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A manhã amanheceu completamente, dourando o convés do Sunny. A brisa que vinha da ilha era quente e carregava o cheiro de flores exóticas. Eu e Usopp conversávamos, sentados na amurada, e as palavras dele me trouxeram um pequeno conforto em meio à tempestade de emoções que eu sentia.
De repente, o navio estremeceu levemente. Franky, com sua voz potente e cheia de entusiasmo, anunciou: "Super! Ancoramos! Vamos desbravar essa ilha, piratas! Quem quer uma Super aventura?".
Eu sorri, um sorriso fraco, mas sincero. O som dele me tirou, por um momento, do meu próprio mundo de dor. Usopp me olhou, seu sorriso era gentil e esperançoso.
— O que você me diz? O sorvete ainda está de pé — ele disse, com um brilho nos olhos. — Eu, você e Chopper. Vamos sair um pouco do navio.
Eu olhei para a ilha. A paisagem era exuberante e convidativa. Eu poderia ficar no navio, me escondendo da minha dor, ou poderia dar o primeiro passo
— Sim, eu topo — eu disse, um sorriso genuíno, mas fraco, surgindo em meus lábios
Usopp correu, animado, para avisar Chopper, e eu fiquei sozinha no convés, observando a ilha. O sol batia no meu rosto, e a brisa do mar me trouxe de volta à realidade. Não podia me esconder por trás de Usopp e Chopper. Eu precisava enfrentar meus problemas de frente, sem a proteção da tripulação.
Foi então que decidi. Eu precisava ir sozinha. Eu não estava fugindo, mas estava indo em busca de um lugar onde pudesse ser eu mesma novamente.
— SUPER! — Franky gritou, passando por mim com sua pose habitual, e acenou com a cabeça. — A ilha está pronta para a gente!
Foi então que decidi. Eu precisava ir sozinha. Eu não estava fugindo, mas estava indo em busca de um lugar onde pudesse ser eu mesma novamente
A brisa quente da ilha me envolveu assim que pisei em terra firme. O sol já estava alto, e o cheiro de flores exóticas e especiarias flutuava no ar. Eu caminhei pela areia, os grãos quentes entre meus dedos, e não olhei para trás. A visão do Sunny, silencioso e majestoso, era um fantasma que eu não podia enfrentar.
Eu me perdi nas ruas da cidade, me misturando à multidão. A música alegre que saía das tavernas, as barracas de comida, as crianças rindo… tudo era novo e vibrante, e a vida parecia seguir sem as preocupações que me atormentavam. Era um mundo sem Luffy, sem a tripulação, sem a minha dor.
Eu caminhei até a praça central, onde uma estátua de um herói local se erguia sobre uma fonte. Sentei-me em um banco, observando as pessoas passarem, e a decisão se formou em minha mente. Eu não voltaria.
A minha presença no Sunny tinha se tornado um fardo. Eu havia machucado o Luffy, e a dor que eu causei havia se espalhado por toda a tripulação. Eu não era mais uma companheira, eu era uma tempestade. A minha vingança, por mais justificada que fosse, havia quebrado algo que não poderia ser consertado.
Talvez, a única forma de consertar as coisas fosse ir embora. Deixá-los seguir em frente. Deixar o Luffy seguir o seu sonho de se tornar o Rei dos Piratas, sem ter uma "fraqueza" a se preocupar. Eu o amava demais para ficar e causar mais dor.
A minha decisão estava tomada. Eu iria ficar. Iria deixar o meu passado para trás, assim como ele havia me pedido para fazer. Só que, desta vez, seria para o bem dele.
Eu vaguei pela cidade, a dor da minha decisão pesando em cada passo. Minha jornada me levou a uma praça movimentada, onde o ar era preenchido com o aroma de comida e especiarias. Foi então que meus olhos pararam em um pequeno e aconchegante restaurante, com uma placa de madeira na porta que dizia "O Sabor da Ilha".
Uma mulher de cabelos grisalhos e um sorriso caloroso estava na entrada, limpando uma mesa. Ela me olhou, e seus olhos, cheios de sabedoria, pareceram enxergar minha alma.
— Olá, querida. Você parece perdida — ela disse, com uma voz suave e acolhedora.
Eu não sabia o que responder. A verdade era que eu estava mais perdida do que nunca.
— O meu nome é Rosa, e este é o meu restaurante. Você por acaso não está procurando um trabalho? Estou precisando de uma garçonete — ela continuou, sem me dar tempo de responder.
Eu olhei para ela, e a sua oferta parecia um presente, uma segunda chance. Era o universo me dizendo que eu havia feito a escolha certa. Era a minha chance de começar de novo, de ser alguém diferente.
— Sim, eu estou — eu disse, um sorriso fraco surgindo em meus lábios. — Eu aceito.
Dona Rosa sorriu, seu rosto se iluminando. — Ótimo! Pode começar amanhã. O pagamento é bom, e a comida é deliciosa.
Ela me mostrou um pequeno quarto atrás do restaurante, um lugar simples, mas limpo e aconchegante. Era um lugar para eu descansar, para me curar, para começar uma nova vida. Eu não era mais a companheira dos Chapéus de Palha, eu era a garçonete do Sabor da Ilha.
— A senhora poderia me indicar um lugar para dormir? — perguntei, a voz um pouco hesitante, sentindo-me envergonhada por já estar pedindo tanto. Eu tinha deixado tudo para trás, inclusive um lugar para ficar.
Dona Rosa sorriu, seu rosto enrugado se iluminando de calor. — Você pode dormir aqui no restaurante, querida. Tenho um pequeno quarto nos fundos. É simples, mas é limpo e seguro.
A oferta me pegou de surpresa, e as lágrimas que eu havia segurado a manhã inteira ameaçaram voltar. A bondade dela era um bálsamo para a minha alma ferida. Era o universo me dando a chance de recomeçar.
Ela me conduziu aos fundos, onde uma pequena porta de madeira se abriu para um quarto aconchegante. Havia uma cama simples, uma janela que dava para um pequeno jardim, e o cheiro de flores frescas enchia o ar. Era um lugar de paz, o oposto do caos emocional que eu havia experimentado nos últimos dias.
Deitei-me na cama, sentindo o alívio profundo de finalmente estar em um lugar onde eu não precisava me esconder. Eu não era mais a companheira dos Chapéus de Palha, eu era a garçonete do Sabor da Ilha. Uma nova vida, uma nova identidade, um novo começo.
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Monkey D. Luffy
Fanfic.... Kiara, uma jovem talentosa com o poder da Akuma no Mi "Hikari no Mi", vive uma vida simples Mas sua rotina pacata é interrompida quando um grupo de marinheiros a acusa de ser uma criminosa. Em meio à perseguição, ela se vê envolvida em uma...
