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Bárbara ON

O som do elevador ecoa pelo corredor quando fecho a porta do meu apartamento. Seguro a bolsa com uma das mãos e o celular com a outra, já me preparando mentalmente para o dia que promete ser longo. Irei visitar meus pais.

Quando as portas se abrem, dou de cara com ele.

Gabriel.

Camisa social dobrada nos cotovelos, cabelo bagunçado de propósito, aquele olhar que parece sorrir antes mesmo da boca. Ele segura uma xícara térmica e um maço de papéis ,provavelmente atrasado para alguma reunião, mas sem parecer minimamente preocupado.

- Ah - ele diz, com um sorriso leve. - A vizinha mais pontual do prédio.

- E o vizinho mais falante - retruco, tentando não rir.

- Falante não. Comunicativo - corrige, apertando o botão do térreo. - É diferente.

O elevador começa a descer e o silêncio se instala, pontuado apenas pelo som distante das engrenagens. Tento fingir que estou olhando as notificações no celular, mas sinto o olhar dele sobre mim.

- Novo perfume? - ele pergunta.

Levanto os olhos, surpresa.

- É... Sim.

- Tem cheiro de manhã ensolarada - comenta, como se estivesse dizendo algo completamente normal.

Dou risada, meio nervosa.

- Você tem um talento pra deixar as pessoas sem saber o que responder, sabia?

- Tenho? - Ele inclina a cabeça. - Então é um talento útil.

Olho para o número do andar piscando. Falta pouco para chegarmos ao térreo, mas o ar dentro do elevador parece denso. E é quando ele fala, num tom mais baixo:

- Não costumo ter companhia tão boa a essa hora do dia.

Por um instante, esqueço como respirar.

A porta se abre e o feixe de luz da entrada do prédio nos envolve. Ele segura a porta com o braço, num gesto quase automático.

- Obrigada - murmuro, passando por ele.

- Qualquer coisa, vizinha -responde, sorrindo de canto. -Moro no andar de cima, lembra?

Como se eu pudesse esquecer.

Saio apressada.

Esqueço Gabriel e começo a pensar em Victor.

Victor, com seus gestos contidos, seu olhar sério, seu jeito de me segurar como se o mundo inteiro coubesse nas mãos dele.

Suspiro e sigo o dia.

Quando o sol começa a se esconder, o apartamento fica banhado por aquele tom dourado que parece aquecer tudo

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Quando o sol começa a se esconder, o apartamento fica banhado por aquele tom dourado que parece aquecer tudo. Acendo as luzes da cozinha e coloco uma trilha sonora calma.

Estou cortando tomates quando escuto a chave girando na porta.

- Amor? - a voz dele chega antes do corpo.

- Aqui na cozinha!

Ele aparece no vão da porta, gravata afrouxada, mangas dobradas, cabelo um pouco desalinhado. O tipo de bagunça que só existe no final de um dia cansativo.

- Que cheiro bom… -diz, chegando perto. - Você está cozinhando?

-Tentando, pelo menos - brinco, levantando a faca como se fosse uma ameaça. - Se der errado, a culpa é do tomate.

Ele ri, aquele riso discreto, mas sincero. Envolve minha cintura e me puxa para perto, encostando o queixo no meu ombro.

Meu corpo se derrete no instante.

Victor é diferente de Gabriel em tudo. Onde Gabriel é impulso, Victor é calma. Onde o vizinho improvisa, Victor planeja.

Viro o rosto para ele e o beijo vem, natural, quente, cheio de sentimento.

Como eu amo esse homem.

- Estava com saudade disso - murmura.

- De quê?

- De você - responde simplesmente.

Sinto minhas bochechas corarem, beijos seus lábios rapidamente.

- Está com fome? -pergunto, ofegante.

-Estou faminto -ele responde, sorrindo. - Mas não sei se é de comida.

Rimos, e o som é leve, familiar. Ele me gira pela cintura, e por um instante, tudo parece certo no mundo.

Preparo o jantar enquanto ele fala sobre o trabalho. O tom da voz dele é firme, mas há cansaço escondido nas entrelinhas. Às vezes ele se cala e só me observa, como se o simples fato de eu estar ali fosse suficiente.

Depois do jantar, ficamos no quarto. Ele coloca o braço atrás de mim, e meus dedos traçam linhas invisíveis na palma da mão dele.

- Senti falta do seu cheiro - diz, encostando o rosto no meu cabelo.

Fecho os olhos. — E eu, da sua presença.

— Sério?

— É… — murmuro. — Quando você está aqui, parece que tudo volta pro lugar.

Ele sorri, e me beija de novo.

Dessa vez, é um beijo mais demorado.

Um beijo que diz estou aqui, sou seu, não preciso de mais nada.

O quarto fica silencioso, exceto pela nossa respiração entrecortada. Ele me deita com cuidado, como se eu fosse uma coisa frágil, e o toque dele é firme e terno ao mesmo tempo.

São beijos lentos, ternos, que falam mais do que qualquer palavra. Mãos entrelaçadas, olhos que se buscam, corações que se entendem mesmo no silêncio.

Entre um beijo e outro, ele murmura:

— Você é o meu lar, Bárbara.

E eu acredito. Porque Victor fala pouco, mas quando fala, é verdade.

Ficamos assim por um tempo, envoltos um no outro, até que o mundo parece parar. Quando a respiração dele desacelera, sei que ele adormeceu. E não demora muito para que também adormeça.

N/n Eles são lindos juntos! Votem e comentem!💓

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𝓐𝓶𝓪𝓷𝓽𝓮 𝓭𝓸 𝓶𝓪𝓯𝓲𝓸𝓼𝓸.•𝙱𝙰𝙱𝙸𝙲𝚃𝙾𝚁•Onde histórias criam vida. Descubra agora