UCKER
Ela aceitou dividirmos a corrida, mas pela forma como esta sentada ao meu lado sei que esta completamente contrariada e confesso que gostei te-la irritado e isso me faz rir. Ela me olha bem séria e penso que vai falar algo, mas volta a olhar pela janela.
Entramos em um bairro cheio de prédios modernos e extremamente altos, a maioria com faixadas espelhadas e imponentes e isso me faz pensar em como ela consegue morar num bairro de classe alta, já que parece ser pouco mais velha que eu. Talvez seus pais ainda arquem com suas despesas, ela deve ter nascido rica. Sua voz interrompe meus devaneios.
DULCE: É nesse próximo prédio, por favor. - ela sinaliza ao taxista e ele logo estaciona.
Ela mexe em sua bolsa e tira algo que parece uma carteira.
UCKER: Deixa que eu pago no fim da corrida, Dulce.
DULCE: Sem chance! - ela não me dá atenção e entrega o dinheiro para o taxista. - Obrigada! Então é isso - ela se vira para mim ja com a mao da maçaneta da porta.
UCKER: Não vai me chamar para entrar? Que mal educada, mocinha.
DULCE: Tenha-se por satisfeito de estar olhando a portaria daqui da calçada. - eu dou uma gargalhada e ela sai pela porta, fechando-a e me olhando pela janela. - Boa viagem!
E o taxi sai, deixando ela na calçada. A lembrança de suas palavras desaforadas me fazem rir, eu nao imaginaria que elas saíriam de uma figura tao delicada. Me ajeito no banco e encosto em algo, pego e vejo um celular. Quando acendo sua tela vejo a foto de Dulce sorrindo.
UCKER: Amigão, preciso voltar! - me vejo falando.
PONCHO
Minha intenção em traze-la em casa era resolver toda essa confusão que se passa desde que ela apareceu em Los Herreras, mas como as coisas nem sempre fluem da maneira como pensado, agora estou voltando para casa sozinho e sem nenhuma resposta.
Maldita hora que o telefone foi tocar, maldita hora que fui me envolver com Claudia para tentar esquecê-la, maldita hora que eu me deixei levar por um sentimento de infancia.
Por que sim, eu bem me lembro de todas as vezes que ela entrava em minha casa com suas bonecas em um braço e um sorriso estampado no rosto, seu jeito divertido e delicado sempre me incomodou, me deixando sem reação e, como se fosse uma saída, eu fazia de tudo para implicar com ela. Hoje eu sei que no fundo eu queria chamar sua atenção, queria que ela me notasse mas não sabia a forma certa de fazê-lo.
Quando estou entrando em casa meu celular toca novamente, olho no visor e vejo o rosto de Claudia pela milésima vez. Não a atendi quando sua ligação atrapalhou minha conversa com Anahi e nem nas 4 vezes seguidas que ligou depois disso, como não vou fazer agora. Coloco o celular no silencioso e o jogo no sofá, deixando-o ali enquanto vou para a cozinha. Pego um whisky, preciso de algo que me ajude a entender tudo e pensar numa solução ou que me faça esquecer de vez.
Vou para o meu quarto e me jogo na cama com o copo ainda na mão. E dali fico tentando recordar como tudo era antes dela reaparecer.
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A Proposta
أدب الهواةEstava tudo muito calmo na vida de Anahi. Ela vive na cidade de Monterrey, onde é advogada de uma grande empresa e possui uma vida confortável, que nas horas vagas é adicionada de muita loucura por Dulce Maria e Chris. Já em Los Herreras, tia Pilar...
