As palavras estavam fluindo da boca de Rachel mais rápido do que eu podia acompanhar. Em que mundo eu estava? Só Deus saberia dizer.
— Gen, você tá me ouvindo?
— Claro. – eu acho.
— Então, tudo bem que eu meio que ataquei ele... – ela sorriu pra mim, enrolando a ponta do cabelo, uma mania que tinha desde criança quando ficava nervosa. – Mas você acha que eu tenho alguma chance? De verdade?
— Eu... – não sei, de verdade. Será que tem? – Ele te disse alguma coisa?
— Gen! O que eu faço com você? Parece que o Harry derreteu seus miolos! – ela se jogou pra trás na poltrona e depois me encarou. – Eu te disse, nos beijamos, durante um tempo e depois ele me deu boa noite, mas parecia... Relutante, confuso, sei lá. Foi isso.
E então ela olhou pra mim, séria.
— Ou... Ele ainda está afim de você...
— É claro que não! – não, ele não pode estar! – Aquilo já ficou pra trás. Já resolvemos.
Nesse momento, a comissária veio nos avisar sobre o pouso, apertamos nossos cintos e eu me segurei na cadeira. Mais uma vez.
Durante o trajeto de carro pra casa, pra não ter que inventar respostas mirabolantes à Rachel, e porque eu estava sendo uma filha muito negligente, resolvi ligar para o meu pai.
— Oi... Pai?
— Que bom que lembrou de mim. Fico muito agradecido.
— Pai. Por favor.
— Não, tudo bem. Não tem problema desaparecer por quase dois dias inteiros e não dar nenhum sinal de vida.
— Pai, só queria dizer que estamos quase chegando. Ok? Vamos de táxi.
— Ok.
— Beijo. Até já.
Meu pai estava sendo incrivelmente intolerante, mas em alguns momentos ele até tinha razão. Só que eu ainda não tinha descoberto como fazer a vontade dele e a minha e ser feliz ao mesmo tempo. Era complicado.
Pedimos ao motorista pra nos deixar próximo de casa e subimos o resto da rua a pé. Já passava do horário do almoço e eu estava exausta.
— Ray?
— Sim?
— Obrigada por ter ido comigo. Se não fosse por você eu acho que não teria conseguido.
— O que a sua melhor amiga no mundo todo não faz por você? Não é?
— Dessa vez vou deixar você acreditar nisso. – eu a abracei e me virei pra entrar em casa.
— Ah! Gen, você já decidiu sobre o seu aniversário?
— Ainda não.
— Não me obrigue a te dar uma festa surpresa!
— Farei o possível!
Eu não sabia mesmo o que fazer no meu aniversário. No início do ano, pensei que seria legal ter uma festa ou viajar, mas na minha atual situação com meu pai, acho que muita coisa estava fora de cogitação.
Ao entrar em casa, encontrei apenas um bilhete dele, avisando que estava na loja. Pelo menos eu teria algumas horas de paz e sossego. Mais tarde prepararia o jantar e quem sabe ele chegaria de bom humor?
Estava começando a subir as escadas quando um bolo de envelopes grandes chamou minha atenção em cima da mesinha logo abaixo. Me debrucei sobre o corrimão pra enxergar melhor e tive certeza. Eram elas. Finalmente chegaram as respostas das faculdades. Ou pelo menos algumas. Corri de volta e peguei os envelopes, não ousando sequer pensar no peso deles separado. Juntei tudo que tinha meu nome e subi apressada. Coloquei-as com cuidado na prateleira acima da cama e soltei o ar dos pulmões mais devagar agora.
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I Swear I'll Behave
FanfictionEnquanto meu pai conta os minutos para eu passar no vestibular e ser alguém na vida, eu conto os segundos para poder ir ao último show do One Direction antes do fim da banda. Não era só a vida dos meninos que mudaria depois daquele show, mas eu não...
