Naikan

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Shegay mais cedo com 6k de palavras porque vocês merecem! Tanto carinho, nem acreditei que vocês leitors linds estão divulgando em grupos e no twitter a fic, alcançamos mais de 1400 visualizações e 150 votos. VOCÊS SÃO INCRÍVEIS! OBRIGADA POR ISSO, CONTINUEM COM FORÇA <3 Fé no pai que 2000 views sai!

-> Pra esse cap temos duas músicas:

Boston - Augustana

In need - Gert Taberner

Deem o play quando for indicado ^^

Todas as músicas estão na playlist "Change of Time" no Spotfy: bit.ly/playcot

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Aproveitem, seus lindxs! Vejo vocês no final

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Em 1940, no Japão, originou-se o "Naikan": uma filosofia que se trata de mudar o ponto de vista sobre algo, sobre si mesmo e até sobre a vida como um todo, olhando para dentro.

Perceber os detalhes do dia-a-dia e saber o que fará a partir dessa percepção, é o que define 90% da vida do ser e do que será atraído para si.

Essa autorreflexão para apurar com outros olhos a vida e o modo com que se devolve tudo ao mundo acabam resultando em uma simples palavra: gratidão.

Lauren, no auge de sua adolescência, não tinha consciência disso e talvez não fosse sua culpa. A cada dia ela recebia mais um tijolo para construir um muro que a separava dessa filosofia e todo seu significado.

Abril de 2014

Não passava das cinco horas da manhã quando Sinu encontrou Camila sentada em sua cama folheando as páginas de um álbum antigo de fotografias da família, fotos que eram lotadas de sorrisos que não persistiram através do tempo. Não que não fossem mais felizes, mas existiam certos espaços que a falta de Alejandro deixava e que não eram preenchidos com nada muito além de solidão. Camila carregava em silêncio o peso do abandono todos os dias.

Sinu sempre obteve uma postura diferente sobre toda a situação, salvo na semana do ocorrido na qual sua confusão e agonia propiciavam o agravamento de sua aflição e desespero. Suspirou longamente antes de se juntar à filha numa apreciação maternal às cenas do que um dia fora, para quem pudesse ver, o panorama de êxito familiar. Apenas Sinu sabia de seu fardo, o aceitou e o escondeu antes que o mesmo acabasse consigo.

— Eu sinto tanto a falta dele. — suspirou Camila, passando o dedo em um carinho delicado sobre uma das fotos. Fechou os olhos e se deixou guiar para o momento da fotografia: seu pai em frente a si, ao final do píer, amarrando um laço vermelho em seu penteado para um toque especial. — Às vezes é como se eu pudesse sentir seu toque arrumando o meu cabelo com aqueles enfeites.

— E ele adorava fazer isso. Ficava horrível, mas vocês se divertiam! — Sinu sorriu com a filha, que se lembrou do fato enquanto afogavam-se em um mar de saudades. Ninguém poderia culpá-las. Às vezes é terapêutico recordar o passado. Qual ser humano nunca encontrou deleite em algumas doses de nostalgia?

— Eu olho para essas fotos e não consigo entender o que aconteceu. Como ele pôde nos deixar? — mordeu o lábio inferior contendo um choro, era difícil admitir seus sentimentos para ela mesma, quanto mais para sua mãe. Não que não quisesse, mas tinha isso como uma trava pessoal inconsciente. Talvez o medo de admitir os sentimentos em voz alta seja porque isso faz com que percebamos o quão reais eles são. Para Camila sempre foi comum ignorar os problemas diante das pessoas e viver, nem que para isso precisasse ignorar a si mesma.

Change Of Time (Finalizada)Onde histórias criam vida. Descubra agora