Capítulo 3-Lucy

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Aquele cabrão vai pagá-las, ai vai. Onde já se viu atirar os meus queridos bébés à minha cabeça? Idiota. Entrei na cozinha do restaurante e vi alguns cozinheiros de um lado para o outro. Vi uma pequena mesa redonda num canto isolado da cozinha e sentei-me numa das cadeiras. Abri um dos pacotes de m&m's e comecei a comer enquanto olhava tudo à minha volta para ver se encontrava a minha mãe, mas não a vi. Esperei mais alguns minutos e nada, ela não chegou.

-Olhe desculpe...-fui na direção de um dos cozinheiros, mas ele ignorou-me-oh camelo estou a chamar-te.

Ele olhou para mim enfurecido e eu quase fiz xixi nas calças, mas mantive a minha postura.

-Sabes onde está a minha mãe?-perguntei, mas ele não respondeu-o nome dela é Amy, sabes?

-Acho que ela foi à casa de banho-encolheu os ombros-agora deixa-me trabalhar.

Filho da pu....otário. Pousei os meus bébés em cima daquela mesa e fui até à casa de banho. Entrei silenciosamente e chamei pela minha mãe.

-Mãe...?-fui empurrando as portas que estavam desocupadas e cheguei numa que estava fechada-mãe? És tu?

-Filha...-a sua voz foi quase um sussurro.

-Mãe estás bem?-fiquei preocupada-mãe sai daí, por favor.

A porta abriu-se devagar e de lá saiu uma Amy com os olhos vermelhos de chorar. Ela foi em direção ao lavatório e lavou as mãos e a sua cara e olhou para mim respirando fundo.

-Mãe...?-dei um passo na sua direção-o que se passa?

-Eu...eu estou grávida...-falou num sussurro.

-O quê?!-olhei para ela confusa-mas eu pensei que tu...não pudesses ter filhos e...e...

-Eu também pensei que não...-encolheu os ombros.

-Tens de ir médico-aproximei-me dela-de certeza que há uma explicação para isto ter acontecido e....

-Hey calma...-ela sorriu-amanhã vemos isto, ok?-ela abraçou-me-agora preciso de ir trabalhar.

-Mas mãe...-parei-a-é melhor...sei lá, descansares? Quer dizer, a tua chefe de certeza que vai compreender e...

-Lucy...-ela olhou para mim com carinho-eu prometo que amanhã vou ao médico e tu vens comigo se quiseres, ok?

-A sério?!-os meus olhos brilharam-obrigada-abracei a minha mãe.

Fomos as duas para a cozinha e a minha mãe sentou-se naquela mesma mesa que eu havia me sentado antes e eu fiz-lhe um chá. Sentei-me ao seu lado e entreguei-lhe o chá.

-Obrigada-ela agradeceu.

Vi uma mulher de cabelos e olhos castanhos, alta, elegante e sorridente a aproximar-se de nós.

-Olá Amy-ela sorriu para a minha mãe.

-Anne?!-a minha mãe levantou-se e abraçou aquela mulher-há quanto tempo?

-Há uns dez anos?-falou essa tal de Anne-e quem é esta linda menina?-ambas olharam para mim e eu acho que corei.

-A minha filha, a Lucy...-falou a minha mãe com um sorriso nos lábios.

-Lucy?!-Anne arregalou os olhos-a pequena Lucy?! Quer dizer, aquela mesma menina que destruía as coisas à sua volta?-ela riu olhando para mim e eu fiquei sem perceber.

-Essa mesma-a minha mãe sorriu-e acredita que ela ainda é assim-ambas riram.

-Eu sei que não te deves de lembrar de mim,as eu lembro-me de ti, quando eras pequenina-ela abraçou-me-prazer, eu sou a Anne.

-Ahm, eu sou a...Lucy?!-sorri também.

-Estás bem Amy?-Anne olhou para a minha mãe-não estás com uma boa cara.

Eu e a minha mãe entreolhámo-nos e ela baixou a cabeça.

-Sim está, eu só estou um pouco cansada nada de mais-ela encolheu os ombros.

-Anne?-olhei para ela-sabe onde posso encontrar a chefe da minha mãe?

-Lucy?-a minha mãe olhou para mim.

-É que amanhã a minha mãe precisa de ir médico e vai ter de faltar e...

-Lucy...-a minha mãe bufou.

-Será que ela iría deixar que a minha mãe faltasse?

-Lucy...-a minha mãe aproximou-se de mim e colocou a sua mão no meu ombro-a Anne...

-Ah e assim também aproveito para lhe dizer que o seu filho é um perfeito estúpido-comecei a andar de um lado para o outro enquanto falava-ele é um estúpido, um idiota, um palhaço, um chato, um melga, um otário, esqueci-me de algum nome?-olhei para ambas que se riam-ah e um camelo e...porque se estão a rir?

-Lucy...-Anne olhou para mim a sorrir-tens razão, às vezes o Harry pode ser tudo isso, mas ele é boa pessoa-ela riu mais-e sim, é claro que eu deixo a tua mãe faltar amanhã.

-Hãn?!-olhei para ela confusa.

-Não querias pedir à chefe da tua mãe que ela faltasse? Então ela está a deixar-ela assentiu.

Olhei para Anne e depois para a minha mãe e depois outra vez para Anne.

-Você?!-engoli em seco-é a chefe da minha mãe.

-Sim-ela assentiu.

-E mãe daquele camelo...quer dizer, daquele rapaz?-acho que me apetece fazer xixi.

-Sim sou a mãe daquele camelo-ela riu das minhas palavras.

Putz estou fud...lixada...

-Hãn...-coçei a cabeça-desculpe, eu não sabia.

-Eu sei que às vezes é um pouco difícil de conviver com o meu filho-rimos as três.

(...)

-Pai, pai...-entrei em casa a correr atirando as minhas coisas para o sofá.

-Boa noite fi...-não o deixei acabar.

-A mãe está grávida-falei tudo seguido.

O meu meu pai olhou para mim confuso e curioso ao mesmo tempo, quando a minha mãe entrou em casa.

-Amy...?-o meu pai olhou para a minha mãe-grávida?!

-Eu...eu fiz o teste e...e deu positivo-ela sorriu um pouco.

-Isso quer dizer que vamos ter um...bébé?-ele sorriu abraçando-a.

-Sabes que esses testes costumam estar errados e...

-Então vamos ao hospital e fazemos um teste de confiança, um teste com 100% de certezas e...

-Amanhã meu amor, amanhã-ela sorriu e deu um selinho nos lábios do meu pai.

-Esperem esperem esperem...-ambos olharam para mim-se tu estiveres mesmo grávida isso quer dizer que vocês...vocês ainda o fazem?

-Fazemos o quê?-o meu pai perguntou confuso e a minha mãe riu-se.

-Sexo?!-perguntei.

O meu pai engasgou-se com a própria saliva e a minha mãe gargalhou ainda mais.

-Não Lucy, nós não fazemos amor...-a minha mae riu-sabes...é que os bébés aparecem por acaso-riram os dois da minha cara.

-Ew...-tapei os ouvidos-eu não estou a ouvir nada lá lá lá lá lá-comecei a cantar para não os ouvir-os bébés vêm das cegonhas, foi assim que eu aprendi quando era pequena e é assim que eu vou continuar a pensar.

-Pensa no que quiseres-o meu pai riu-mas sexo é sempre bom e bem-vindo minha filha.

-Parem-saí dali com as mãos a tapar os ouvidos e fui para a cozinha.

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