

— Eu não vou te deixar, Luffy — eu disse, sentindo as lágrimas rolarem pelo meu rosto. — Eu te amo. Eu sou a sua companheira, e eu estarei com você até o fim.
Luffy me abraçou novamente, mas desta vez,  E eu soube que, não importa o que acontecesse, eu sempre estaria ao seu lado.

— Eu te amo. Você será minha rainha — Luffy disse, as palavras soaram em meu ouvido, fazendo meu coração bater forte.

As lágrimas voltaram aos meus olhos, mas desta vez, eram de pura alegria. Ele não me via como uma fraqueza, como uma companheira, mas como a sua rainha. A sua rainha. A mulher que ele amaria e protegeria, não importasse o que acontecesse.

— Chega de melancolia! Vamos comemorar! — Usopp gritou, quebrando o silêncio com sua voz animada. Ele balançou os braços para o alto, e a tripulação o seguiu.
Luffy me soltou, mas segurou minha mão. Eu me virei para o resto da tripulação, o coração batendo forte.

— Primeiro, quero pedir perdão a todos vocês — eu disse, fazendo uma reverência profunda. As lágrimas, que eu pensava ter esgotado, voltaram aos meus olhos. — Vocês são a minha família, e eu os machuquei. Espero que possam confiar em mim novamente.

A reverência foi respondida com um silêncio, mas não era um silêncio de desaprovação, mas de compreensão.

— O que é isso, sua idiota? — Zoro disse, com um sorriso. — Você acha que a gente ia te deixar pra trás? Você é a nossa nakama.

— Exato! — Chopper gritou, pulando em meu colo. — Eu nunca parei de acreditar em você!

Sanji se aproximou, e seus olhos, que antes estavam cheios de mágoa, agora estavam cheios de alívio. Ele acendeu um cigarro, exalando a fumaça lentamente. — Senhorita… eu sinto muito por ter agido como um idiota. Eu só queria protegê-la. Mas eu entendo. E a sua lealdade à tripulação é a coisa mais importante.

— Não se preocupe, Kiara — Nami disse, com um sorriso gentil. — Nós sabíamos que você voltaria.

— E, afinal de contas, você é a companheira do nosso capitão — Robin disse, com um sorriso enigmático.

A tripulação inteira me abraçou, e eu soube que, não importa o que acontecesse, eu sempre estaria segura com eles. Eu tinha encontrado a minha família, e, por mais que eu tivesse me perdido no caminho, eu tinha encontrado o meu lar.

A tripulação se afastou, dando a Sanji e a mim um momento Ele se aproximou, sua expressão era séria, mas seus olhos, cheios de sinceridade.

— Senhorita… eu sinto muito — ele disse, com a voz baixa. — Quando eu a vi no restaurante… eu não estava com raiva. Eu só… eu vi o Luffy logo atrás de mim. Eu não queria que ele, o nosso capitão, tivesse que fingir que você tinha abandonado o bando. Então eu agi como um idiota.

As palavras dele me atingiram. O seu "vamos embora" não era uma rejeição, mas sim um gesto de proteção. Ele estava tentando proteger Luffy de uma dor que ele achava que era inevitável. Eu me senti ainda mais culpada, mas também profundamente tocada por seu gesto.

Foi então que Robin se aproximou. — Na verdade, voltamos para o Sunny para trocar de lugar. Tínhamos visto a Marinha na cidade, e não queríamos que o Sunny fosse pego de surpresa.

A verdade me atingiu como uma revelação. Eles não me deixaram para trás. Eles estavam me procurando, e a minha fuga da Marinha, por mais que tenha sido um ato de desespero, havia me levado de volta para eles. O universo, de alguma forma, havia me dado uma segunda chance
O sol brilhava no convés, e as vozes da tripulação se juntaram em um coro de alívio. O tempo da tristeza e da mágoa havia acabado.

— Vamos fazer uma super festa! — Franky gritou, com as luzes de seus braços piscando em comemoração.

— Para o rei e a rainha dos Piratas, uma música! — Brook disse, com seu violino já em mãos, começando a tocar uma melodia alegre e apaixonada.

Luffy se virou para mim, seus olhos cheios de alegria e amor. Ele estendeu a mão, e um sorriso gentil se espalhou por seu rosto.

— Me daria a honra dessa dança? — ele perguntou, com a voz baixa e cheia de emoção.

— Sim — eu disse, segurando sua mão.
A música de Brook preencheu o ar, e nós começamos a dançar. Não era uma dança elegante, mas uma dança cheia de paixão e alívio, de um amor que havia sido testado e fortalecido. O sol se pôs, e a luz do céu nos iluminou, selando a nossa reconciliação.

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