Rebeca veio de uma família onde tudo era errado. Agora liberta das exigências e regras dos pais, ela quer ser ela mesma. Um ser humano sincero e alegre, que não leva desaforo para casa. Principalmente de um certo bonitão que adora lhe tirar do séri...
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Debaixo da água fria, consegui respirar aliviado. A decisão tinha que partir de um de nós dois e me doeu que tivesse que ser eu. Era melhor isso acabar agora do que gerar problemas futuros — Quem sabe um dia ela e eu não podemos ter um relacionamento amigável? — Duvido muito, afinal, estamos falando da Rebeca. Sorri.
Sai do banho e me enrolei em uma toalha. Vasculhei a geladeira em busca de comida, mas não encontrei nada, então acabei pedindo uma comida pelo aplicativo do celular.
Quando a noite finalmente caiu, eu estava morto. Dormi bem cedo e acordei muito disposto.
Saia para correr com o Erick e meu irmão, todos os dias e depois focava no trabalho acumulado. Já fazia uma semana, desde que Rebeca e eu nos vimos pela última vez.
Passei a tarde toda trabalhando em um processo muito importante, mas perdi a concentração quando ouvi o celular tocando. Meu pai. Eu e Rodrigo estávamos esperando ele acabar as férias prolongadas dele para finalmente desmascará-lo.
— Oi pai — Disse no meu tom normal, para que ele não desconfiasse de nada.
— Que história é essa que você se mudou? — Ah, então ele já soube?
— Já faz quase dois meses — Disse sem emoção alguma.
— E como eu não fico sabendo de uma coisa dessas? — Diz irritado e reviro os olhos.
— Porque eu sou maior de idade e tenho o direito de ir e vir a hora que eu quiser — Ouvi ele resmungar.
— E posso saber para onde você se mudou?
— Para o Rio — Ele fica uns segundos em silêncio.
— Rio? — Diz baixinho.
— Sim, comprei uma casa próximo a praia de Ipanema — Não dou muitos detalhes.
— Ipanema? — Será que eu vou matar o velho?
— Sim.
— Estou no Rio a negócios, que tal a gente sair para tomar uma cerveja? — Olhei a hora. 20:12.
— Pode ser. Tem um bar bacana, vou te passar o endereço por mensagem.
— Te encontro lá em meia hora — Diz e desliga.
Mando a localização do bar e me arrumo. Antes de sair de casa, passo na casa do Rodrigo. Bella abre a porta e pula no meu colo.
— Como vai essa princesa? — Ela sorri.
— Bem titio, sabia que a titia Bebeca vai embora? — Diz triste e meu coração acelera.
— Embora? — Digo com o cenho franzido.
Ando para dentro da casa e vejo todos reunidos. Meu irmão, Fernanda e Rebeca. A mulher estava linda.
— O que ele está fazendo aqui? — Diz irritada.
— Que história é essa que você vai embora? — Ela me lança um olhar mortal.
— Não é da sua conta — Destila seu veneno.
— Rebeca foi contratada por uma agência de modelos importantíssima para um desfile de uma marca muito famosa. E o dono gostou tanto dela, que agora ela fará parte da equipe de modelos dele. Amanhã é o primeiro desfile dela e todos estaremos lá para apoia-la. Isso não é incrível? — Fernanda diz radiante, mas a única coisa que eu conseguia focar, era: Rebeca vai embora.
— Parabéns — Consegui dizer seco e ela mal olhou na minha direção.
— Obrigada — Murmurou sem vontade.
— Podemos falar em particular? — Meu irmão me olhou curioso.
— Papai — Disse e ele entendeu o recado.
— Querida, vou sair com o Gabriel por um tempo, mas se precisar de qualquer coisa, basta me ligar — Ele beija a testa da esposa e me acompanha para fora.
— Ele está me esperando em um bar aqui perto — Digo e Rodrigo fica tenso.
— Então ele já sabe? — Pergunta ansioso.
— Não, mas saberá agora — Rodrigo e eu entramos no carro e em menos de cinco minutos, estamos em frente ao bar.
Andamos lado a lado atraindo a atenção de algumas mulheres sozinhas. Quando meu pai me avistou e em seguida, viu Rodrigo ao meu lado, ele parecia que iria ter um ataque qualquer e morrer ali mesmo.
— Pai — Rodrigo e eu dissemos juntos.
— Como? — Foi tudo que ele conseguiu dizer.
— Como nos conhecemos? Eu investiguei e imagina qual não foi minha surpresa ao descobrir que você tinha um filho mais velho? — Ele continuava pálido.
Rodrigo e eu puxamos uma cadeira e nos sentamos na mesa em que ele estava.
— Então, não tem nada a dizer, papai? — Rodrigo diz controlando sua raiva. Eu sabia que a relação dele com o nosso pai era muito instável.
— Sua mãe sabe? — Pergunta a Rodrigo.
— Eu não contei nada, porque o senhor vai contar. Eu já tenho minha família, o senhor tem que resolver os problemas da sua — Rodrigo diz seco.
— Vocês fazem parte dessa família — Nosso pai diz triste.
— Fazemos? Você mentiu para todo mundo. Nos manipulou como se fossemos meros fantoches na sua mão. Você não tinha o direito de enganar todo mundo e me privar de conhecer meu irmão — Rodrigo soca a mesa e coloco a mão no ombro dele para que ele se controle.
— O que o senhor fez, foi errado, pai — Meu tom era mais contido.
— Eu sei, mas quando eu percebi, as coisas já tinham tomado uma proporção muito maior. Eu estava separado da sua mãe a alguns dias, quando tive essa conferência em Brasília — Ele começa olhando para Rodrigo — Foi lá que conheci sua mãe — Agora ele olha para mim — Sua mãe era a pessoa mais interessante que eu tive o prazer de conhecer na vida. Sua alegria me fez me sentir como um adolescente apaixonado de novo. E o mês que passei com ela, foi suficiente para que você fosse gerado. Eu queria ficar só com a sua mãe, Gabriel, mas quando voltei ao Rio, descobri a gravidez da mãe do Rodrigo, mas ela acabou perdendo e entrando em uma depressão muito forte. Eu não poderia deixá-la, mas eu também não podia largar sua mãe e você, e foi assim que acabei levando por todos os anos. Eu sempre quis meus filhos juntos, mas eu não tive coragem de confessar todos os meus erros — Meu pai diz aquilo como se tivesse tirado um peso enorme dos ombros — Mesmo sabendo que agora vocês me odeiam, eu queria dizer que amo os dois, independente das escolhas erradas que fiz na vida e fico feliz em ver que vocês se dão bem — Ele sorri triste.
— Eu só quero uma coisa de você, pai. Quero que conte para a minha mãe. Ela merece saber — Ele assente e Rodrigo se levanta.
— Eu vou contar — Diz derrotado.
— Todo mundo erra, pai, mas persistir no erro é burrice. Tente melhorar seu relacionamento com o Rodrigo, porque pode não parecer, mas todo mundo precisa de um pai — Bato de leve no ombro dele me retiro, indo em direção ao Rodrigo, que já me esperava no carro.
Gentee, próximo capítulo vai ser da Rebeca, explicando tudo ♥