Park Jimin
Já passam das duas horas da manhã e eu não consigo dormir. Hoseok acabou pegando no sono e me abraçou como se eu fosse um urso de pelúcia. Acho graça disso. Fico triste de o efeito do álcool ter passado, por alguns minutos eu consegui não me preocupar com as coisas.
Estou pensando no Jungkook. Ele tem noção de que o meu pai é um delegado?
- Jimin...- ouço o Hoseok me chamando com a voz rouca.-... vou ao banheiro.- ele se levanta da cama quase caindo, entregando que ainda nem acordou direito. Rio disso.
Me sento no colchão com os pés para fora, pensando ir até a cozinha para beber água. Assim que tenho certeza da minha sede, calço as pantufas e sigo em direção ao andar de baixo. Encho o copo de água até a boca e tomo tudo de uma vez.
Me flagro perguntando para mim mesmo se o Jungkook está bem naquele hospital. Ao menos eu sei que ele não tem como fingir aquilo.
- Tudo bem?- Hoseok aparece na cozinha, interrompendo os meus pensamentos.
- Sim.- me viro para ele enquanto forço um sorriso que some rapidamente.
Ele vem até mim sem hesitar e me puxa para um abraço apertado.
- Você vai ficar bem, tá bom? Tudo passa.
Demoro para responder aos seus toques, mas acabo rodeando o seu corpo com os meus braços também. Meus olhos lacrimejam ao lembrar do quão bem eu ficava com o Jeon.
- Escuta...- Hoseok segura o meu rosto com as duas mãos e me mantém olhando nos seus olhos.- Você é incrível, Jimin, e se ele não vê isso em você, com certeza esse cara não vale as suas lágrimas.
Forço mais uma vez um sorriso e sinto uma vontade enorme de ficar sozinho e chorar junto do meu travesseiro novamente.
Volto a olhar para o Hoseok e percebo que o seu rosto está muito próximo do meu. Seus dedos sobem para fazer um carinho aconchegante na minha orelha e fecho os meus olhos com esse ato, descansando a minha cabeça na palma de sua mão.
Relaxo os meus músculos até que sinto a respiração do Hoseok no meu rosto e antes que ele possa continuar eu mexo as minhas pernas dando um passo para trás e saindo dos seus braços.
- O que você está fazendo?- pergunto irritado.
- Me desculpa, eu...- ele para de falar.
Passo as mãos no meu rosto tentando me manter calmo e não descontar tudo nele.
- Olha, Hoseok, isso não vai acontecer.- digo e reparo no seu rosto decepcionado.
- Eu sei. Eu não pensei direito...
Antes que ele possa continuar a campainha da minha casa toca e em seguida ouço a voz de Jeon Jungkook chamando pelo meu nome.
Fico nervoso. As minhas mãos tremem e eu não consigo me mover. O que ele veio fazer aqui?
- Você quer que eu atenda?- Hoseok pergunta preocupado.
E de novo ouço o Jungkook me chamando.
Balanço a cabeça para o Hoseok na tentativa de mostrar que tenho tudo sob controle. Ando com passos lentos até a porta, mas as minhas mãos se recusam a girar a maçaneta.
- Jimin, por favor!- ele grita.
Meu peito desce e sobe em uma velocidade rápida, começo a ficar sem ar e passo a respirar pela boca. Os meus olhos encaram a maçaneta da porta tentando imaginar o que vai acontecer quando eu abrir e todos os resultados não me agradam. Eu não quero olhar para ele.
- Jungkook, não acorde o bairro todo.- ouço uma voz desconhecida vindo do outro lado.
Ele está acompanhado.
- Eu preciso entrar, Taehyung.
Vencido pela curiosidade, ou irritação, eu abro a porta de uma vez.
Jungkook me olha espantado. Ele está péssimo. Parece que fugiu do hospital. Seus olhos estão fundos, a sua pele está branca e os lábios secos. Olho para o seu acompanhante e fico intimidado na mesma hora. Ele veste roupas caras de cores escuras por baixo do sobretudo preto e longo finalizado com o seu sapato social. Além disso, ele carrega em uma das mãos a sua bolsa.
Pego desprevenido, Jungkook agilmente agarra o meu corpo e me aperta forte afundando a sua cabeça na curva do meu pescoço.
Sinto uma sensação horrível no meu corpo. Ao mesmo tempo em que quero ele longe de mim, eu quero ele perto de mim. Mas todas as coisas emprestáveis que ele já fez, todas as mentiras que ele me contou e todas as coisas que ele escondeu de mim me fazem colocar os pés no chão.
- Jungkook, me solta!- não tendo o meu pedido atendido de primeira, começo a empurrá-lo para longe. Jungkook persiste por mais um tempo, porém me solta assim que percebe que eu não estou brincando.
- Eu estou tão aliviado por te ver.- sua voz sai fraca.- A gente pode conversar, por favor?
- Não temos o que conversar.- tento manter a postura.
- Por favor, Jimin...- ele pede de novo.
- Por favor?- fico irritado.- Você mente pra mim desde o começo, finge ser alguém que você não é só pra ganhar dinheiro! Você machuca as pessoas, Jungkook! Eu tenho nojo de você! Você não tem um pingo de empatia pelos outros...
- Eu sei...- me surpreendo com isso.- Eu só quero tentar fazer as coisas de uma maneira certa dessa vez.- seu nariz funga.- Eu estou disposto a tudo, Jimin, não importa se eu tenha que matar o meu pai ou até mesmo colocar a minha e a vida dos meus amigos em risco.
- Você não precisa de nada disso. Pode ficar com os seus amigos e com a sua vida, Jeon! Eu não quero mais me envolver com você.- começo a fraquejar porque eu sei que é mentira.- Eu não suporto ficar aqui parado e te olhando e lembrando o quanto você me machucou.- limpo o nariz com a manga do meu pijama.- Eu me viro sozinho.
- Eu só quero que você entenda...
- Eu já entendi.- sou direto. Eu só quero que ele vá embora.
- Não, você não entendeu. Eu fodi a merda toda só para te deixar a salvo.
- Jungkook, isso não melhora em nada! Você não está em posição de exigir coisa nenhuma de mim.-neste momento eu choro como um bebê.- Você não tem o direito de querer que eu abra essa porta e te receba com abraços e carinho...
- Meu amor, eu só quero te deixar seguro.- ele me interrompe.- Por favor, vamos entrar e me deixa te contar as coisas com mais detalhes. Eu não vou exigir o seu perdão, Jimin...- vejo que os seus olhos começam a derramar lágrimas.- Eu só preciso te deixar a salvo.
Permaneço parado na passagem encarando o rosto que ao mesmo tempo me faz tão bem e tão mal, até que um vento gelado vem de fora e bate no meu nariz me fazendo estremecer de frio. Penso em uma última oportunidade de fechar a porta na cara deles, mas alguma coisa me convenceu a deixá-los entrar.
Eu só espero que isso não demore muito.
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❤️
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Fake Bitch • Jikook
FanfictionEm um dia qualquer da sua vida tediosa, Park Jimin é surpreendido com a atitude violenta e absurda da sua mãe que o força a se colocar no mundo carnal da prostituição, mas o que ele menos espera é se apaixonar por um de seus "clientes", um homem, cu...
