Afonso estava com Gregório na sala de reuniões discutindo estratégias para reabrir a mina de Montemor. Ele pensava em inúmeras coisas, mas não conseguia chegar a lugar nenhum. Sua mente parecia estagnada, não conseguia produzir nada.
O clima no castelo estava um tanto quanto tenso. Ele pensava o tempo todo em Catarina, várias perguntas em sua mente a respeito dela. Ela havia mudado bastante desde que escapou da fogueira, estava completamente diferente da Catarina com quem um dia foi casado. A voz doce deu lugar a uma voz dura, o olhar fatal virou um olhar de indiferença, ela mal lhe dirigia a palavra, só o fazia quando era extremamente necessário. Porém, ela agia assim apenas com ele, já que com qualquer outra pessoa o tratamento dado por ela era diferente.
Ele não entendia porque estava dando tanta importância para o fato de Catarina estar ignorando-o, só sabia que isso o estava incomodando. Não esperava que ela continuasse tentando se aproximar dele, mas não entendia porque ela havia mudado tanto em tão pouco tempo.
Seus pensamentos foram interrompidos por Gregório:
- Majestade, o senhor está bem? - Ele perguntou preocupado.
- Ah, sim, estou. - Ele respondeu.
- Há algo lhe afligindo a mente? Perdoe-me, mas notei que vossa majestade parecia nem ouvir o que lhe dizia. - Gregório disse e Afonso passou a mão nos próprios cabelos e assentiu.
- Catarina. - Ele disse e Gregório o olhou sem entender. - Estava pensando em Catarina. Aliás, ela não me sai da mente há algum tempo. - Ele fez uma pausa. - Gregório, quero que me responda algo com toda sinceridade.
- Pode perguntar, majestade.
- Acha que existe alguma possibilidade de não ter sido Catarina a responsável pela explosão da mina? - Ele perguntou e Gregório ficou surpreso com o questionamento.
- Tudo aponta para ela. Catarina era a principal beneficiada com o casamento, pois além de conseguir aliar Montemor e Artena, ela também casou-se com vossa majestade, que é o homem que ela ama.
- Ou amava. - Afonso falou baixo, porém Gregório ouviu. Ele achou tal comentário estranho, mas achou melhor não dizer nada.
- Perdoe-me, majestade, mas porque me fez tal questionamento? O senhor tem dúvidas quanto a culpa ou inocência da princesa Catarina? - Gregório perguntou.
- Não sei mais o que pensar. As vezes penso se há alguma possibilidade dela não ter causado aquilo. - Afonso falou e Gregório ficou confuso. O rei estava um pouco estranho nos últimos tempos e jamais imaginou ouvir aquilo dele, que antes parecia tão convicto da culpa da princesa.
Afonso saiu da sala junto com seu conselheiro. Não adiantava mais tentar buscar alguma solução para o conflito da mina, pelo menos não naquele dia. Os dois conversavam andando pelos corredores.
- Gregório, quando faltava um mês para a condenação de Catarina eu fui até seus aposentos lhe dizer o tempo que faltava para ela ser condenada, mas ela é esperta, sabia que não era apenas aquilo que eu queria lhe falar. - Afonso explicou e Gregório ouvia atentamente. - Nós discutimos e, com os ânimos alterados, eu disse que queria que ela admitisse que havia sido a responsável pela explosão.
- E o que a princesa Catarina respondeu? - Gregório perguntou.
- Ela seguiu sustentando sua versão de que não havia sido ela e que não tinha motivos para mentir, já que havia sido condenada. - Afonso disse enquanto continuavam andando. - Mas algo não me saiu da cabeça. Ela disse que no fundo adoraria ter tido a ideia do rei Otávio da Lastrilha de explodir a mina apenas para me ver derrotado e não é a primeira vez que ela afirma categoricamente que ele foi o mandante de tudo.
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Rise
FanfictionO fogo se aproximava cada vez mais dos pés de Catarina e ela ficou completamente desesperada tentando em vão se afastar. Ela começava a fazer força para tentar se soltar daquelas amarras, mas elas nem se moviam. Suas lágrimas aumentaram, sua respira...
