Outubro de 2015
- Luna. Luna. Consegue me ver?
A moça abre os olhos, relutante. Há dois enfermeiros ao seu lado e Gabriel se encontra inclinado sobre ela, com uma expressão de espanto.
- O que houve? – sussurra.
- Tome. – um enfermeiro lhe estende um pequeno copo com água.
Ela bebe e só então observa o ambiente. Está deitada em um dos leitos do hospital.
- Sua pressão caiu. Costuma ter esse tipo de problema? – Gabriel pergunta atenciosamente.
- Não. – responde com dificuldade. Seus corpos estão tão próximos agora, que a sensação que aquilo lhe causa poderia fazê-la desmaiar novamente.
- Comeu alguma coisa pela manhã? – ele insiste.
- Eu... Não. Acho que não. – conclui, pensativa. Era quase impossível se concentrar daquela maneira.
- Acha? – ergue a sobrancelha.
- Não comi. – suspira. – Já não estava me sentindo bem e acabei vindo para cá de estômago vazio.
- Continue a beber essa água. Eu já volto. - deixa o quarto, fazendo-a lamentar a distância que voltava a surgir entre os dois.
- Se precisar de qualquer coisa, pode nos chamar. – um dos enfermeiros diz com um sorriso acolhedor.
- Obrigada. – sorri de volta.
Os dois saem enquanto ela volta a fechar os olhos, tentando se recompor. Não sabia muito bem o que estava havendo com seu corpo, mas aquilo parecia já não ter importância perto de um alguém que estava do outro lado da parede naquele momento.
Gabriel volta dentro de poucos minutos e senta-se ao seu lado.
- Assim que se sentir melhor, vamos embora daqui.
- O que? – Vamos, reflete. O que ele queria dizer com isso?
- Não acha que vai voltar sozinha, acha?
- O hospital não fica muito longe do alojamento. Posso ir tranquilamente. Não precisa se dar ao trabalho.
- Meu alojamento é mais próximo. Vamos para lá e, depois, quando realmente se sentir segura, poderá ir para casa.
- Está insinuando que não tenho escolha?
- Sim. – sorri fracamente mas parecia estar se divertindo com aquilo.
- Ok. Se é isso que você quer. – dá de ombros e espera ser capaz de esconder o nervosismo que se reflete em suas mãos.
- Só preciso entregar minhas anotações ao professor e volto para te buscar.
Após alguns minutos, Luna sentia sua força voltar e percebe que já era a hora de se levantar e ir embora dali. Ergue-se com cuidado da maca e acaba por se deparar com um Gabriel bastante apressado, na frente da porta.
- Podia ter me esperado para te ajudar. – ele se queixa.
- Já estou melhor. – rebate enquanto se ajeita. – Podemos ir.
- Certo.
A moça caminha para fora do quarto e sente uma mão se posicionar sobre suas costas, suavemente, e seu coração se aquece com o calor que aquilo lhe proporciona.
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Ambos chegam à entrada do hospital e a brisa que os envolve faz com que Luna se sinta renovada. O silêncio que os acompanhava durante o pequeno percurso já estava se tornando incômodo e Gabriel decidiu por um fim àquilo.
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A Estrada Partida
RomanceUma juventude repleta de sonhos acaba de ser corrompida com o fim de um primeiro amor. Gabriel, que pensara já ser um homem, se descobre apenas um menino solitário e frágil por trás de uma grande armadura física. O tempo, que deveria ser seu grande...
