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As palavras de Nami e Robin martelaram em minha mente, dolorosamente verdadeiras. Eu não podia forçar Luffy a se abrir, não depois de tudo. O mínimo que eu podia fazer era respeitar seu espaço, demonstrar que eu estava ali, que eu entendia, sem precisar de palavras.
Eu me afastei do convés e, ao invés de me isolar no meu quarto, decidi ir para a cozinha. Sanji, com o rosto ainda sério, estava limpando a louça. Não falei nada, apenas peguei um pano e comecei a ajudá-lo, limpando um prato após o outro. Era um trabalho simples, mas o movimento repetitivo me ajudou a organizar meus pensamentos.

Sanji, sem me olhar, disse: — Ele vai ficar bem. Mas a senhorita tem que se lembrar que a dor que ele sente agora é a mesma que a sua. Ele só não sabe como expressá-la.

Eu apenas assenti. Sanji estava certo. Eu tinha que ser paciente. A vingança me fez sentir que a dor dele era a minha vitória, mas agora eu percebia que a dor dele era minha, também. Ele não era apenas um capitão, ele era a pessoa que eu amava, e agora, eu só queria que ele me deixasse cuidar dele.

O dia se arrastou, e o silêncio era o meu único companheiro. A tripulação, vendo minha mudança de comportamento, também parou de falar sobre o assunto, nos dando a privacidade que precisávamos. Eu continuei ajudando Sanji na cozinha, e depois me sentei no convés, observando o mar, esperando. Esperando o momento certo para tentar, mais uma vez, consertar o meu erro.

A brisa morna da Bahia tocava meu rosto enquanto eu vagava pelo convés, a culpa ainda pesando sobre meus ombros. A noite tinha sido longa, marcada por um silêncio doloroso e pela minha própria introspecção. Eu precisava fazer as pazes com Luffy, mas a imagem dele fugindo de mim ainda estava fresca em minha mente.
Distraidamente, meus pés me levaram para perto da enfermaria. A porta estava entreaberta, e ouvi vozes baixas vindas de dentro. Reconheci a voz preocupada de Chopper e, para minha surpresa, a voz rouca e hesitante de Luffy.

"— Chopper… tem como… tem como curar o coração?"

A pergunta me atingiu como um raio. Fiquei paralisada, a mão pairando no ar, prestes a tocar a maçaneta da porta. O coração. Ele estava falando de dor emocional, da ferida que eu havia causado.
A voz de Chopper respondeu, suave e compassiva: —"Capitão… não existe remédio para isso. O tempo… o tempo ajuda a cicatrizar. E… conversar sobre o que você está sentindo."
Um silêncio pesado se seguiu, quebrado apenas pela respiração irregular de Luffy. A vulnerabilidade em sua pergunta era palpável, e a realização do impacto das minhas ações me atingiu com ainda mais força. Ele estava sofrendo. E eu era a culpada.

Meu coração apertou. Eu não podia mais esperar. Ele estava se machucando, e eu precisava, desesperadamente, tentar curar essa ferida, mesmo que eu não soubesse como.

O som de meu próprio coração batendo alto em meus ouvidos me impediu de me mover. Fiquei ali, imóvel, espiando pela fresta da porta. A imagem de Luffy, o capitão destemido, buscando conselhos sobre como "curar o coração", partiu o meu em mil pedaços. Ele estava sofrendo por minha causa.

A voz de Chopper, com sua sabedoria inesperada, era um bálsamo, mas eu sabia que não era suficiente. O tempo não curaria isso, não sem que eu fizesse a minha parte. A culpa me consumiu. Eu havia sido egoísta, cruel, e agora eu estava presenciando as consequências de minhas ações.
Minhas pernas finalmente voltaram a funcionar, e eu me afastei da porta, meus passos lentos, hesitantes. Eu não podia entrar, não agora, não sem saber o que dizer. Eu precisava de ajuda. Eu precisava de um plano, uma estratégia para consertar o que eu havia quebrado.

Meus passos, hesitantes, me levaram de volta para a cozinha. O cheiro de café da manhã já havia sumido, substituído pelo aroma de especiarias e limpeza. Pela fresta da porta, pude ver Nami, Robin e Sanji reunidos, a tensão em seus rostos palpável. Eles não me viram.

— Ela não devia ter feito isto — Nami murmurou, passando a mão pelos cabelos ruivos, a frustração evidente em seu rosto. Ela tamborilava os dedos na mesa, um hábito nervoso que eu conhecia bem.

— Zoro ainda sabia e concordou — Robin disse, tomando um gole calmo de seu chá, mas seus olhos, através da fumaça, estavam fixos em um ponto distante, como se estivesse analisando o quebra-cabeça da situação. A calma dela era mais assustadora do que a irritação de Nami.

— Mas ela teve seus motivos. Ele quebrou o coração dela — Sanji defendeu, acendendo um cigarro com o punho fechado, a voz carregada de raiva e lealdade. O brilho em seus olhos era um fogo protetor.

Fiquei ali, imóvel, meus ombros caindo com o peso das palavras deles. Era a minha vez de ouvir a verdade, a fria e dura realidade do que eu havia feito. A dor que eu sentia não era apenas minha, era a dor de uma família dividida por causa das minhas ações.
Eu entrei na cozinha, a porta rangeu suavemente, atraindo a atenção de todos. Os três me olharam, suas expressões endurecidas pela surpresa. A dor em seus rostos, a desilusão que eu tinha causado, foi mais forte do que qualquer bronca que eles poderiam ter me dado.

— Me desculpem, por favor — eu disse, sentindo as lágrimas voltarem aos meus olhos. — Eu não queria causar dor a ele.

Fiz uma reverência profunda, uma pose que eu não sabia de onde vinha, mas que parecia a única forma de expressar o quanto eu estava arrependida.

— Senhorita, não é isso… — Sanji começou, mas eu o interrompi, a culpa me consumindo.

— Eu vou resolver! — eu declarei, e me virei, correndo para o meu quarto.

A reação deles foi um silêncio pesado. Eu não os ouvi me seguindo, nem me chamando de volta. Eu sabia que todos estavam chateados comigo. Eu não tinha apenas machucado Luffy, eu tinha ferido a todos. A confiança que eles tinham em mim, a amizade que eu pensei que estávamos construindo… tudo estava em ruínas.
Eu me joguei na cama, o rosto enterrado no travesseiro, e chorei. A minha vingança, que eu pensei que traria uma sensação de alívio, tinha me deixado vazia. Eu havia machucado a pessoa que eu mais amava, e agora, a única coisa que eu podia fazer era tentar consertar o que eu havia quebrado.

( tô no hospital como acompanhante do meu tio resolvi escrever um pouco 😘)

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