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Adonis Berdara, esse era seu nome, nascido junto de seu irmão gêmeo, criado e amado pelos pais e os tios. Ele tinha vivido pouco se fosse ver pela expectativa de vida dos feéricos e apenas naquele fim de sua vida realmente se sentia feliz com completo por que Stella estava ao seu lado, sim, ela estava lá e ele sentia, estava com ele até aquele momento em que estava partindo e ter ela ali era o que o segurava para não passar para o outro lado como um burro teimoso e estava ali sentado no chão de pedra fria com névoa em sua volta, as asas se esparramavam pelo chão e sentia que se levantasse iria ser levado para além daquela névoa, para longe das pessoas que amava.

— Você é bem teimoso — a voz feminino disse deixando Adonis surpreso, era parecida com a de sua mãe, mas não era Gwyn ali ao seu lado agachada o olhando com os grandes olhos azul-mar.

O rosto era idêntico ao da mãe de Adonis, a pele era clara, não tinha sardas pelo rosto e os cabelos eram negros, longos e lisos.

— Você puxou as sardinhas de Gwyn — disse Catrin, a irmã gêmea de sua mãe e logo, sua tia.

— Se veio me buscar, está perdendo o seu tempo, eu não vou — respondeu Adonis voltando a olhar para frente e Catrin deu um longo suspiro cansado.

— Eu vim tentar, pelo menos — disse a tia de Adonis se sentando ao lado dele. — Você também é teimoso como ela.

— Dizem que me pareço mais o meu pai — disse Adonis soltando um riso baixo. — Raphael é mais parecido com a minha mãe.

— Ah, eu sei, não pense que não vi vocês crescendo e não vi todas as enrascadas que Raphael os colocou — riu Catrin cutucando o braço de Adonis com o ombro e ele sorriu pequeno. — Você teve uma boa vida...

— Eu sei — cortou o macho. — Mas não é a hora ainda.

— E por que você acha que não?

— Eu tenho muito o que viver com Stella — os olhos avelã de Adonis se encheram de lágrimas.

Catrin engoliu em seco e olhou para a névoa em frente a ela e ao sobrinho.

— E eu concordo com isso — disse ela. — Mas o tempo está se esgotando.

Adonis fechou os olhos com força fazendo lágrimas caírem por ali.

— Madja tem que ser rápida, mais rápida — disse ele baixinho e Catrin escorou sua cabeça no ombro de Adonis abraçando o braço dele.

O tempo estava correndo e o corpo dele ficando cada vez mais fraco e mesmo que ele ficasse sentado ali entre a vida e a morte, se seu corpo falecesse não teria mais o que ser feito.

***

Gwyn andava de um lado para o outro, não dormia, não comia, não bebia, o cabelo ruivo estava até mesmo opaco e desgrenhado. Kaya, sua caçula, estava sob os cuidados de Raphael e Lissa, Azriel achou melhor deixar a pequena longe de casa por alguns dias, até que aquela situação se resolvesse e então, estavam ele e Gwyn em uma tortura sem fim.

— Quanto tempo mais ela vai demorar?! — exclamou Gwyn com desespero na voz, lágrimas correndo pelo rosto e os joelhos falharam devido a fraqueza fazendo com que Azriel corresse rapidamente até a parceira a segurando antes que atingisse o chão a abraçando.

A dor qual estavam sentindo e compartilhando pelo laço era dilacerante, e Azriel tentava ao máximo parecer forte, por ela.

— Você precisa descansar — disse ele e Gwyn em prantos levou os braços ao pescoço o abraçando.

— Nosso menino está morrendo, Az — disse ela baixinho e com o rosto próximo do de Azriel que trincou o maxilar com força olhando nos olhos de sua amada vendo apenas dor e desespero ali. — Ele está morrendo.

Azriel engoliu em seco e apertou mais Gwyn contra o corpo e a deu um beijo demorado na testa, lágrimas silenciosas caindo por seu rosto. Entre todas as guerras, todos os ferimentos que ele já tinha sofrido, aquela dor, a dor de estar perdendo um filho era a pior que já havia sentido, perder o seu menino, o fruto de todo amor que ele e Gwyn sentiam um pelo outro, estava partindo pouco a pouco.

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⏰ Última atualização: Dec 29, 2025 ⏰

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