O beijo era urgente, desesperado, quase possessivo. Eu senti o sabor familiar de seus lábios, o cheiro de sol e aventura que era tão dele. Meu corpo reagiu instintivamente, uma resposta automática a um sentimento que eu havia tentado enterrar. Por um segundo, eu me deixei levar, a dor da rejeição momentaneamente esquecida, substituída pela vertigem daquele contato.
Mas então, as palavras cortantes voltaram à minha mente como um raio: "Quero que você esqueça qualquer sentimento que tenha por mim. Esqueça o beijo." A raiva, que havia sido a base do meu plano de "vingança", reacendeu-se. Ele estava me beijando agora, me proibindo de ir, depois de ter me jogado fora com tanta crueldade?
A dor da memória colidiu com a intensidade do presente. Meus punhos, que antes estavam relaxados, cerraram-se contra o peito dele. Empurrei-o levemente, o suficiente para quebrar o beijo, ofegante.
— Luffy! — minha voz saiu embargada, uma mistura de fúria e confusão. — O que... o que você está fazendo?
Ele me olhou, seus olhos escuros ainda carregados de uma paixão turbulenta, mas também com um medo latente. — Eu... eu não posso te perder, Kiara. Não agora.
As palavras dele, tão contraditórias com o que ele havia dito antes, me deixaram ainda mais irritada. Ele estava com medo de me perder agora, mas não havia se importado em me afastar antes?
— Você recuperou a memória? — Luffy perguntou, a voz quase inaudível, um sussurro de choque e traição. Seus olhos se arregalaram, fixos em mim, a paixão de segundos antes substituída por um terror gélido.
— Não importa — eu disse, puxando meu braço de sua mão com força e me levantando da cama. A dor que ele havia me causado, o desdém por meus sentimentos, tudo isso queimava em minha garganta.
Ele se levantou também, seu rosto contorcido em uma mistura de desespero e incompreensão. — Vamos conversar! — ele implorou, sua voz um pouco mais alta, estendendo a mão novamente para me alcançar.
Virei-me para ele, os olhos marejados, mas com uma frieza que eu sabia que o atingiria mais do que qualquer grito. Joguei suas próprias palavras de volta em seu rosto, cortantes e cruéis, exatamente como ele havia feito comigo.
— Quero que você esqueça qualquer sentimento que tenha por mim.
O ar pareceu sair dos pulmões de Luffy. Ele recuou um passo, a mão que antes tentava me alcançar caindo inerte ao seu lado. Seus olhos, que momentos antes imploravam, agora mostravam uma dor profunda, uma compreensão do peso de suas próprias ações. A vingança, amarga e doce, estava sendo servida.
— Não faz isso comigo — Luffy disse, a voz baixa, quase um sussurro quebrado, a dor em seus olhos era palpável.
— Você não deveria ter feito isso comigo — respondi, sentindo as lágrimas quão familiares descerem pelo meu rosto, quentes e amargas. A dor dele era um espelho da minha, mas a minha veio primeiro.
— Não chora — ele disse, vindo em minha direção, a mão estendida, um desespero silencioso em cada movimento.
Dei um passo para trás, afastando-me de seu toque. A memória de sua rejeição ainda era crua.
— Não me toque, Luffy — minha voz falhou, mas a ordem foi clara.
— Por favor — ele implorou, e para minha surpresa, caiu de joelhos no chão, os olhos fixos em mim, uma vulnerabilidade que eu nunca imaginei ver no futuro Rei dos Piratas.
Aquela imagem me quebrou. A fúria deu lugar a uma dor profunda. — Luffy... — murmurei, incapaz de dizer mais. A emoção era avassaladora.
Virei-me e saí do quarto o mais rápido que pude, me encostando na parede do corredor, as lágrimas escorrendo livremente pelo meu rosto. Eu ouvia os barulhos vindos do quarto dele, o som de coisas sendo quebradas, a manifestação da sua própria angústia.
Entre soluços, mal audível, sussurrei a verdade que eu havia tentado esconder até de mim mesma: — Eu te amo.
( quase chorei escrevendo isso 😪)
Em minutos, Sanji e Zoro já estavam em pé ao meu lado. O barulho vindo do quarto de Luffy era inconfundível, uma mistura de fúria e desespero. Sanji estava pálido, e Zoro tinha uma expressão sombria no rosto. Eles sabiam que algo sério havia acontecido.
— O que aconteceu? — Zoro perguntou, sua voz grave, os olhos varrendo meu rosto marcado pelas lágrimas.
— Me tira daqui — eu murmurei, minha voz embargada, mal conseguindo falar entre os soluços. A visão de Luffy de joelhos, o beijo, minhas próprias palavras e a reação dele... tudo era demais.
Zoro não hesitou. Ele me olhou por um instante, uma compreensão silenciosa passando por seus olhos.
— Cuida dela, Sanji — ele disse, a ordem era clara e imediata.
Antes que Sanji pudesse responder, Zoro já estava se movendo em direção à porta do quarto de Luffy, sua mão já na maçaneta. A tempestade que havia começado agora desabava por completo.
— Senhorita, se me permite — Sanji disse,
Voz suave e preocupada, antes de me pegar no colo com uma delicadeza surpreendente. Ele me levantou e me carregou para o quarto de Zoro, um lugar que, por alguma razão, parecia um refúgio seguro naquele momento de caos.
Ele me sentou na cama de Zoro, que era surpreendentemente arrumada para o espadachim. Sanji se ajoelhou à minha frente, seus olhos azuis cheios de uma compaixão que me fez sentir um pouco menos sozinha.
— Me diga o que aconteceu — Sanji pediu, sua voz baixa e gentil, esperando que eu me abrisse. Ele não me pressionou, apenas esperou, com uma paciência que eu não esperava dele.
Eu olhei para Sanji, seu rosto preocupado me observando com uma sinceridade que me desarmou. Aquele era o momento. Não havia mais como esconder. Não para ele, que estava ali, genuinamente preocupado, enquanto Zoro enfrentava a fúria de Luffy.
— Eu… eu me lembro de tudo, Sanji — confessei, minha voz embargada, e as lágrimas recomeçaram a rolar pelo meu rosto.
Os olhos de Sanji se arregalaram ligeiramente, e ele se inclinou para trás, processando minhas palavras. — Você… você recuperou a memória, senhorita? Mas como…? E por que não disse nada?
— Sim, eu me lembrei de tudo quando estava no meu quarto, alguns dias atrás — expliquei, a dor se misturando com a raiva enquanto eu revivia aqueles momentos. — E eu não disse nada… porque ele me pediu para esquecer. Ele disse que eu era uma fraqueza, que ele não podia ter laços emocionais porque seus inimigos poderiam usar isso contra ele.
Sanji cerrou os punhos, uma veia saltando em sua testa. — Aquele idiota! Como ele pôde dizer uma coisa dessas para a senhorita?!
— Eu… eu queria que ele sentisse o que eu senti — continuei, as palavras saindo em um jorro. — Então, eu e o Zoro… e o Law, nós planejamos fazer ele sentir ciúmes. Para ele perceber que afastar as pessoas não o torna mais forte, só o torna sozinho.
O rosto de Sanji suavizou um pouco, e ele me puxou delicadamente para um abraço. — Senhorita… eu sinto muito que ele tenha te feito passar por isso. Mas o Luffy… ele é um cabeça-dura. Ele se preocupa demais, à maneira dele, e às vezes, ele estraga tudo.
— Eu sei — murmurei, enterrando o rosto em seu ombro, o cheiro de fumaça e especiarias me consolando. — Mas eu não queria que doesse tanto. Eu não queria que ele ficasse assim…
Do lado de fora do quarto, os barulhos diminuíram. O silêncio que se seguiu era quase mais assustador do que a fúria anterior de Luffy. Sanji me soltou, seus olhos fixos na porta.
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Monkey D. Luffy
Fanfiction.... Kiara, uma jovem talentosa com o poder da Akuma no Mi "Hikari no Mi", vive uma vida simples Mas sua rotina pacata é interrompida quando um grupo de marinheiros a acusa de ser uma criminosa. Em meio à perseguição, ela se vê envolvida em uma...
