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+16| Hannah Hernández, enlaçada pela saudade da infância perdida, retorna a Barcelona com o intuito de se aproximar de seus pais e o cultivo acadêmico. Inesperadamente, seu mundo se transforma ao se envolver com Pablo Gavi, a promessa do...
Às vezes, a vida não precisa destruir tudo de uma vez; basta levar embora, aos poucos, cada coisa que nos fazia acreditar que ainda tínhamos um lugar para voltar.
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Emília me pediu uma noite.
Uma noite sem pensar demais.
Posso dar isso a ela.
Quando abro os olhos novamente, uma música diferente começa a tocar e algumas pessoas comemoram. Sorrio sem perceber.
Então sinto alguém esbarrar no meu ombro.
— Desculpa. — viro o rosto imediatamente.
Um garoto segura um copo em uma das mãos e me olha com uma expressão constrangida.
— Tudo bem. — respondo.
— Você é nova aqui? — ele sorri.
— Mais ou menos. — ele franze a testa, divertido.
— Como assim? — pergunta curioso.
— É uma história longa. — é a forma que tento escapar.
— Eu gosto de histórias longas. — um sorriso involuntário aparece nos meus lábios, pela sua insistência que curiosamente não está me incomodando.
— Você é sempre assim? — pergunto deixando que minha cabeça caia um pouco para o lado.
— Assim como? — pergunta, cruzando os braços e me olhando com atenção.
— Atrevido. — sou direta e ele ri.
— Só quando acho que vale a pena. — responde com descontração, mas o jeito que me olha, faz meu sorriso morrer um pouquinho.
E novamente, algo nessa conversa, me leva até meu ex namorado. Em todas interações quando nos conhecemos. Em como Pablo sempre foi presunçoso de mais. Na forma que me abordou quando pensou que eu e Vinicius tínhamos algo.
Antes que eu consiga responder, escuto a voz de Emília atrás de mim.
— Hannah! — olho por cima do ombro e vejo a cacheada voltando com a mesma menina de antes.
Ela para assim que percebe o garoto ao meu lado.
Depois olha para mim. Depois para ele. E então abre um sorriso malicioso. Eu já conheço aquela expressão. E me seguro para não revirar os olhos por saber o que ela está pensando.
— Ah... — ela murmura. — Entendi.
— Não começa. — já falo.
— Eu não falei nada. — ela se defende.
— Mas pensou. — rebate.
— Muito. — admite e dessa vez reviro os olhos, mas sorrio também.
E, pela primeira vez na noite, percebo uma coisa estranha. Não estou pensando em voltar para casa.