Capítulo 36-Harry

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Já eram 03:30 horas da madrugada e eu estava em casa dos meus tios no quarto da Lucy com a própria Lucy que ainda se encontrava agarrada à almofada a chorar.

-Lucy...?-aproximei-me dela.

-Vai embora...-ela falou entre o choro-deixa-me.

-Tens de descansar um pouco-tentei falar.

-Eu só descanso quando eu tiver a minha mãe aqui...comigo...-chorou ainda mais.

Passei as mãos pelos cabelos e suspirei. Eu já estava há horas a tentar fazer com que a Lucy adormecesse, mas era em vão. Cada vez que eu tentava me aproximar dela, ela afastava-se e continuava a chorar. Se ao menos eu pudesse trazer a minha tia de volta. Quer dizer...eu o poder até posso, mas seria um pouco complicado.

-Olha vamos até lá fora um pouquinho...-aproximei-me dela-vai fazer-te bem apanhar um pouco de ar.

Ela olhou para mim durante uns segundos, mas depois acabou por concordar comigo. Ajudei-a a levantar-se e ambos fomos para o jardim das traseiras onde nos sentámos num banco grande de baloiço. Ela parara de chorar, mas eu sabia que a sua cabeça estava na minha tia. Sei que não deve de ser fácil para ela, porque para mim também não está a ser. Notei que ela estava toda arrepiada por isso tirei o meu casaco e coloquei-o por cima dos seus ombros. Olhámos nos olhos um do outro e eu sorri, mas ela virou a sua cara.

-Porquê?-ela perguntou sem nunca olhar para mim.

-Porquê o quê?-olhei para ela confuso.

-Porque me mentiste?-olhou para mim com lágrimas nos olhos-porque não me contaste?

-Não estou a perceber...

-Um lobo?-olhou para mim ainda mais magoada-porquê?

-Tu sabes?-fiquei ainda mais preocupado com ela.

-A minha mãe contou-me antes...antes de...-desabou a chorar.

Num impulso eu abracei-a, mas ela afastou-me dela.

-Não me toques...-ela gritou-eu odeio-te.

-Não digas isso, isso não é verdade-olhei nos seus olhos-tu só estás magoada e...

-Só estou magoada?!-olhou para mim totalmente furiosa-tu sabes o quanto eu estou a sofrer por tua causa? Por causa do que aconteceu à minha mãe? Eu não tenho ninguém, eu estou sozinha.

-Tu não estás sozinha Lucy...-falei-tens o teu pai, os meus pais e...

-Não é a mesma coisa...-negou-eu preciso da minha mãe mais nada-chorou ainda mais.

-Posso contar-te uma coisa?-suspirei.

-Não me apetece falar contigo e...

-Eu acho que sei como trazer a tua mãe de volta-falei interrompendo-a.

-O QUÊ?!-ela olhou para mim de olhos arregalados-isso é verdade?

-Sim, é verdade-assenti.

-Como?-olhou para mim à espera de uma resposta.

-Como sabes nós somos lobos e quando o Alpha encontra a sua Luna e acasala com ela...-olhei para ela-quer dizer, quando se envolve com ela, cria-se um laço de amor entre os dois e...-respirei fundo-há uma lenda em que diz que se a Luna engravidar do seu Alpha, ela pode salvar a vida de um ente querido que esteja em estado crítico, como o caso da tua mãe.

-E isso funciona mesmo?-olhou para mim confusa.

-É raro isso acontecer, mas não custa tentar-falei.

-E então como é que eu posso ajudá-la?

-Primeiro terias de engravidar e depois terias de te unir à tua mãe.

-E como é que faço isso?-olhou para mim.

-Através do sangue-falei e ela olhou para mim triste.

-Achas que vai resultar?-perguntou.

-Talvez...-encolhi os ombros-sempre podemos tentar, mas...

-Mas...?-olhou para mim.

-Mas tu não estás grávida e...

-Nem penses que eu me vou envolver contigo-levantou-se-tu nunca mais me tocas, percebeste?

-Lucy...-levantei-me também.

-Nem te atrevas-olhou chateada.

-Tu estás a rejeitar-me?-olhei para ela magoado.

-Sim estou-falou determinada.

-Mas...tu sabes o que pode acontecer aos machos que são rejeitados?

-N...não...-gaguejou.

-Os machos que são rejeitados vão para o extermínio e lá morrerão e...-respirei fundo-depois de lá entrar nunca mais de lá saem.

-Sempre podes arranjar outra mulher-encolheu os ombros.

-Não posso-neguei com a cabeça-para cada macho só há uma fêmea e vice-versa e eu...eu escolhi-te a ti Lucy.

-Não quero saber-falou nervosa-a culpa é toda tua.

-Não digas isso-aproximei-me dela.

-Já disse-saiu dali deixando-me sozinho a olhar para o nada.

Entrei em casa e sentei-me no sofá apoiando a minha cabeça nas minhas mãos. Eu amo-a tanto. Merda.

******

Acordei no dia seguinte com alguém a abanar-me e quando abri os meus olhos vi que era a minha foca.

-Despacha-te...-ela falou-podes ir tomar um banho e vestir as roupas do meu pai.

Olhei para ela e vi que estava cheia de olheiras.

-Quero a minha mãe de volta, por isso despacha-te-saiu dali entrando na cozinha.

Depois de tomar um banho e de ter vestido as roupas do meu tio, desci e encontrei-a a andar de um lado para o outro no meio da sala.

-Finalmente...-ela falou-vamos embora e leva-me até onde a minha mãe está.

-Está bem-assenti.

Liguei o carro e dei partida até à nossa alcateia, mais propriamente até à pequena salinha onde vão os lobos quando morrem, ou seja, na sala pertencente ao Conselho. Chegámos e estava tudo silencioso. Aproximámo-nos da porta, mas reparámos que estava trancada.

-Está trancada...-falou Lucy.

-Deixa isso comigo-soltei as minhas garras e parti a fechadura-vamos, entra.

Tínhamos de fazer pouco barulho porque o Conselho não podia nem sonhar que estávamos ali. Primeiro porque se me apanhassem mandavam-me de caminho para o extermínio e segundo porque a Lucy não é filha biológica da minha tia e porque ela não é um lobo. Entrámos e Lucy correu logo para a beira da mãe que se encontrava deitada numa maca.

-Lucy tu não estás grávida e...

-Cala-te e diz-me como fazer-falou nervosa.

-Tens de cortar o teu pulso e o da tua mãe e misturar o sangue-falei.

-Mas eu não tenho nada que corte e...

-Mas eu tenho-soltei as minhas garras.

-Aiii...-gemeu de dor quando fiz um corte no seu pulso.

Fiz um corte no pulso da minha tia e...

-Mas o que é que se passa aqui?-ambos olhámos para trás.

Fodasse eram dois homens pertencentes ao Conselho.

-Rápido Lucy, rápido...-gritei para ela-eu trato deles.

Transformei-me em lobo e aqueles dois homens à minha frente fizeram o mesmo. Começámos uma briga e....

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