Um Bom Coração

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Outubro de 2015

Luna se vira para Gabriel após ouvir a resposta. Ele ainda olha para o mesmo ponto distante, preso em pensamentos e, quando se volta pra ela, estremece. Estão tão próximos ali e parece que roda gigante parou, assim como o resto do mundo.

- Luna. Eu... – não consegue terminar a frase, porque a moça de cabelos dourados se aproxima inesperadamente e cola seus lábios aos dele.

A resposta no corpo de Gabriel é quase instantânea, fazendo-o colocar os braços ao redor dela. Eles se beijam como se aquela fosse a coisa mais certa a ser feita e o rapaz sente-se arrepiar ao ganhar uma carícia delicada em sua nuca.

- Vamos dar o fora daqui. – resmunga entre beijos. – A gente pega um táxi e vai embora.

Luna reprime o riso ao ouvi-lo soar tão impaciente, mas compreende, pois deseja o mesmo.

- Não é simples assim. – sussurra.

- É sim. – rebate e volta a beijá-la, mais intensamente. Seus corpos estão colados e sua vontade é levá-la imediatamente para sua casa. - Não... – lamenta ao sentir o banco se movimentar cada vez mais, para baixo.

Ao notarem que estavam parando, ambos começam a se afastar, relutantes.

- Posso pagar por mais uma rodada. – ele comenta, arrancando-lhe um sorriso.

- Acho que não podemos furar a fila.

- Droga. – balança a cabeça e estende a mão, dando-lhe apoio para descer, ao que ambos se dão conta de como suas mãos se encaixam, feito um quebra-cabeça. - Quer comer alguma coisa?

- Gabriel... – o sorriso se desfaz. – Sabe que não posso sumir de repente. Preciso pelo menos encontrar o Tom e meus amigos. Nenhum deles sabe que estou aqui, ainda mais com você.

Alguns provavelmente sabem, ele pensa, reprimindo o riso ao se lembrar de Louis dando-lhe a bronca.

- Pois então vamos até lá, você se despede e tudo fica bem.

- Meu Deus, não! – Luna ri. – Não é assim que funciona. – conclui e o vê suspirar, esfregando a mão pela cabeça.

- Tudo bem. Apenas vamos até lá, então. Acho que posso suportar uma noite do lado do idiota do seu namorado. – comenta, fazendo uma careta ao pronunciar a última palavra.

Eles começam a caminhar em passos lentos, como se o inconsciente os obrigassem a passar, juntos, o máximo de tempo que pudessem.

- Então... Você estava me falando sobre o idiota do ex namorado. Quanto tempo durou?

- Durou o que? – pergunta, sobressaltada.

- O namoro. – dá de ombros.

- Tempo suficiente pra deixar uma cicatriz.

- Entendo. – assente.

- E o seu?

Gabriel a encara, surpreso. Parecia a coisa mais esquisita do mundo ter de falar sobre aquilo com ela.

- Hã... Um bom tempo.

- Claro. – suspira.

- O que foi?

- Nada. É só que... Você sempre foge do assunto.

- Não estou fugindo.

- Mas mal me respondeu. – rebate, tristemente.

- Eu... Não estou acostumado a falar sobre isso.

- Dá pra ver. No entanto, aqui estou eu te contando sobre mim, sem receber um feedback.

A Estrada PartidaOnde histórias criam vida. Descubra agora