21 | Tempo

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Evelyn

Ele tomou a minha mão, e eu estática não sabia como reagir perante a sua declaração. Desta vez, era eu quem tremia, assimilando ainda as suas palavras. "Eu gosto de ti, Evelyn"

– Desculpa – o seu pedido deixa-me confusa. – Eu sei que isto pode ser demasiado para ti. Também o é para mim, mas a verdade é que era-me impossível segurar mais isto dentro de mim –

– És muito importante para mim. Tu sabe-lo. Deste-me tudo o que eu tenho, uma nova vida, e eu sei que sem ti estaria perdida, ou provavelmente morta num beco desta cidade. Mas eu ainda não estou preparada. Não estou preparada para te magoar – eu digo, deixando-o ligeiramente boquiaberto.

– Porque afirmaste tal disparate? – os seus olhos de um tom mel encaravam o meu rosto, vermelho da confissão de à pouco.

– Conhecemo-nos à 4 meses...? E tudo o que fiz foi criar-te preocupações, traí a tua confiança e ainda quis anular o nosso compromisso – bem, eu pensei nisso – deixando aquelas alterações para amenizar a minha consciência pesada. –

– Magoou sim, mas isso não deixa de ser os pequenos erros que cometemos com uma cerca inconsciência, talvez envergonhados pelos nossos atos. Isso não vai mudar a forma como cresceste aos meus olhos e no meu coração – ele diz, fazendo o meu músculo cardíaco atingir velocidades incríveis.

– Oh, Deus... – eu quero esconder-me. Não de tristeza, ou vergonha, mas sim pela timidez e felicidade que circulavam pelas minhas veias neste momento. Ouço a sua gargalhada, que capta toda a minha atenção. – Tens de parar com essas coisas –

– Porquê? Não fui eu quem deu o primeiro passo e me beijou – ele continua a provocar, manhoso. O ambiente tenso deu lugar ao humor relativo a momentos anteriores.

– Apenas... – suspirei, sentindo-me sem qualquer coerência para poder explicar o meu ponto de vista. – Temos de levar as coisas com tempo. Eu não estou preparada para tudo isto – pude sentir o meu passado querer assombrar-me.

– Como preferires – ele beija delicadamente a minha mão.

Deitei a minha cabeça sobre o seu tronco, que estava ligeiramente na ponta da pequena cama. Fechei os meus olhos e adormeci a pensar na experiência vivenciada por este rapaz de vinte e quatro anos que o tornaram naquilo que é. Uma pergunta pairava na minha mente: "O que o fez permanecer fiel, quando o mundo não o foi com ele?"

__________________Nova Iorque, manhã ­­­­­________________

Os pais de Noah despediram-se de nós, depois de se certificarem estar tudo pronto em casa para que pudéssemos continuar a nossa rotina, que ficou um pouco parada devido aos nossos pequenos acidentes. Eu ainda coxeava levemente, mas já sem qualquer ajuda para me manter de pé. Já Noah iria ter uma recuperação demorada de um mês devido à operação e à fratura de uns ossos pequenos da sua mão.

O Sr. Porter deixou tudo limpo, e informou-nos que os técnicos da empresa de informática recuperaram os ficheiros para um driver, mas o computador, com o impacto, havia ficado com problemas graves de funcionamento, pelo que achavam por bem comprar um novo.

– Obrigado, Henry – ele abraça o homem, que retribui.

– Sempre às ordens, menino Noah – ambos riem, e nós entramos em casa, deixando que Porter retomasse ao seu local de trabalho.

Sem saber o que fazer nas próximas horas, decidi ir até ao meu quarto, verificando o telemóvel pelo caminho. Não tinha recebido notificações importantes, apenas algumas mensagens das minhas amigas do curso, em que contam o ambiente no instituto e as reações de quando se soube acerca do meu acontecimento. Casey assumiu as culpas do ataque, e neste momento encontra-se suspenso do projeto, não podendo participar nas atividades relacionadas por um determinado tempo, que o irá prejudicar em uma certa percentagem da nota; Senti um peso enorme em mim – afinal, ele fê-lo por mim.

EssênciaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora