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+16| Hannah Hernández, enlaçada pela saudade da infância perdida, retorna a Barcelona com o intuito de se aproximar de seus pais e o cultivo acadêmico. Inesperadamente, seu mundo se transforma ao se envolver com Pablo Gavi, a promessa do...
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Alguns dias se passaram desde meu aniversário, dias lentos demais para o meu gosto, dias em que ocupei minha cabeça tentando não me recordar da forma em que Pablo foi embora naquela noite.
E eu estava indo bem. Até vê-lo ontem saindo do CT acompanhado de Fermín. E por mais estúpido que seja, eu não esperava encontra-lo em seu ambiente de trabalho, todos os jogadores estão de recesso devido as festas de fim de ano e, nas condições que ele está, isso se estende a ele.
Mas parece que ele quis ir fazer fisioterapia ontem. Segundo meu pai, meu ex namorado solicitou mais alguns exames com resultados para o início do ano, por conta de sua inquietação em não poder retornar logo aos gramados.
Enquanto isso, toda a equipe pede para que ele tenha paciência. Mas eu conheço Pablo melhor do que ninguém e imagino o quão ele deve estar surtando com todos os pedidos de calma.
Por sorte, ele não me viu. Mas talvez, ele não gostaria de ter visto.
Continuei andando como se nada tivesse acontecido. Como se meu coração não tivesse dado um salto ridículo dentro do peito no segundo em que reconheci a forma do corpo dele, o jeito impaciente de andar mesmo mancando levemente, a cabeça baixa demais pra alguém que sempre caminhou como se o mundo tivesse que abrir espaço.
Foi automático. Instintivo.
Me escondi.
Entrei na primeira sala que vi pela frente, mais por reflexo do que por vontade. Minhas mãos tremiam, e eu odiei isso. Odiar ainda reagir. Odiar ainda sentir. Odiar ainda saber exatamente como ele se sente mesmo sem trocar uma palavra.
Porque a verdade é que, mesmo sem vê-lo de frente, mesmo sem ouvir sua voz, eu sei.
Eu sei como ele deve ter passado a noite anterior. Eu sei o quanto a lesão o faz se sentir inútil. Eu sei que ele odeia depender de alguém. Eu sei que ele odeia esperar.
E talvez seja por isso que ele tenha ido ao CT. Não por obrigação. Mas porque aquele lugar ainda é o único onde ele se reconhece.
Meu celular vibra sobre a mesa e quase me assusto. Uma mensagem da Melissa perguntando se eu ainda estava de pé para encontrá-la mais tarde. Digito que sim. Que estou bem. Que só preciso espairecer um pouco.
Mentira pequena.
Inofensiva.
Daquelas que a gente conta mais pra si do que pros outros.
O problema é que vê-lo assim, de longe, ferido, inquieto, mexe comigo de um jeito perigoso. Porque desmonta a imagem que tentei construir nos últimos dias: a de que aquela noite foi um erro isolado.