Afonso ainda não parecia acreditar nas palavras ditas por Catarina. Ele definitivamente não imaginava que a rainha de Artena iria aceitar, aparentemente de tão bom grado, sua proposta sem nem ao menos ouví-la ou querer saber detalhes da mesma.
Um forte silêncio se instalou naquela biblioteca onde os dois estavam sozinhos. Afonso sem saber o que dizer, pois agora quem havia sido pego de surpresa foi ele e Catarina o encarando sem nada expressar, embora um turbilhão de sentimentos tomassem conta dela.
- Você aceita? - Afonso perguntou desacreditado, precisava ter certeza que ouviu mesmo aquelas palavras.
- Sim. Eu aceito. Essa é a minha maior chance de conseguir reconstruir Artena, não posso e não vou mais esperar nenhum momento. - Ela disse e logo continuou. - Já que nossas chances de conseguir um empréstimo foram totalmente descartadas e essa foi a única que restou, então que essa união aconteça.
- Confesso que não esperava que você aceitasse tão rápido sem ao menos conversarmos. - Afonso disse ainda processando os acontecimentos recentes.
- Não há necessidade de mais delongas. Precisamos apenas tomar mais cuidado, afinal se dermos qualquer passo mal calculado, o Conselho não cederá uma mísera moeda. Então precisamos apenas fingir ser um casal perante o reino e mantermos somente uma boa convivência. - Ela disse e o encarou. - Façamos desse novo acordo comercial proveitoso para ambos e, assim, isso durará menos tempo que o previsto. - Um silêncio mortal se estabeleceu entre os dois após as palavras de Catarina.
Ele havia entendido exatamente o que a rainha quis dizer. Ela não estava mais disposta a continuar lutando e definitivamente não o faria por nenhum momento e isso ficou claro quando ela se referiu ao casamento como acordo comercial. Assim como ele costumava falar. Agora era sua vez de sentir na pele as dores que causou em Catarina ao sempre matar suas esperanças quando se referia a união dos dois com aqueles termos.
- Nosso casamento não precisa ser um acordo comercial. Nós podemos ter uma boa relação juntos. - Ele disse medindo bem as palavras, afinal não era sua intenção assustá-la e afastá-la se dissesse que pretendia fazer do casamento uma união de verdade.
- Sim, podemos, mas sem esquecer que o principal e único objetivo de tudo isso é a garantia do empréstimo para a reconstrução de nossos reinos. Uma boa relação, de fato, tornará tudo um pouco menos difícil. - Catarina falou e começou a se afastar indo em direção a porta, mas parou no meio do caminho olhando para Afonso. - Não precisa se preocupar, pois assim que tudo estiver em seu devido lugar, entraremos com o pedido de anulação do casamento e assim você estará livre de mim.
- Mas eu não quero me livrar de você. - Ele disse repentinamente e Catarina se desconcertou um pouco, mas logo retomou sua postura séria. - Quero fazer desse casamento mais que um acordo comercial, quero que fiquemos bem um com o outro.
- E ficaremos. Para todos nos mostraremos como um casal feliz, mas não manteremos nada além que uma boa convivência. E assim que tudo acabar, eu retorno à Artena e você ficará livre para procurar por Amália novamente. - Ela disse e Afonso se aproximou.
- Catarina, por favor, eu não tenho pretensão de retomar minha relação com Amália. - Afonso disse, mas Catarina o interrompeu.
- Não precisa fingir, está tudo bem com relação a isso. Não tenho a menor intenção de atrapalhar a vida de vocês novamente. Espero, de coração, que vivam felizes. - Ela disse com sinceridade. Estava cansada de lutar e se era com a plebeia sonsa que ele queria ficar, que fossem felizes juntos. Sem esperar nem mais uma resposta, ela abriu a porta e o encarou antes de sair. - Anunciemos o noivado o quanto antes.
Catarina saiu daquela sala e Afonso lá ficou pensando no quanto a rainha ainda estava machucada. E tudo por culpa dele. Ele sabia que tudo seria extremamente difícil, afinal ela não acreditava em nada que ele dizia, mas não iria desistir dela.
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Rise
FanfictionO fogo se aproximava cada vez mais dos pés de Catarina e ela ficou completamente desesperada tentando em vão se afastar. Ela começava a fazer força para tentar se soltar daquelas amarras, mas elas nem se moviam. Suas lágrimas aumentaram, sua respira...
